Um livro que se propõe a ser um presente que vem de um lugar de empatia e educação sem deixar de ser assertivo. "Para meu amigo branco "é a tomada do lugar de fala na busca de uma ponte de comunicação didática e de braços abertos, um primeiro passo para uma aproximação honesta, que endereça história e responsabilidade, propondo um caminho de aprendizado e mudança. Um livro que aponta as desvantagens do racismo para quem o perpetua e repete. Como definiu, no prefácio, Eliane Dias, uma reflexão de "empatia e estudo que fala delicadamente sobre o racismo, sem abrir mão de mostrar a violência que causa aos negros [...] o autor mostra como este país é muito controverso, um país idealizado para ser branco mas que seguiu sequestrando negros por mais de 300 anos". Como escreve o autor, "[...] o afeto que expresso ao meu amigo branco é a ponte para que possamos juntos, brancos e negros, salvar as vidas dos nossos irmãos negros mais fragilizados. Porque eu estou convencido de que, para cada branco que nós levarmos consciência neste país, pelo menos 100 negros serão beneficiados".
Antes de qualquer coisa, não poderia ter apresentação melhor do que a feita pela Maju Coutinho. Ali você já consegue capturar toda a profundidade e importância do que está por vir….
E o que falado do que vem de fato? Manoel Soares escreve como quem olha nos nossos olhos e não desvia. Ele conduz o leitor branco a encarar, sem subterfúgios, os próprios privilégios e preconceitos. Mas faz isso com uma combinação rara: firmeza na denúncia e ternura no gesto. É impossível sair o mesmo depois de atravessar suas palavras.
Para Meu Amigo Branco” não é só um convite à reflexão, é um chamado à ação. Manoel transforma cada página em um empurrão para que deixemos de ser espectadores e passemos a agir de forma consciente e antirracista. É um ótimo começo , e indispensável para quem começa a se questionar sobre as estruturas que sustentam nossa sociedade (mesmo para alguns, tardiamente - antes tarde do que nunca).