"um certo receio vai ser uma longa etapa, muito trabalhosa e doce, com várias estações para o que eu acabo de referir; precisava de estar a par da experiência de al hallj para que ele pudesse socorrer-nos com o método que, porventura, tivesse empregue, e nos considerasse uma luz remota provinda dele, e da parte de apreensão onde há luz; por que não concluir (entre limites) que al hallj protege e assiste os carismas do desejo apaixonado?" contos do mal errante é como se fosse uma narrativa, ou mesmo um romance, que seria o movimento de uma escrita fragmentária. [.] tendo lido já (ou não) outros textos de maria gabriela llansol, o leitor sabe ou virá, esperamos, a saber que este texto é parte de um universo. Podemos aliás usar - com grande informalidade, não para buscar qualquer caução científica, mas porque lidamos com o pensamento por figuras - uma metáfora cosmológica: este é um universo em expansão, não só em relação ao que pensamos como futuro, mas também em relação ao passado. (manuel gusmão, excerto do posfácio).
MARIA GABRIELA LLANSOL nasceu a 24 de Novembro de 1931, em Lisboa. Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, tendo trabalhado em áreas relacionadas com problemas educacionais. Em 1965, abandonou Portugal para se fixar na Bélgica. Regressou há alguns anos a Portugal. É um caso ímpar na ficção contemporânea, de jorrante, inesperada e original criatividade. De estilo muito próprio, a sua forte personalidade afirmou-se desde 1957, com as narrativas de Os Pregos na Erva, consolidando-se com O Livro das Comunidades, 1978, e com todas as suas obras posteriores, de que poderemos salientar A Restante Vida, 1978, e Um Beijo Dado mais tarde, 1990, e Lisboaleipzig, 1994 e 1995. Aliando a subjectividade enunciativa a um forte pendor mítico de implicação lírica, que funda numa visão da vida e do mundo de tipo religioso herético, sensualista e naturalista, a sua ficção caracteriza-se por uma hibridez de registos e de convocação, temporal e espacial de entidades, que no entanto assume uma coesão que lhe é dada por uma marca discursiva persistente e inconfundível. Faleceu a 3 de Março de 2008, em Sintra.