Chronicals about the way of life of D. Pedro I, brazilian first Emperor.
Foi numa noite de gala, aniversário do príncipe regente, que D. Pedro viu no palco, pela primeira vez, a bailarina entontecedora. Era uma francesinha de matar. Uma boneca de luxo, toda pluma, frágil como um bibelô. E tão loira! E tão fresca! E dona duns olhos tão grandes, tão liricamente azuis!”. O trecho fala do primeiro amor de D. Pedro, quando, aos 17 anos, teve a primeira loucura da adolescência e aventurou-se na paixão por Noemi. Em todos os capítulos as histórias da família real são contadas em detalhes, rico vocabulário e com muito humor.
De novo, o título não faz jus ao conteúdo. Esperando ler sobre um Imperador maluquinho, descobrir ser o D Pedro um grande homem e grande herói, dos maiores do Brasil e de Portugal.
O texto é antiquado e guiado mais pela emoção do que pela razão, mas a leitura deste livro me cativou: a curta vida do nosso primeiro imperador foi um verdadeiro romance, cheio de grandes aventuras, com episódios que parecem retirados de um filme épico de ficção. A parte da história que mais me cativou foi aquela em que D. Pedro, já destituído dos tronos do Brasil e de Portugal, se lança na loucura de recuperar a coroa portuguesa que lhe havia sido usurpada pelo irmão Miguel. Sem dinheiro e contando com o apoio de apenas alguns poucos apoiadores, ele se refugia na Ilha Terceira dos Açores e de lá, graças a seu imenso carisma pessoal, consegue sair com um exército de sete mil homens para a cidade do Porto, onde inicia sua campanha para a recuperação da coroa. É uma história quixotesca incrível, sobre a qual pouco se fala nas nossas aulas de história aqui no Brasil.
Trata-se de um livro repleto de curiosidades sobre este período tão conturbado, mas que deve ser lido sem expectativas de se encontrar nele o rigor das obras históricas de caráter didático. Para mim, foi uma leitura muito cativante, que me fez refletir sobre o trágico peso da vida de tantos governantes, que vivem e morrem em luta incessante pelo poder.
Esta obra conta-nos o período entre 1808 e 1834 da vida do Imperador do Brasil D. Pedro I/ Rei de Portugal D. Pedro IV sob a forma de romance histórico. Foi escrito em 1927 por Paulo Setúbal, escritor brasileiro de filiação parnasiana. A narrativa está repleta de humor e sarcasmo. Começamos a acompanhar a história de D. Pedro com a chegada da comitiva real em naus ao Brasil, em fuga da invasão napoleónica em Portugal. Conta-se pormenores curiosos da vida familiar real e das aventuras amorosas do jovem príncipe. Enquanto Imperador foi casado 2 vezes. A primeira esposa D. Leopoldina de Aústria, mãe dos seus 5 filhos. Durante o seu casamento com a primeira esposa, teve vários casos amorosos e são-lhe conhecidos 3 filhos bastardos. Uma das amantes mais famosas é a Marquesa de Santos, Domitília de Castro, a quem Paulo Setúbal dedica outro romance histórico. A segunda esposa foi Amélia de Leuchtenberg, de quem não teve filhos, mas por quem foi apaixonado.
Para além do aspecto privado do Imperador do Brasil, Paulo Setúbal foca também o desempenho como estadista, sendo aclamado de início pelo povo do Brasil ao exigir a independência do Brasil quando seu pai D. João VI voltou com a Corte para Portugal em 1821, após o início da Revolta Liberal em 1820. Tornou-se o primeiro Imperador do Brasil em 1822 e enfrentou após a morte do pai, D. João VI, a tentativa de subida ao trono dos absolutistas que apoiavam o seu irmão D. Miguel. Abdicou do trono português em prol da filha D. Maria da Glória, futura D. Maria II, solicitando ao seu irmão que ficasse como regente até a filha atingir a maioridade e poder ser rainha, altura em que se casaria com o tio, D. Miguel. D. Miguel jurou cumprir a Carta Constitucional e assim que chegou a Portugal, com a sua mãe D. Carlota Joaquina, tomou o poder. D. Pedro teve de tentar recuperar o trono português para a sua filha, abdicou do trono imperial brasileiro em prol do filho D. Pedro de Alcântara e dedicou-se à luta pelo trono de Portugal. Juntou tropas liberais na Ilha Terceira, rumaram ao Porto, onde fizeram o conhecido Cerco do Porto e saíram vitoriosos. Após a filha D. Maria II estar no trono de Portugal, D. Pedro falece aos 35 anos de idade.
Livro que faz parte de bibliografias sobre o primeiro império. D. Pedro I visto como não apenas uma figura histórica, mas também um ser humano, com suas qualidades e defeitos. Escrito de forma leve e elegante, ao mesmo tempo.