Já conhecia a escrita do Emílio dos livros não-ficcionais de Rute e Ester, gosto demais do jeito que ele conta histórias. Como amante de contos que sou, não perdi a oportunidade de conhecer sua escrita ficcional. Afinal, como já sabemos, ficção é bom pra cristão, rs.
Gostei do primeiro conto da série e esse me agradou ainda mais, e de um jeito inesperado. A profundidade dos personagens, as descrições dos seus gostos, paisagens, perfumes, músicas...
A escrita do autor me cativa de um jeito que não sei especificar o quê exatamente. Talvez por passar uma imagem mais realista dos personagens, por mostrar um amor entre pessoas "reais", com seus erros e acertos, sem exagerar como se romances fossem fadados a acabar como filmes da Disney.
O conto tem começo, meio e fim satisfatórios. Não é curto demais a ponto de tornar-se superficial e acaba na hora certa, deixando a cabo do leitor a esperança graças ao final em aberto (que geralmente me desagrada, mas nesse fez sentido). Como falei no começo, já li outras obras do autor. Acho que essa era a que faltava para considerá-lo um novo autor favorito.
P.S.: No trecho que ele compara o amor a uma tatuagem, lembrei-me imediatamente da música Tatuagem, da (incrível e lendária) banda Mastruz com Leite. Cujo refrão diz:
"O nosso amor é como tatuagem, está em nós grudado e colado, e bem mais forte está no coração".
E de brinde ainda diz no começo:
"Pode milhões e milhões de quilômetros nos separar, sei que ele acaba voltando vem logo me procurar. Mesmo que fique com outras tentando me esquecer, sei que ele acaba voltando, ligando querendo me ver".
Ironicamente o protagonista não gosta de forró (o que eu acho erradíssimo), mas existe justamente um forró que lhe cabe muito bem. Interessante, não?