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Mors-Amor

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Os historiadores, os poetas e os bardos têm por hábito contar os feitos dos vencedores. Grandes conflitos ganhos por generais e seus exércitos, aventuras em que a supremacia de uns, se sobrepõe à derrota de outros.

A história da Lusitânia é escassa, pois os únicos relatos que chegaram até nós, chegaram justamente por quem a conquistou. Mas que extraordinários devem ter sido estes homens da montanha! Suscitaram pelos próprios conquistadores, a necessidade de mencionarem os que tombaram nos seus anais de forma tão solene e reverente.

Esta não é uma história de guerra ou de batalhas. Não exulta as façanhas deste ou doutro estratega militar. É tão só e apenas um testemunho das vidas destes homens e mulheres, Lusitanos, que durante 200 anos tentaram manter as suas tradições e a sua cultura contra o maior império do mundo: Roma.

"Há dois tipos de homem... Aqueles que como eu fazem o que o coração lhes diz e pronto. Podem vir os deuses à terra que não vão mudar de rumo. São como o javali, seguem as entranhas. Certo ou errado, não importa. O sangue ferve e a besta avança. Depois há aqueles que têm o dom de fazer o que é melhor para os outros, mesmo que isso os faça sacrificar a sua vontade e ir contra aquilo que seria bom para eles. Nem que isso implique entrar numa fogueira. Esses são os grandes Homens." - Capítulo XXIX, Viriatho

330 pages, Kindle Edition

Published October 22, 2020

3 people are currently reading
95 people want to read

About the author

Sonia Ferreira

1 book19 followers
Desde cedo entusiasta da alta fantasia literária – fiel aos universos de Marion Zimmer Bradley, Michael Moorcock e Tolkien – Sónia Ferreira, nascida em Lisboa em 1978, mostra agora o seu talento neste primeiro volume histórico-fantástico.

Fascinada pelo passado, o seu verdadeiro e grande amor reside na busca pela origem das culturas humanas, de entre elas a cultura Lusitana.

Esses primeiros homens que desbravaram terra virgem, criaram os pilares das civilizações que conhecemos hoje e daquelas que já desapareceram nas areias do tempo.

Esta obra é a sua voz... Mors-Amor

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Displaying 1 - 21 of 21 reviews
Profile Image for Nights *Words à la Carte*.
71 reviews34 followers
March 21, 2021
Este livro foi lido em Leitura Conjunta no âmbito do projecto "Adagio in Libri", co-organizado juntamente com a Cátia Marques. O meu exemplar foi adquirido directamente à Autora, numerado e com direito a dedicatória.

Os mortos não contam histórias. Quem as conta são os vencedores... e são essas verdades que vão sendo inscritas na memória e nos livros de História. Mas há aqueles que ouvem o Cantar da terra, das pedras, no nosso berço mãe e decidem espalhar a sua Canção. Este livro é prova disso.

Houve um tempo em que os povos da Ibéria viviam livres e, de entre eles, existiam os Lusitanos que, para Roma, não governavam nem se deixavam governar. Eram pastores de ovelhas rudes e desorganizados, mas detentores de um vasto e rico território. Então a águia dourada decidiu que era altura de voar e caçar as ovelhas que, vendo-se atacadas e despidas da sua liberdade, outra hipótese não tiveram que vestir a pele de lobos.

Nesta história pela História das nossas raízes, por uma época envolta na névoa, tanto do paganismo e do sobrenatural, como da falta de registo das tribos lusitanas que não escreviam os seus ritos ou feitos, somos transportados para o nosso Passado pela mestria da escrita envolvente, crua e poderosa de Sónia Ferreira. Basta olhar para a capa do Pedro Nascimento (artista que também criou o mapa que faz parte integrante do livro) e perceber a intensidade das palavras que nos esperam. Juro que foi uma viagem inebriante, sedenta e exigente, que nos leva por montes e vales e distâncias geográficas e, até, bem ao centro de cada viajante. Juro, pois… Juro o que jura o meu povo.

A edição é muito cuidada e percebe-se, facilmente, que a Autora teve exímio cuidado naquilo que quis depositar nas mãos de outros que estavam dispostos a ouvir a Canção. Como a própria fez questão de escrever na ficha técnica, "Este livro foi sonhado, escrito, desenhado e impresso em Portugal, com recursos humanos e materiais 100% portugueses". Nota-se uma paixão pela nossa História e pela figura da mulher incomparável, sendo que qualquer um, mesmo o mais distraído, não poderá deixar de notar que há uma forte pesquisa de base para esta obra . O texto, embora necessitado de uma boa revisão, é avisado na linguagem utilizada, na ambivalência de algumas palavras ou expressões, adquirindo um ardor incrível nos momentos mais intensos. Quem não sentiu a garganta apertada ou os olhos embaciados em alguns momentos, são sabe nem sentiu verdadeiramente esta narrativa. Até o paratexto (que, conforme a Tânia Oliveira me explicou, são os elementos que acompanham o texto em si) foram pensados ao pormenor.

Mors-Amor é o primeiro livro de uma trilogia por uma história, e pela História, que é tão nossa. A riqueza da obra está, sem dúvida, ao apelar àquilo que faz parte e que sobrevive dos Lusitanos e cada um de nós, à nossa consistência e memória colectiva. São os nossos deuses, são os nossos heróis, são os nossos povos da montanha, são os nossos sonhos e são as nossas dádivas que perduram. Chegaram até à Torredeita do séc. XIX, onde parte desta obra também se passa, com as suas lendas e o misticismo tão em voga da época, e chegam agora, também, a cada um de nós que se deixa envolver pela Canção, nestas páginas em que o amor e a morte vivem de mão dada. Mas isto… é só o início .

Estamos aqui. Ainda.
Profile Image for Cátia.
145 reviews35 followers
March 22, 2021
"𝐀 𝐏á𝐭𝐫𝐢𝐚 𝐞𝐬𝐭á 𝐧𝐚 𝐋𝐢𝐛𝐞𝐫𝐝𝐚𝐝𝐞"


Entre o Romance Histórico e a Fantasia Histórica, Mors-Amor transporta o leitor para 158 a.C. a quando das invasões romanas na Lusitânia. Nesta mistura de ficção e realidade, ficamos a conhecer a História de um povo, o nosso, que de Pastor passou para Guerreiro, de Cordeiro para Lobo, em busca de manter as suas tradições e a sua Liberdade.
Esta obra foi lida em Leitura Conjunta, no âmbito do projecto Adagio in Libri, co-organizado com a minha partner in crime Nights - Words à la Cart.
Nada neste livro é deixado ao acaso. Cada capítulo conta com um de quatro símbolos que nos vão ajudar a identificar os intervenientes da acção, também todos os capítulos referem a data e local de acção.
Entre o Amor e a Morte, ganhamos um carinho enorme por várias personagens, vivemos e lutamos ao seu lado, ouvimos as suas espadas bater nos escudos e gritamos "os mortos não contam histórias".
De salientar a extensa pesquisa que a autora fez, não só a nível da História como também dos costumes e mitologia (sim, os Deuses mencionados fazem parte do nosso panteão, o qual deveria ser dado nas escolas à semelhança de outros panteões).
Para além dos nossos lusitanos na época das invasões romanas, temos também alguns capítulos numa data mais próxima, em 1880/90. Aqui, o Passado e o Presente vai-se fundir, deixando o leitor ainda mais intrigado.
Quando terminamos a obra conseguimos ainda ficar mais maravilhados com a capa, da autoria de Pedro Nascimento. Tudo tem um sentido e um propósito. Aguardo ansiosamente os próximos dois volumes.
Podem adquirir esta obra directamente à autora, sendo que o exemplar virá numerado e autografado. Têm igualmente a possibilidade de adquirir pela opção print on demand da Amazon.
Profile Image for Tita.
2,216 reviews233 followers
March 20, 2021
Fiquei muito curiosa com este livro depois de ter visto que a Nigths e a Shadow Frozen estavam a promover uma leitura conjunta, durante este mês de Março e que vinha na sequência de uma entrevista à autora no canal Adagio in Libri
Claro que fui logo ver a entrevista e posso-vos dizer que, ainda nem tinha terminado de ver e já estava no < a href="https://soniaferreira.pt/">site da autora a comprar o livro! A Sónia Ferreira fala de um modo tão cativante deste seu livro, que foi impossível resistir. Além disso, a própria história de como surgiu a história de escrever o livro, é magnifica e, confesso, foi outro ponto motivante para o comprar.
Vamos começar pelo ponto menos positivo. A falta de revisão, nomeadamente falhas de pontuação e alguns erros ortográficos. No entanto, sendo este livro uma auto-publicação posso-vos dizer que está muito bom e que, apesar de ter quebrado um pouco o ritmo de leitura, não me retirou o prazer da leitura.
Mors-Amor é um livro que se enquadra dentro da fantasia histórica, e onde Sónia Ferreira pegou num período da nossa História que é pouco abordado, o povo Lusitano. Sim, é verdade, esse povo guerreiro, que foi o que mais frente fez ao Império Romano, e que são os nossos antepassados.
Através da narrativa apaixonada da Sónia, vamos conhecendo um pouco melhor os seus costumes e até os seus Deuses (quem quiser saber um pouco mais sobre a mitologia lusitana pode espreitar aqui, um link muito útil que a Shadow Frozen partilho connosco).
A par desta linha narrativa, temos também uma acção passada no final do século XIX, em Torredeita, na zona de Viseu. Confesso que, inicialmente, fiquei um pouco perdida com este arco narrativo, mas facilmente fiquei também agarrada a estas personagens.
Apesar de, inicialmente, acharmos que a narrativa se desenvolve mais lentamente, a verdade é que li o livro num ápice. A Sónia está de parabéns pois conseguiu criar uma história bem desenvolvida e que é, por si só, uma grande homenagem a este povo, os Lusitanos, e que tanto lutaram e que pouco são abordados na nossa literatura.
E, não querendo pressionar a autora, mas acredito que, todos os que lerem este livro, ficam a ansiar pela continuação, já que este é o primeiro livro de uma trilogia.
Se gostam de fantasia, se gostam de novos autores portugueses, se gostam de boas histórias, histórias essas, tão nossas, então leiam Mors-Amor!

Vídeo de opinião aqui

Profile Image for Fili Reads.
143 reviews9 followers
Read
February 12, 2023
Antes de mais, este livro tem das melhores capas de fantasia que já vi. Assim que o vi fiquei com vontade de o ler. Ainda fiquei mais entusiasmada quando percebi que era de uma autora Portuguesa e que a história se focava no povo Lusitano.

Começando pelos pontos positivos, este livro explora uma cultura que nunca antes vi representada em trabalhos de ficção. É refrescante encontrar um trabalho de fantasia que não se prenda às habituais referências genéricas da época medieval. E mesmo nas partes da história que se passam no século XIX Sónia Ferreira escreve uma fantasia muito sua, num setting e com criaturas que fogem ao que estamos habituados a ver.
Outro ponto forte são os momentos de humor, especialmente no diálogo dos jovens Lusitanos. Acredito que possa haver quem torça no nariz por causa da linguagem vulgar mas eu achei que encaixava perfeitamente naquelas personagens e no contexto, e foi, novamente, refrescante ver personagens em ficção portuguesa a falarem de forma realista e não com falas tiradas de uma peça de teatro.

Agora, no que toca ao que para mim foi menos positivo, muito se resume à aparente falta de edição. Percebe-se que a qualidade da escrita melhora ao longo do livro, especialmente nas passagens passadas no século XIX e acredito que muitos dos problemas que tive com Mors Amor não estejam presentes nos próximos livros da trilogia. Com este livro, no entanto, o princípio tem uma prosa muito repetitiva. Tanto a nível do vocabulário como do ritmo. Por exemplo:

"São ágeis no movimento e rápidos na corrida, por isso fogem e perseguem o inimigo com muita rapidez. Com estas leves armaduras e sendo muito ágeis nos seus movimentos, e muito vivos de espírito, dificilmente podem ser vencidos."

A escolha de abrir o livro com dois prólogos de essencialmente "world building" puro e duro também não me parece a melhor. Esta é a história de um povo guerreiro, de amor, de comunidade, de resistência a uma invasão, de dádivas e maldições. No entanto o livro começa com uma descrição vaga do sistema de magia, com muitos termos que não voltamos a ver, e que é seguida por um segundo prólogo também muito descritivo sobre a história, a geografia e a cultura do povo Lusitano. Quando finalmente encontramos as nossas personagens no capítulo I estão à procura de uma ovelha e só após 3 a 4 páginas é que temos o primeiro momento acção, com a descoberta de um acampamento Romano. Mesmo aí penso que a intensidade não é suficiente para prender o leitor. Teria gostado de ver um primeiro parágrafo que nos deixasse imediatamente curiosos pelo que vem a seguir.
Além disto resta apenas mencionar aquilo que já outros apontaram, os problemas de erros ortográficos e pontuação que facilmente se resolveriam.

Gostaria de ver uma editora a pegar nesta trilogia e a poli-la, deixando que a essência da história continuasse a ser a de Sónia Ferreira. Infelizmente em Portugal sei o quão improvável isso é e por isso não consigo deixar de admirar uma autora que, ainda assim, teve a paixão e dedicação suficientes para escrever a história que queria contar.
Profile Image for Bruna Pinheiro.
8 reviews3 followers
December 10, 2021
Um pequeno verso feito por mim, depois de ter terminado esta leitura:

"Vieste à minha Pátria
e ouviste a minha história,
tem-na muito bem guardada
pois um dia com ela se fez Glória"

A história é cativante, mas é triste como tudo! Fala de guerra, morte ... e Amor!
Adorei os factos históricos nela inseridos e a descrição de Lusitânia deixa uma pessoa ainda mais apaixonada pela natureza do Norte de Portugal.
Profile Image for Marisa.
159 reviews24 followers
March 7, 2021
Há memórias que se o Homem esqueceu, a terra relembra-nos.

Sónia Ferreira traz nos neste primeiro volume uma obra arrebatadora, histórica e apaixonante, sobre a vida lusitana.

Vamos encontros outros povos, que interagiam entre si, por ambições de outros.

Para além disso, vai nos falar das ligações que os antepassados portugueses tinham com a Natureza, com os Elementos, e com o divino.

Fazia-nos falta um livro assim, que não falasse dos feitos que encontramos nos livros de História, mas sim de quem habitou as serras, as planícies. A quem devemos em grande parte, esta cultura tão rica e peculiar.
Profile Image for Miguel Gonçalves.
66 reviews33 followers
June 18, 2021
Inicialmente este livro atraiu-me pela beleza da sua capa, a sua encadernação a ouro sobre negro era encantadora.
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Depois disso veio a Sinopse, a promessa de uma história épica, de uma história sobre a história daqueles que somos nós. Lusitanos.
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Uma história de Guerra, de Violência, de Morte. Mas mais que isso é uma história de Vida, de Esperança e de Amor.
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Mors-Amor fala-nos da luta dos Lusitanos contra aquele que foi o maior Império de todos os tempos, Roma. Todos nós já ouvimos falar de Viriato na escola e na luta que os Lusitanos deram aos seus oponentes nas montanhas da Península Ibérica, no entanto há mais para contar e aqui neste livro entre fantasia, mistério e factos, Sónia traz-nos uma história que nos enche de orgulho nos nossos antepassados. Orgulho pela sua luta, a sua resiliência, a sua esperança, o seu amor à Vida e à Terra que tanto era sua e onde viviam em harmonia.
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Não vou entrar em detalhes sobre a história, não quero dar spoilers a quem ainda não Leu. Posso apenas dizer-vos que enquanto lia este livro me surpreendi muitas vezes a pegar no telemóvel e a pesquisar e a encontrar coisas reais. Levou-me também a soltar a imaginação e a mente para o que me rodeia e a compreender que as pedras que aqui estão há tanto tempo têm tantas histórias para contar a quem as quiser ouvir.
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Obrigado Sónia por teres escutado a canção das pedras, da água, do vento e da montanha e a teres partilhado connosco neste livro.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Iria Cardoso.
Author 20 books33 followers
August 31, 2023
Simplesmente impossível de pousar!

Esta fantasia histórica, com base na ocupação romana e nas lutas pelos costumes de Lusitânia e da sua construção, transformou a maneira como vejo o nosso passado e como a magia está presente em tudo.

Aprendi que a nossa cultura antiga também tem deuses, que o romance e o amor podem ser indestrutíveis e capazes de tudo no nascimento de algo mais.

A narrativa é fluída, tem acção, tem uma reviravolta bastante interessante e momentos que fazem repensar e ficar na berma do sofá ou da cama, ou de onde quer que estejam sentados a ler. Tem acção, tem romance, tem vida e morte, tem momentos em que apetece saltar para o livro e ajudar os heróis deste primeiro livro de Sónia Ferreira.
Profile Image for Diana Marques | Papéis e Letras.
109 reviews100 followers
March 28, 2021
A história de Mors Amor segue duas linhas cronológicas diferentes: a primeira, que é o grande foco do livro, passa-se em meados do século II a.C. na Lusitânia e segue uma das tribos lusitanas que luta contra a conquista pelo Império Romano; a segunda, transporta-nos para finais do século XIX, em Torredeita, no distrito de Viseu, para um momento muito peculiar onde coisas estranhas, quase sobrenaturais, começam a acontecer. Num misto de ficção histórica com elementos de fantasia e de sobrenatural, a autora vai-nos revelando estas histórias tão cativantes sobre um passado português que, infelizmente, se sabe tão pouco. E quando se sabe, as fontes são sempre externas, da perspectiva do povo conquistador, neste caso Roma, uma vez que os lusitanos não deixaram registos escritos que nos permitam ter conhecimento em primeira-mão sobre eles. Dos registos romanos, sabemos que os lusitanos eram um povo ibérico corajoso, hábil em tácticas de guerrilha, com uma forte hierarquia guerreira e foi o que durante mais tempo fez frente ao domínio de Roma. Em termos religiosos, tinham uma mitologia com deuses e rituais próprios, com crenças muito semelhantes ao que hoje sabemos da mitologia e cultura celta das Ilhas Britânicas. Algumas das figuras históricas lusitanas mais conhecidas figuram neste livro, como Púnico, o grande unificador e líder das vários tribos lusitanas contra a invasão romana, mas também Cesaro, Caucenos, Táutalo e Viriato que, aqui, é ainda uma criança.

O que Sónia nos traz é, então, uma história ficcionada sobre este período histórico e sobre estas tribos lusitanas que tanta luta deram a Roma. Podemos conhecer alguns dos seus deuses, do seu modo de vida, das suas crenças e rituais, das suas tácticas militares, numa narrativa riquíssima em detalhe e pesquisa histórica que não é despejada ao leitor, mas faz, sim, parte de todo o contexto do enredo propriamente dito. Dentro deste contexto histórico, temos a história ficcional de várias personagens que lutam para sobreviver e manter viva o seu modo de vida e a sua cultura. Gostei bastante do enredo, da escrita e da forma como a narrativa está estruturada. Gostei bastante de encontrar um livro cujo contexto histórico é o dos povos lusitanos, algo que não é, de todo, explorado por literatura nenhuma. Editoras portuguesas: vocês peguem neste livro porque tem muito potencial, qualidade e público garantido, de certeza! Gostei das personagens principais, mas não consegui criar laços com nenhuma delas, talvez porque o foco é mostrar de que forma elas têm influência no decurso da acção e dos vários acontecimentos, e não tanto a dimensão psicológica das mesmas. Alguns momentos também me pareceram um pouco apressados, mais para o fim do livro, mas também pode ser algo que foi mencionado ao de leve e que só iremos compreender melhor noutros livros.

Quero também dizer que, uma vez que este livro foi auto-publicado, iria beneficiar de uma boa revisão no que diz respeito à pontuação e a algumas gralhas que existem no livro, mas que não interrompem a fluidez do discurso narrativo nem confundem o leitor. O livro acaba "não acabando", porque a autora nos deixa pendurados, à espera do que virá nos próximos volumes, que nos ajudem a unir as pontas soltas que aqui ficaram e que, tenho a certeza, farão sentido nos próximos livros. No fim, a autora deixa uma lista de todas as personagens intervenientes, inclusive com uma breve descrição histórica das personagens que, de facto, existiram.

Gostei do livro, do ambiente histórico, do enredo que Sónia criou, e de saber que há alguém interessado no nosso passado histórico que remonta a estes homens e mulheres tão valorosos. Já mereciam livros assim! Aconselho todos a irem ver a entrevista da Sónia e a perceber melhor o que está por detrás deste livro. É impossível ficar indiferente!
Profile Image for Sofia Amorim Madeira.
4 reviews
April 6, 2021
Primeiro livro da autora, gostei muito. São as nossas origens que muita gente desconhece ou, como eu, conhece muito pouco. Espero ansiosa pelo próximo livro da Sonia Ferreira.
208 reviews
October 24, 2023
Esta narrativa tem início em 156 a.C., vivendo a Hispânia um período conturbado com a tentativa de conquista romana. Entre os vários povos que habitavam a Península, a autora destaca os lusitanos.
Estes eram um povo pastor, agarrados aos seus animais e à terra. Eram um povo relativamente pacífico, divididos em várias tribos e viviam no que chamamos actualmente de castros. Na sua essência, as casas tinham forma circular. Apesar de haver quezílias entre tribos, estas acabavam por ser resolvidas.
Nesta narrativa, o chefe dos lusitanos era Púnico, que existiu de facto. Iccius (o protagonista, que conta entre 16-19 anos), Apronio, Boelio, Elávio, Aecenso, Higino e Mantaus são jovens lusitanos que viam de perto estes guerreiros e queriam seguir as suas pisadas. Iccius, na verdade, sabia que este seria o seu destino, mas via-se mais a viver pacíficamente a cuidar do rebanho com a sua futura mulher e filhos.
Nesta altura Viriato ainda era criança e tinha Mantaus como referência de poderoso guerreiro.
Púnico e os jovens emboscaram o acampamento romano e encontraram uma jovem feita prisioneira pelos romanos. Desmaiada, os guerreiros lusitanos levaram-na consigo.

Paralelamente, a autora revela a proveniência desta jovem e a sua trágica história: era Erithia, de Conistorgis - o principal ópido do povo Cónio, que se havia submetido a Roma em troca de tributo. No entanto, esta cidade fazia parte dos planos de Roma, mas Erithia, a sua rainha, não se submetia ao invasor e, junto com as suas irmãs, rebelaram-se contra Mânio Mânlio, pretor da Hispânia Ulterior. Este, ficou a saber que a rainha carregava uma Dádiva com ela, que submetia todos ao seu poder, pois havia sido agraciada por Ataegina. Erithia era proveniente de uma cultura matriarcal a tinha 6 irmãs, sendo que todas faleceram nessa revolta contra os romanos. Apenas sobreviveu Adda, a bebé, que fora salva por Thina (uma parente da família e sua ama de leite) que a trocou pela sua filha, sendo esta levada pelos romanos. Estes também sequestraram Erithia, ficando surpreendidos por esta os ter deixado a todos em transe, excepto ao mercenário castrado Naram-Sin. Mânio ficou a saber por Aakuior (pai de Erithia, consorte da sua mãe; não foi rei pois esta era uma cultura matriarcal) e pela sacerdotisa da cidade, Petisaité, que a rainha era agraciada por uma Dádiva atribuída pela deusa Ataegina.

Entretanto somos levados para um outro tempo: 1883, na Torredeita, em Viseu.
Maria padece de uma "doença" que tem assolado as mulheres da sua família. Alcides, filho dos caseiros, é apaixonado por ela e Maria começa também a perceber alguma coisa em si quando está com ele.

[Aqui achei que a história ficaria interessante visto tratar-se de um tempo contemporâneo, trazendo a temática dos Lusitanos. Mas além de se ter tornado super previsível, achei que não fez sentido nenhum e para mim não funcionou de todo.]

Voltando ao séc. I a.C., além da Hispânia ser constantemente alvo de incursões romanas e revoltas por parte dos seus povos para preservarem a sua terra, os romanos também procuravam a rainha de Conistorgis, pois pretendiam usar a "Dádiva" (visto tratar-se de uma "arma de sedução" não percebo em que beneficiaria o Império Romano...). Assolavam toda e qualquer aldeia, massacrando mulheres e crianças para a encontrarem. E isso aconteceu no castro de Púnico, em que várias mulheres que acolheram Erithia (ou Eri como passou a ser conhecida) foram mortas. Esta acabou por achar melhor distanciar-se, aproveitando que os homens foram para Sul.
Iccius foi atrás dela e os dois muito apaixonados envolveram-se.
[A Dádiva fazia com que ela ficasse com os seios mais fartos; facto constantemente evidenciado pela autora. Qual o propósito??]
[Romance entre Iccius e Erithia -muito repentino e forçado. O típico amor proibido que prenuncia a morte e a desgraça.]

Vários membros da tribo de Púnico acabaram por morrer às mãos dos romanos. Erithia, grávida de uma menina a que chamou de Lusitânia [o nome deste território foi atribuído pelos romanos. Não se sabe o nome que os seus habitantes autóctones a designava], acabou por fugir a pedido de Iccius caso fossem atacados e ela assim o fez. No entanto, acabou ferida pelos romanos e quando Iccius a reencontrou fez com que Soela, a sacerdotisa da sua tribo, trocasse a vida dele pela da amada, recorrendo a magia antiga.
Viriato é o sobrevivente que acaba por ficar encarregue de formar e congregar um exército composto pelas várias tribos hispânicas e enfrentar os romanos.

Voltando ao tempo presente, surge uma besta que é atropelada por um comboio e começa a atacar a população de Torredeita, pelo que todos pensam tratar-se de um lobisomem. Um médico lisboeta ouve falar do caso e decide partir com a irmã e um rapaz que ambos adoptaram, mas que este padecia de uma doença que o tornava sinistro.
Entretanto Maria é atraída por esse monstro (que é verde e viscoso...) e acaba por ser sequestrada por ele, mas ele alimenta-a e ela começa a sentir compaixão pela criatura. De vez em quando vê que ele é na verdade um homem que ficou aprisionado há milhares de anos e que via nela a sua apaixonada. Maria acaba por voltar para casa e o monstro sempre a rondá-la. O médico acaba por ajudar Maria a libertar o homem do corpo monstruoso.
Entretanto descobrem que o seu filho adoptivo desaparecera...

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Trebaruna: na mitologia lusitana é a deusa da casa, das batalhas, da morte e da família.

Natosvelta: deusa celta da Natureza e da caça; mas também entre os lusitanos era deusa da caça. Foi assimilada pelos romanos como Diana. [A autora ou copiou da Wikipedia estes dados ou foi ela que os escreveu; é literalmente copy-paste].

Cariocecus: deus lusitano da guerra; equivalente a Ares ou a Marte. Quando os Lusitanos cortavam a mão direita aos seus prisioneiros para que não levantassem erguer espada contra eles, consagravam-na a Cario.

Os lusitanos tinham uma técnica própria de trabalhar o ferro: depois de o trazerem da mina deixavam-no enterrado para que Nantosvelta o purificasse. O contacto com a terra oxidava as partes fracas do metal e anos depois o seu núcleo era derretido na forja.

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O título deste livro foi inspirado num Soneto de Antero de Quental

Achei super original por parte da autora deixar a banda sonora com que este livro foi concebido: Madredeus, Dead Can Dance, Anathema.

O romance entre Iccius e Erithia - o foco da narrativa - foi uma relação muito forçada e repentina.
A Dádiva de Erithia e da sua descendente Maria, tornava-as mais sensuais e irresistíveis (e como evidencia a autora, com seios fartos que até rasgavam as roupas... WTF?? Não percebi mesmo o propósito...)
Não achei fazer sentido nenhum aparecer um monstro, que era o lusitano aprisionado. Apesar disso, achei super previsível tudo o que aconteceu posteriormente (e eu sou daquelas pessoas que nunca adivinha nada...)

No entanto, as gralhas nesta obra são imensas e por vezes fiquei bastante confusa com as personagens, pois diz uma coisa na narrativa, e no final do livro tem outra. É uma obra com um potencial incrível, mas a falta de revisão é notória. Tem erros ortográficos, gralhas nas próprias personagens, alguma falta de conhecimento do contexto histórico...

Estava com imensas expectativas para com esta obra e saíram goradas, na verdade. Tinha tudo para ser uma história com potencial, mas acho que não se concretizou pelo melhor. É uma época histórica pela qual me interesso muito e até à parte fantasiosa até estava bem interessante, com o modo de vida nos castros a decorrer e a sermos levados até lá, ainda que com algumas gralhas à mistura - visto tratar-se de uma edição de autor - mas até se "fechava os olhos" a isso. No entanto, quando começa a aparecer o monstro verde e viscoso que afinal era Iccius aprisionado e que via na Maria a sua amada Erithia comecei logo a revirar os olhos, porque achei que acabou por estragar a narrativa. O conceito até seria interessante se fosse por outros caminhos. Achei cliché e sem sentido.
Além de que nada leva a crer que se tratará de fantasia, pois a própria síntese enfoca apenas a luta dos lusitanos pela liberdade da sua terra.
Uma nota super positiva para a capa que é linda! Das capas mais bonitas que já vi.

Tive mesmo pena de não ter gostado muito desta obra pois pensei que ia amar.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Rita.
184 reviews
July 22, 2023
E o que dizer sobre esta obra? É uma questão difícil, e foram precisos meses para começar a escrever esta review, de um livro que me foi tão especial!

A autora tem uma escrita que agarra e que nos faz querer sempre saber mais e acompanhar estas personagens. Uma história de um povo que "não se governa nem se deixa governar", a história dos Lusitanos, que tanto devia ser mais falada, que tanto devia ser mais conhecida. É uma leitura deliciosa, e é impossível para mim colocar em palavras tudo o que senti com ele.

Talvez seja cliché dizer que fiquei sem palavras, mas a verdade é que este livro foi tão especial para mim, tão importante...mexeu mesmo comigo a níveis que nunca me tinha acontecido numa leitura.

Recomendo este livro a todos mesmo, é uma leitura tão bonita, tão "nossa", tão especial e única! Para além do seu conteúdo ser incrível, vamos enaltecer o próprio do livro como objecto, que está lindíssimo e super detalhado.
Profile Image for Joana Silva.
20 reviews
March 6, 2025
Mors-Amor é uma fantasia histórica com principal foco no povo Lusitano, os nossos antepassados que tão corajosamente enfrentaram o Império Romano.

Deliciei-me com as descrições, e à medida que ia lendo, imagens mentais iam surgindo espontaneamente, eu imaginava cada cena ao máximo detalhe, conseguia escutar os sons das batalhas e também o canto da Mãe Terra.

"Os mortos não contam histórias".

Adorei o desenrolar da narrativa, bem construída e envolvente, que alterna entre meados dos séc. Il a.C. e algumas cenas passadas no séc. XIX, mostrando uma pesquisa aprofundada e uma boa conexão entre ambas as linhas temporais. Inicialmente eu pensava que como existem várias personagens, não me iria conseguir conectar com nenhuma delas, mas estava enganada, dando por mim a celebrar ou a sofrer com cada um deles.

Como fã de mitologia que sou adorei as referências ao panteão lusitano, que é tão pouco conhecido, e também ler sobre os costumes, modo de vida, crenças e rituais, a ligação com a Terra de um povo pertencent aos nossos ancestrais, às nossas raízes.

Recomendo esta leitura a todos, mesmo que saia fora da vossa zona de conforto e estou desejando conhecer a continuação deste livro.
Profile Image for Ana.
69 reviews1 follower
August 15, 2022
First of all, confesso que a capa foi aquilo que me despertou a atenção para este livro, a estética é igualmente boa como o livro.
Raramente leio livros de fantasia / romance histórico, e este livro foi uma surpresa agradável. Apaixonei-me pelo livro que fico triste que tenha acabado tão cedo, certamente irei recomendar.

Este livro foi uma excelente experiência. Todos os detalhes foram muito apresentados, a leitura é fluída e a escrita também é igualmente boa. Apesar de todo, reconheço que existem algumas falhas ( sem dar muito spoiler ) , tais como o romance, que sinto que podia ter sido mais desenvolvido e uma ligação pouco explorada entre as duas histórias descritas no livro ( principalmente no fim). Espero que num segundo volume esses aspetos possam ser mais desenvolvidos.

Apaixonei-me pelo livro que fico triste que tenha acabado tão cedo. Recomendo a todos aqueles que são fãs de romances históricos, este destaca-se dos restantes pela positiva, e dou os meus parabéns por isso
Profile Image for Ana .
20 reviews1 follower
March 29, 2021
Este livro foi lido em Leitura Conjunta para o projecto "Adagio in Libri", da Cátia Marques e da Nights

A autora, na entrevista do canal “Adagio in Libri”, disse: "Ou faço bem, muito bem, excepcional ou prefiro não fazer." Há, por isso, vários tipos de histórias, assim como há vários tipos de homens. Querem adivinhar que tipo de obra é esta?

Começo por dizer que o livro é, fisicamente, lindo. Tudo feito por mãos e com materiais portugueses, e cheio de pormenores... Como não amar? É quase palpável todo o amor que a autora colocou neste livro e acredito que foi uma das razões pelas quais foi tão bom lê-lo.

Mas neste livro não existe só amor. O amor e a morte andam de mãos dadas, coisa que, contudo, e como em tudo, todos nós já sabemos.

Gostava de conseguir transmitir em palavras o que senti ao ler esta obra, mas as emoções foram tantas que se torna difícil fazê-lo. Foi incrível ler sobre as nossas raízes, sobre a nossa luta enquanto povo, a nossa resistência e a nossa sabedoria. Ler sobre os nossos pastores transformados em guerreiros. Lutar ou morrer. Ou lutar e morrer. Mas eles lutaram, porque a morte é certa.

A dado momento, podia jurar que ouvi o bater das espadas, cânticos e gritos de guerra, tudo ao meu redor. E por momentos, quis estar ao lados deles, a batalhar por eles. Com eles.

Faço minhas as palavras da Nights: "Quem não sentiu a garganta apertada ou os olhos embaciados em alguns momentos, são sabe nem sentiu verdadeiramente esta narrativa".

Os mortos não contam histórias, mas esta é a História deles.

Obrigada Sónia, por esta aventura maravilhosa.
Profile Image for Filomena Vitorino.
73 reviews
September 1, 2021
Este livro foi uma agradável surpresa. Romance histórico com um toque de fantasia, numa mistura muito bem conseguida.

É passado em duas épocas distintas, a primeira em 158 A.C., onde somos levados a conhecer os nossos antepassados, o povo lusitano, que nessa altura se vêm confrontados com a invasão romana da Lusitânia. Gostei bastante desta parte, aprender um pouco sobre a mitologia lusitana, os seus hábitos e costumes. Adorei o facto de serem retratados como um povo com grande ligação à terra e à natureza.

A segunda parte, passada no século XIX na Torredeita, vem complementar a primeira e apresentar alguns elementos de misticismo popular.

A edição é muito bonita e cuidada e espero ver em breve a publicação do segundo volume.
Profile Image for António Massena.
62 reviews1 follower
November 28, 2023
Obtive a obra há dois anos na Feira do Livro do Porto. Para aqueles que consideram ou não adquirir uma cópia, aviso que a parte histórica do romance foi bem conseguida, perfilhada de segredos e mistérios que poderão ser revelados nas continuações, onde as personagens, históricas e fictícias, possuem um sopro de vida e as cenas uma emoção que contorce ou acalenta o coração.

Um dos melhores livros portugueses que tenho em mãos, numa edição luxuosa e apelativa ao toque e folhear.
Profile Image for ferreira.
3 reviews
October 28, 2024
Uma vez que não lia fantasia portuguesa há já algum tempo estava extremamente curioso para ler este livro, até porque sou fascinado pela antiga Lusitânia e a premissa da história me agradava bastante.

Apesar de ter de dar os parabéns à autora pela iniciativa de escrever um livro baseado numa parte da história Portuguesa que pouco é discutida, e ser notável a pesquisa histórica demonstrada ao longo do livro, estas são a únicas razões pela qual dou 3 estrelas a este livro.

De uma forma geral posso dizer que tive alguma dificuldade em acabar este livro, apesar de não ser grande, pois este não foi capaz de me agarrar, especialmente devido ao seu ritmo e à escrita. Apesar de por vezes ser bom ler um livro que vá mais direto ao assunto, o estilo “aconteceu isto e depois aconteceu aquilo” da escrita torna toda a experiência muito impessoal e acabei por não sentir qualquer tipo de conexão com nenhum dos locais ou personagens, ao ponto de as cenas mais emocionalmente intensas não terem tido qualquer impacto em mim. Ao ler, não me senti transportado para outro local nem embrenhando na história pois houve uma falta de desenvolvimento das personagens, assim como uma falta de atmosfera.

Uma outra crítica ao livro é a segunda linha temporal que, apesar de, estranhamente, ter sido a minha parte favorita do livro, acaba por não acrescentar muito à narrativa. Além disso, acho que podia ter sido melhor incorporada no livro uma vez que é inicialmente introduzida já bastante tarde na história e depois não volta a ser mencionada até aos ultimos capítulos onde se torna muito mais densa, fazendo com que o primeiro capítulo fique um pouco perdido no meio do livro e não faça grande sentido naquela altura da narrativa.

Por fim, sinto que muitos dos acontecimentos ou das personagens acabaram por não dar em nada. Uma das principais críticas para mim é mesmo o facto de a autora apresentar personagens, dando-lhes nomes e caracterizações, sendo que estas depois não participam ou têm qualquer impacto na narrativa. Nos primeiros capítulos tornou-se mesmo um pouco difícil memorizar quem eram as personagens principais ou mais importantes dada a abundância de nomes e personagens a serem constantemente atirados ao leitor.

Apesar de ter ficado muito desapontado com o livro, mais uma vez felicito a iniciativa da autora em pegar nesta temática e acredito que esta tenha ainda muito espaço para evoluir nas suas histórias.

P.S. O livro em si é lindo e a edição é muito boa.
Profile Image for Pedro F..
Author 3 books8 followers
September 3, 2024
Após imenso tempo sem ler algo que não ensaios, foi-me sugerido ler esta primeira obra completa da autora.
Colocando em contexto de que é o primeiro livro, que eu tenha conhecimento, não posso deixar de elogiar esta obra.
A linguagem acessível mas trabalhada para que não faltem emoções e sensações, são o grande ponto forte da obra e não tenho dúvidas que com o tempo e prática, a Sónia se pode tornar numa escritora impactante no nosso pequeno pedaço de terra lusitana.
As personagens porém, poderiam ter sido melhor trabalhadas e abordadas, ficando a sensação de por vezes ficarem muito por explorar, vítimas de um enredo que se fez extender por um período temporal que talvez não fizesse falta ao principal deste livro.
No entanto, como suprarreferido, sendo que a arte vive de quem a experiencia, as emoções saem claramente do papel e agarram o leitor, enquanto somos expostos a um mundo de outrora, com outras guerras e dificuldades, com outros prazeres e simplicidade, na certeza porém, de que em todos nós pode e deve haver um coração lusitano.
Profile Image for Beatriz Almeida.
46 reviews13 followers
July 24, 2022
Este livro foi uma surpresa muito agradável. Não tinha ainda lido um livro de ficção com o seu enredo focados no povo Lusitano. Gostei muito do livro e da história e é um livro que prende o leitor. A única nota negativa que tenho a apontar é em relação à revisão de texto (ou falta dela).
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