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Velhos demais para morrer

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Quando os idosos se tornam a maioria da população, o mundo entra em colapso econômico e uma crise social se instaura. Enquanto jovens recorrem a tratamentos anti-idade cada vez mais avançados, velhos são jogados à margem da sociedade. É nesse lugar que três personagens de diferentes idades se perguntam sobre qual o sentido de envelhecer em um mundo que despreza a velhice. Velhos demais para morrer, de Vinícius Neves Mariano, foi o vencedor na categoria romance do Prêmio Malê de Literatura. Vinícius constrói uma distopia, em que a imposição antienvelhecimento da sociedade atual é projetada em outra sociedade ficcional, onde a luta desesperada contra os efeitos da passagem do tempo, se configura em um romance original, instigante e envolvente.
Ganhador do Prêmio Malê de Literatura.

280 pages, Paperback

Published January 1, 2020

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About the author

Vinícius Neves Mariano

3 books4 followers

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Community Reviews

5 stars
129 (43%)
4 stars
118 (40%)
3 stars
44 (14%)
2 stars
3 (1%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 68 reviews
Profile Image for Luiza Siqueira.
416 reviews8 followers
March 17, 2022
“Em um mundo que luta contra o envelhecimento, falar sobre o passado é um ato de coragem.”
muito bem escrito, dolorido, impactante e bem diferente de tudo que já li.
Profile Image for Henrique.
1,034 reviews29 followers
July 13, 2025
Obra muito potente de afrofuturismo. A sacada do mundo imaginado é ótima: chegou-se a um momento da sociedade em que os "velhos" são maioria e não há condições de se lidar com isso, porque a "outra metade" não dá conta de sustentar os que não trabalham mais. O que se faz então? Acaba-se com os "velhos", naturalmente. O Estado, em todas as épocas, sempre soube ser bastante insidioso para cometer crimes e travesti-los de moralidade, e foi assim que, no mundo imaginado por Vinicius, já virou um fato comum que os "idosos" a partir de 65 anos sejam incentivados a morrer (e aos que não quiserem há todo um aparato de repressão para acabar com eles).

A premissa é ótima, porque dialoga muito com o nosso tempo, sobretudo porque, além do dado estatístico da terceira idade, há um estímulo muito forte por "parecer jovem", o que já indica que realmente a sociedade atual não mostra muita tolerância com a velhice. O que o autor fez foi levar essas tendências ao paroxismo, e acho que conseguiu chegar a alguns resultados bem legais.

Claro, eu, chato que sou, teria uma ou outra coisa a apontar (por exemplo, acho que a parte da "velha" deveria ter sido narrada como diário, sem intermediações do narrador), mas acho que o livro ainda se sustenta como uma leitura altamente recomendável. Em geral, também não sou muito fã de histórias paralelas correndo juntas, mas acho que ele conseguiu unificá-las bem aqui.

Não é um livro perfeito, mas é daqueles que faz a gente pensar que um dia o livro quase perfeito virá. Estou muito interessado no que mais ele vai escrever no futuro.
Profile Image for Vinicius De Silva Souza.
170 reviews5 followers
February 9, 2024
Sen sa cio nal.

Nunca li nada parecido na literatura brasileira. De verdade. Com ecos de "underground railroad", de "Fahrenheit 451", essa distopia aqui é simplesmente sublime. Queria mais especificidades brasileiras, claro, mas isso não é nada perto dos muitos méritos que esse livro tem. Cinematográfico, atento, bem enredado, foi uma gratíssima surpresa e minha melhor leitura desse (curto) ano. Quero ver se algo o supera ainda.
Profile Image for Filipa Maia.
343 reviews5 followers
March 19, 2025
Gostei muito desta leitura.

Um livro onde a distopia se encontra com uma realidade que não nos é assim tão estranha. Um futuro onde as pessoas têm um prazo de validade, onde deixam de ser úteis, se tornam um empecilho e são "convidadas a retirar-se" pacificamente da sociedade que ajudaram a construir e para a qual contribuíram.

Gostei, particularmente, do fim. A forma como as três histórias se cruzam, numa reviravolta que me deixou agarrada ao livro até ao final.
Profile Image for Mariana Pascutti.
16 reviews
September 12, 2024
a história que eu gostei de acompanhar foi a de Piedade. uma idosa grávida, em conflito com consigo mesma se colocaria ou não uma criança no mundo cruel que o universo do livro desenvolve, sabendo que essa criança não nasceria para viver, mas teria seus dias contados para morrer.
algo que eu gostei muito no livro foi como a contagem de anos se inverteu, você não tem mais 10 anos, você tem 55 anos restantes. sua vida sempre será marcada pelos dias restantes, você sabe quando terá que morrer ou fugir da sociedade, e qual a graça da vida sem a imprevisibilidade? sem as rugas? sem os cabelos brancos?
como vive uma sociedade que não olha seu passado? não lembra das guerras, das dores, das lutas pelos direitos conquistados. todo mundo vive igual robô. e isso tudo o livro descreve muito bem, como aquela sociedade ruiu e está ruindo e se tornando tão superficial a ponto das pessoas não se lembrarem nem das próprias memórias, não ter sentido em amar outras pessoas.
a única coisa que senti que faltou foi passar um pouco mais pelo social, porque se isso fosse no mundo real mesmo, existiria uma diferença entre ricos e pobres, pretos e brancos, homens e mulheres. mas acho que não era exatamente o intuito do livro.

e mais bizarro ainda pensar o quanto dessa mentalidade de não envelhecimento já temos no nosso mundo atual.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Felipe Vieira.
792 reviews19 followers
November 14, 2022
É uma história excelente. Tem os seus probleminhas, mas eu fiquei extremamente envolvido e tendo uma leitura tão prazerosa que a experiência foi magnífica. Lembrou a minha leitura de O planeta dos macacos.

Vinícius Neves Mariano faz uma excelente discussão sobre etarismo, medo do envelhecimento, discriminação. Mariano constrói um mundo distópico com assuntos que já interferem de maneira significativa na forma como a nossa sociedade lida com o tornar-se velho. A eterna batalha contra o tempo e a vontade de permanecer com jovem.

É um bom livro para refletir. Fica a indicação.
Profile Image for Isabella Mariano.
Author 3 books13 followers
July 9, 2025
Eu adorei esse livro! Velhos Demais para Morrer é uma distopia que aborda o extermínio de idosos em um Brasil futurista. Pude ver um paralelo muito sensível a história dos quilombos… Me emocionei em como o autor coloca a música, a literatura e a solidariedade como formas de resistência. Amei também a narrativa entrecortada por diferentes vozes, isso deu um ritmo muito único pra leitura. E o final!! É como um laço que se desfaz e fecha a trama com sensibilidade e força. Além de tudo, muito bem escrito. Fiquei arrepiada em diversos momentos ao ler.
Profile Image for Ana Helena.
155 reviews12 followers
February 13, 2025
Muito gostoso de ler, super fluído! Uma realidade distopica, mas muito perto da forma como encaramos a velhice, a aposentadoria e as relações intergeracionais.
A desvalorização da História e das memórias me deixou bem abalada, nessa busca inútil de tentar vencer o tempo ao invés de se aliar a ele.
As personagens são ótimas de acompanhar. E muito multifacetadas, num ambiente em que a vida tem preço determinado.

O subtítulo da terceira - e maior - parte do livro ficou meio estranha. E o final ficou muito cristão: a mãe que se sacrifica pelo futuro Salvador...
Mas à parte isso, foi um dos melhores da LC scifi e distopia
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Mayumi.
847 reviews22 followers
August 21, 2025
Esse livro toca em temas muito prementes, como pressão estética, envelhecimento, organização da sociedade de maneira geral, mas eu não acho que nenhum dos temas foi bem desenvolvido. Não acreditei muito em vários acontecimentos durante o livro, em outros achei simplesmente mal escrito (com coisas ditas e depois desditas de maneira que me pareceu falta de revisão -- como o livro que Piedade deixou caído no chão e depois apareceu no bolso de trás da calça), e tudo isso me tirou bastante do livro várias vezes. O livro apresenta três pontos de vista diferentes que se entrelaçam no final (de uma maneira bastante previsível), mas eu não os achei diferentes o suficiente, apesar de serem três pessoas bastante diferentes entre si -- uma mulher idosa à margem da sociedade, uma criança (mais ou menos) inserida na sociedade, e um rapaz adulto totalmente inserido na sociedade -- mas que tinham vozes muito parecidas, com um narrador que não se decidia se era onisciente ou não, primeira ou terceira pessoa... Além disso, a escrita quer explicar demais algumas coisas que estavam claras, por exemplo quando a criança cuida de uma cadela machucada. Essa é uma cena muito sensível que mostra como o menino ainda tem empatia por outros seres, apesar de ter sido criado num ambiente violento e tendo o nome de cão. Mas a cada descrição de movimento do menino vinha junto um: "viu só como ele é uma boa pessoa, é possível se livrar da sua criação". Acho que foi uma ideia muito boa, mas meio mal desenvolvida.
Profile Image for bela.readings.
111 reviews
October 18, 2025
Em um mundo que luta contra o envelhecimento, falar sobre o passado é um ato de coragem.

Um universo distópico onde a morte é um evento muito mais distante e as pessoas vivem mais de 200 anos facilmente, porém o tempo corre da mesma forma, as rugas, doenças e cabelos brancos ainda existem.

Resultado disso é que mais de 70% da população é formada por idosos, e hoje os jovens são tratados como prioridade, não só isso, mas “caçam” os mais velhos, já que eles apenas representam gastos para aqueles que ainda trabalham. Similar?

Profile Image for Sofia Marques.
56 reviews2 followers
July 11, 2025
4,5⭐
Este livro tinha tudo para ser cinco estrelas, mas achei final muito anti-climático. Sinto que deveria haver um fecho da história e acabou numa parte de fuga. Achei sem sentido.

Adivinhei parte do plot mas até gostei disso.

A crítica à sociedade é muito boa. A trama dos 3 personagens é cheia de dúvida, confusão, trauma.
Profile Image for Sara Helena.
126 reviews6 followers
August 16, 2025
é uma distopia muito boa, ainda mais porque é brasileiraaa!

achei o ponto central bem interessante e inédito, principalmente porque já é algo que relativamente acontece em termos estéticos.

outro ponto bem pensado foi reparar como, independente do ponto central sendo discutido, como o passado e a história, geral e pessoal, são renegados! muito foda o daren lendo os livros e tendo o entendimento pelas doenças, guerras.

curti muito o final interligando os pontos de vista e personagem!! porém, como um todo, achei que o livro faltou alguma coisa, mas ainda sim vale a leitura!!
Profile Image for Laise Lisboa.
16 reviews
August 28, 2025
grandes reflexões sobre o passado e o futuro, produção e o ócio, o velho e o novo num Brasil distópico após a população idosa superar mais que metade da população total, desencadeando uma crise econômica e social
53 reviews
January 14, 2026
Velhos Demais para morrer - Vinícius Neves Mariano - Editora Malê

Temos aqui uma distopia que vai tratar do descaso com os idosos, a criação de um novo calendário, e a mudança na contagem dos anos das pessoas, agora são contados os anos que faltam para a morte. A idade de 65 anos ou idade zero, é a base do funcionamento de toda essa sociedade.

Primeiro nos é apresentada uma casa de acolhimento em que os parentes escolhem que os idosos de sua família morram, aceitem morrer, em prol da juventude, já que eles não são mais produtivos, e estes após uma cerimônia com várias etapas, fazem um discurso dizendo que estão felizes com a decisão.

Depois há uma caça pelo Perdigueiro, um menino, onde a milícia tem uma hierarquia, até raposa, cada um ascendendo pela quantidade de velhos que caçam e matam. É horripilante!


A terceira parte vai nos mostrar um acampamento onde os velhos se escondem, na fronteira entre a milícia e um outro território chamado de rural. Vivem ali escondidos, sem fazer alarde, e chega ao local uma mulher, que está grávida aos 65 anos, na chamada idade zero, e não querem que ela fique lá porque criança chora e vai fazer barulho, e a milícia vão descobri-los.
“Em um mundo que luta contra o envelhecimento, falar sobre o passado é um ato de coragem.” (pg. 9) “Não existe beleza na velhice. Quem não trocaria por um pouco de juventude?”

Vamos então conhecendo três personagens, que irão predominar na narrativa. Em um primeiro momento parecem histórias independentes, mas no encadeamento do livro, percebemos que todos estarão interligados, e isso para mim foi a maior surpresa, o que fez do livro que já estava adorando, mais delicioso e excelente.

Daren tem ido ao centro onde voluntários que chegam à determinada idade, estão em processo para encarar a morte, Felix Morten, são tidos como heróis, benfeitores, já que não estão mais em fase produtiva. O voluntário deve deixar o Bônus pelo Compromisso com a Nação, já com destino certo. Se desistir da cerimônia na última hora, paga Débito Trabalhista. No dia marcado os voluntários sobem ao púlpito, pois lembra uma igreja, e parecem estar satisfeitos com seu ato magnânimo.

Daren trabalha em uma empresa de cosméticos, o mercado mais importante nesse novo mundo, onde só os jovens são importantes. Os jovens agora é que possuíam prioridades em bancos, hospitais e passagens. Os idosos são presos por Crime de Ócio.

Pela lei Hebeísta agora, os anos são 0, 1, 2, etc. Com autorização pode-se falar em década, por exemplo ano 3 da década 5.

“Qual o sentido de envelhecer em um mundo que despreza a velhice?” (pg. 23)

Um menino chamado "Perdigueiro" caça um idoso, trabalho ensinado pelo pai, e ele quer cada vez mais agradar ao pai, um homem rude. Os idosos geralmente eram pegos pela fome, chegavam perto das habitações e fazendas. Nessa fazenda havia cheiro de goiabeira. O Raposa, o pai, deu um tiro no velho, o menino, o perdigueiro, nem deu atenção ainda orgulhoso com o elogio feito pelo pai, a mais uma caçada dele.
Hierarquia da Milícia que caçava idosos: Cão eram crianças usadas para farejar e perseguir idosos, entregue ao Raposa, que o eliminava, era levado para Jiboia, em troca de pagamento, Tubarão dava sumiço no corpo e a hierarquia ia até os Falcões, pessoas infiltradas no governo que cumpriam ordens não-oficiais de redução do número de idosos na sociedade. (pg. 29)

As mortes em um primeiro momento chocaram, mas logo foram engolidas por uma nova descoberta cosmética, e pelos namoros das celebridades. “Ao contrário do amor, é muito fácil justificar o ódio.” (pg. 30)

A terceira personagem importante na trama é Piedade, uma mulher já na idade 0. Ela resolve escrever um diário pelo calendário antigo, e poderia ser punida por isso, além de já ser punida por sua velhice. Nos centros urbanos os idosos eram presos por ócio. As zonas rurais e industriais eram dominadas pela Milícia. Então Piedade vai procurar o chamado território escuro, cenário de fuga e acampamento de idosos. Ao chegar lá, é cuidada por dona Joana, que apesar de ter problemas de visão, atende a todos, com a ajuda de outras duas mulheres. Os moradores do local souberam da gravidez de Piedade, e se reuniram à noite em volta da fogueira, hábito quase diário, onde conversavam, discutiam questões importantes, e comiam. Todos dormiam em barracas. Piedade foi historiadora, e após a nova lei trabalhou em uma fábrica de roupas, e chegou vestida com as roupas impostas pelo governo.

Voltamos ao personagem Daren, e aqui sabemos que ele vai a um médico, porque pensa que agora que fez aniversário, só faltam 30 anos para ele ter a idade O. Sente-se esquisito. O médico é obcecado por procedimentos estéticos, corpo esticado por procedimentos, mas com dores nas costas, geme a cada vez que se senta em sua cadeira. Fez os exames de rotina e diz que o paciente só tem ansiedade. Sugere que tome os mesmos remédios que os idosos que participam do programa voluntário de Felix Mortem, que os deixam felizes e emocionados e se sentindo heróis.
“Não havia diplomas na parede nem fotos de família – nada que trazia o risco de lembrar ao passado que era bem-vindo; na lateral um relógio marcava as horas com dez minutos de atraso – será que o médico tinha a ilusão de que é possível atrasar o tempo?; sobre a mesa, mais um bloco de folhetos da Felix Morten.” (pg. 56)

Aqui há uma explicação quando foi necessário recuperar a produção nacional, com indústrias de bens e consumos, e houve o boom dos cosméticos (produtos de beleza, tratamento de rejuvenescimento, academias e clínicas de cirurgia plástica), onde Daren trabalha, fazendo propagandas dos novos produtos, que são velhos, mais com novas roupagens. “depois me pedem uma ideia super original, dessas que ganham prêmios, vem o pessoal do jurídico, me passa todas as restrições midiáticas: porque não pode ter velho, não pode ter citação a velhos, se eu quiser usar um velho precisa ser um ator não-idoso fantasiado de velho, aí depois disso eu escrevo a palavra “novo” na frente do nome do produto, todos acham ótimo, e pronto.” (pg. 59)
Ao final o médico indicou cinco tratamentos para antienvelhecimento, mas Daren não disse a real razão para os seus sintomas de palpitações. “Adquirir consciência do mundo e seu papel nele é que era o problema.” (pg. 62)
Daren sente falta de lembrar de sua infância e o médico responde: “dizem que antigamente a gente tinha essa habilidade. Mas memória de longo prazo é igual o terceiro molar: como a gente foi deixando de usar foi desaparecendo. Então esquece! Ninguém quer lembrar do passado.” (pg. 63)

Aos pouquinhos vamos conhecendo melhor a história de cada núcleo da narrativa.

A fazenda que Perdigueiro vive com o pai tem 34 hectares, é um registro de Produção Ativa, resquícios das normas do TranMat, antigo sistema, antes do período Hebeísta. Uma sociedade não se fragmenta da noite para o dia, há todo um processo, e quando todos os pontos estão ligados, algo novo acontece e aqui foi a marginalização dos idosos e o TranMat foi o principal deles. TranMat seria o pacote de medidas de transição para a Maturidade, plano de recuperação da economia frente a uma crise sem precedentes. Foi lançado no Ano Anacrônico, em que o número de idosos alcançou 50% da população total. “O mundo teria ficado obsoleto, sem futuro.” (pg. 65) Houve uma diminuição da taxa de natalidade, e avanço tecnológico e científico da medicina, com menos mortes por doenças. Vai se falar do uso da previdência como artefato políticos e das super aposentadorias. No TranMat, já que se consume mais, vamos produzir mais. Havia a divisão entre o grupo abaixo de 65 anos, “Braço Forte” e os acima, “Agentes Veteranos”. Os primeiros produziam e os outros, participavam de conselhos em bairros, ou seja, tornaram-se inúteis, e os mais novos se rebelaram porque estavam sustentando os mais velhos. Os não-idosos foram geograficamente mudando de lugar, indo para o interior, causando êxodo urbano, surgindo as Cidades Fantasmas e os Territórios Escuros, onde os idosos passaram a se esconder. O TranMat acabou e as fazendas foram esquecidas pelo governo, e cada um investia no que desejava. Eles ficaram apenas com um pomar e uma horta. Tinham três cachorros usados na caça aos idosos, mas o xodó de Perdigueiro era a Uzi, uma fêmea de nove anos. Quando Perdigueiro chamava o homem de pai, levava um safanão. Este dizia que não era seu pai.
Contou ao filho sobre velhos escondidos na Pedra da Coruja. Que daria um bom dinheiro. Falou que os amigos iriam passar na casa para buscá-lo. Só então o pai percebeu que Perdigueiro estava chorando. E pela primeira vez encarou o pai de frente. “Um cão acuado não deixa de ser um cão – e foi como um Cão a única maneira que Perdigueiro aprendeu a reagir.” (pg. 71)
Com o sentimento da hora, pela primeira vez observou a casa em que morava, toda desconjuntada, tudo caindo aos pedaços, e percebeu que não havia uma foto pela casa, em que ele e o pai pudessem ser identificados como pai e filho. Os cães começaram a latir, e estavam apavorados. O pai havia dado uma surra em Uzi, e Perdigueiro entrou no canil para protegê-la. O pai avisava que voltaria em três dias e o ameaçou se não caçasse nesse meio tempo um velho.

Piedade finaliza o diário e tem o filho pelo caminho, mais precisamente na fazendo do “pai” do Perdigueiro. Resolve ir em busca de abrigo no acampamento da mina, mas não chega lá. O filho foi trazido ao mundo pelo Raposa, pai de Perdigueiro, e as surpresas que advém disso.

Perdigueiro salva um idoso, ouvindo dele a história de uma caixinha de música, que o fez gostar do idoso, e sentir algo diferente, chorar e deitar-se em seu colo. Rebelou-se contra o pai, disse que não seria mais cão, e exigiu que o pai lhe contasse a história da mãe, quis saber seu nome. Não queria mais ser chamado de Cão. No final o pai mata a cachorra Uzi, em represália. Diz que Cão é o pagamento de uma dívida.

Daren fica no acampamento da mina, ajuda a todos, lê muito, livros emprestados pelo professor Jacinto, e os devora. Enquanto está no acampamento, ajuda na enfermaria. Ele vai aos poucos vendo que seu passado era horroroso. A leitura o possibilita a lembrar e descobrir quem é e quem foi. Em retrocesso, temos Daren salvando os velhos quando a mina foi descoberta, e todos fugiram por uma fenda na pedra.

Então entendemos como os personagens se interligam, e percebemos só então - talvez pudesse perceber pela época do TranMat, pela precariedade do acampamento nas primeiras eiras cenas e depois quando Daren começa sua mudança - mas não percebi, só vi a modificação ao finalizar, de maneira maravilhosa esse livro.

Acabei e o final foi surpreendente! Adorei o fechamento do livro e o entrelaçamento da história, a ligação entre os diferentes personagens. Sua redenção, mudanças de atitude em relação à discriminação dos idosos e seu apagamento e a consciência de quanto o mundo é injusto.

Amei e recomendo muito!
Profile Image for Nayane Marques.
2 reviews
April 10, 2025
A história começa parada mas depois prende muito a atenção, gostei muito dos personagens e o final é muito bom! Distopia porém muito real com aquilo que vivemos.
Profile Image for Diana Passy.
145 reviews318 followers
Read
March 13, 2021
Uma distopia brasileira sobre etarismo, curti muito. Ganhou o Prêmio Malê de Literatura 2019.

"Velhos demais para morrer" se passa em um futuro onde envelhecer é proibido. Venceu o discurso de que o ser humano só é útil enquanto estiver produzindo para a economia, e que aposentados são um fardo para o país. Por causa disso, houve toda uma mudança na sociedade de modo que, ao completar 65 anos, a pessoa vira um pária. É uma situação tão forte que a idade da pessoa é contada como uma contagem regressiva: você não tem 20 anos de idade, você tem 45 anos restantes. Toda a prioridade vai para os jovens, envelhecer é um tabu ainda maior que hoje, e lembrar do passado é um mau sinal.

O livro acompanha três personagens:
- Daren, um homem que trabalha numa empresa de cosméticos e se sente deslocado ao atingir a marca de 35 anos restantes. Ele começa a visitar cerimônias de Felix Mortem, eventos comemorativos com idosos que acreditam que já viveram os melhores momentos de suas vidas e se voluntariam para eutanásia, garantindo assim benefícios para suas famílias.
- Piedade, uma mulher que já passou dos 65 anos mas está grávida. Ela tenta sobreviver escondida na floresta, roubando comida de fazendas, e acaba encontrando outros idosos refugiados dentro da mata.
- Perdigueiro, um garoto de 13 anos que vive sozinho em uma fazenda com o pai e foi criado por ele como um cão de caça. Eles fazem parte de uma milícia que caça idosos e os mata em troca de recompensa. Ele tem orgulho de ser um bom Cão mas sente falta do afeto do pai.
Profile Image for Brenda Lomeu.
24 reviews1 follower
March 27, 2025
Conhecer o Vinícius foi uma grande surpresa. Sou muito fã de distopias, pois sempre consigo enxergar um pouco de hoje num amanhã projetado pelas narrativas dos autores, não sendo diferente com Velhos demais para morrer. O livro trata do poder avassalador e incontrolável do tempo, esse que nos subjuga e nos dá prazer, que pode ser um aliado se você consegue abraçar todas as incertezas que ele promove e lembrar com respeito do que já foi escrito no que passou.

A narrativa é fluida e a escrita tão rica e ao mesmo tempo tão sutil. Você quer ligar os pontos, entender como as 3 histórias se conectam, entender as mazelas daquela realidade, entender seria existir num contexto como aquele. Vinícius nos lembra de novo o poder que temos, como sociedade, de manipular, distorcer e colocar sobre o ombro do mais fraco/cansado o julgo que deveria ser de todos nós.

Obrigada Vinícius, por reflexões tão profunda no curto espaço de tempo de um livro.
Profile Image for Gabrielle Cunha.
438 reviews116 followers
March 24, 2025
Genial!!!!

"Esta é uma história triste. Não só pelas mortes que lhe aguardam nas últimas páginas desse relato, mas principalmente, pela morte da própria história. Em um mundo que luta contra o envelhecimento, falar sobre o passado é um ato de coragem."

“Ao longo da história, os livros já foram considerados perigosos inúmeras vezes. Basta ver quantas fogueiras foram acesas com eles. [...] Não à toa. Eu realmente acredito que livros e chamas têm muita coisa em comum.”
Profile Image for Thales Soares.
8 reviews
March 18, 2025
Genial, o final explode a sua cabeça. Tudo se encaixa de uma forma brilhante. Quando você termina cada página você precisa ler a próxima, não dá pra parar.
Profile Image for Rita Muniz.
5 reviews
July 11, 2025
Excelente livro!!! No início achei monótono, mas o final da estória principalmente, me fez ler páginas ininterruptas.
Profile Image for Carla Parreira .
2,063 reviews3 followers
Read
March 28, 2025
O livro é uma obra de ficção distópica que provoca reflexões profundas sobre a sociedade contemporânea, particularmente em relação ao tratamento dos idosos e as questões que envolvem a vida e a morte. A narrativa é construída em torno de três personagens cujas histórias se entrelaçam em um futuro sombrio onde, ao atingir os 65 anos, os indivíduos são obrigados a se "entregar" ao governo para serem mortos em um processo chamado de "morte feliz". Esse ato é visto como um compromisso com a nação, permitindo que suas famílias recebam uma compensação financeira.

A trama expõe a cruel lógica de uma sociedade que considera os idosos não produtivos e, portanto, indesejáveis, questionando a nossa própria relação com o envelhecimento e o valor da vida humana em um contexto econômico. O personagem W, um funcionário do setor de cosméticos que se dedica a retardar o envelhecimento, começa a refletir sobre a moralidade do sistema em que vive. Piedade, uma idosa que se recusa a se submeter à morte determinada pelo governo, torna-se uma foragida, buscando abrigo em comunidades clandestinas. A história também segue um jovem, Perdigueiro, que participa da caça a idosos, representando a banalização da violência e a alienação que caracteriza essa sociedade.

A narrativa é rica em crítica social e também explora temas como resistência e a luta pela dignidade em face de uma opressão institucionalizada. Mariano, com sua formação em roteiro, traz uma linguagem acessível e cinematográfica, o que torna a história visual e impactante, sugerindo que poderia facilmente ser adaptada para o cinema ou a televisão.

Através de personagens complexos e enredos interligados, "Velhos Demais para Morrer" oferece uma reflexão sobre o que significa viver, envelhecer e ser visto como descartável em uma sociedade que prioriza a produtividade. É uma obra provocativa, fazendo-nos questionar até que ponto as normas sociais e econômicas podem influenciar o valor que atribuímos a diferentes fases da vida.
Profile Image for Gabriel Frade.
7 reviews
March 25, 2025
Honestamente? Fraco. Dei a terceira estrela por abordar esse tema num contexto de distopia, o que me impressionou, mas é mais um 2,5 ⭐️
Acho que podia ser melhor construído, porque a ideia é boa mas mal desenvolvida. Tem plot twist e é bom, mas é quase anunciado que teria. Tem trechos em que parece que o texto é poético, mas outros que parece que enche linguiça ao falar o óbvio.
Isso de falar o óbvio ou o que está subentendido tira a magia da distopia, inclusive, que é você imaginar o horror e não ele ser descrito no mínimo detalhe (“1984” não inspiraria tanta franquia de jogo se a estória estivesse 100% em preto e branco, algo TEM que ser legado pra imaginação).
Os personagens são bom mas não tem bem construídos, porque ficam reféns do plot. A escolha do narrador também fica confusa, quando num momento é onisciente por completo e no outro deixa pontas em aberto (como quando sabe da história da Piedade por completo, ate ela começar o diário, daí quando ela larga ele, o narrador DE REPENTE não sabe o que acontece mais).
Podia ter aprofundado mais a questão da sociedade comum virando a distopia, que também é algo extremamente raso (aqui valia a lição do “Intermitências da Morte” onde até o Papa entre em jogo pra mostrar a mudança).
É isso, achei que podia ser melhor, mas mostra que é uma ideia que poderia ser melhor aproveitada.
7 reviews
January 14, 2026
"A ideia dos livros é que, apesar de você ler sobre o passado, eles te façam olhar para o presente e o futuro."

Esse livro apesar de distópico nos faz refletir como, dado a situação da sociedade atual, tal história não se faz muito absurda. Aqui, ser velho é contra a lei, disfarçado pelo nome de "Crime de Ócio". Os idosos perderam o direito a humanização e respeito, transformados em bode expiatório da ruína de um sistema econômico que busca lucro a todo custo. E já tendo explorado tudo sob a terra, o que sobra é a exploração do tempo. As pessoas desconhecem o passado do mundo e até o seu próprio, são encorajadas a não lembrarem de acontecimentos da infância e história não é mais ensinada nas escolas.

"Na verdade, não imaginava que, antes do presente, já houvesse tanto mundo."

Nesse tempo, tudo que gera o questionamento da ordem atual, é gravemente punido. As pessoas são alienadas a ponto de não perceberem que ao apoiar a política vigente, cavam a própria cova (quase que literalmente), e a desumanização do inimigo - aqui, os idosos, já incapazes de gerar lucro ao sistema - é o pilar que sustenta todas as barbáries descritas.

Achei original, escrita fluida e que desperta curiosidade. Não pude parar de ler e às vezes, com as escolhas do autor para descrever as cenas, parecia que tava assistindo um filme.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Larissa Benevides.
3 reviews
July 29, 2025
Ainda estou digerindo o impacto dessa leitura.

É um livro sensacional, inteligente, provocador e, ao mesmo tempo, assustador. Ele traz reflexões que muitos de nós nunca sequer consideramos, abordando temas sensíveis como o envelhecimento e o apagamento da memória coletiva. É um daqueles livros que escancaram verdades incômodas sobre uma realidade que passa despercebida pela maioria dos jovens.

Falar sobre envelhecer ainda é tabu, mas é necessário. Essa leitura nos força a encarar isso de frente. Ao mostrar o quanto o passado pode ser apagado, o autor nos lembra da importância de conhecer a história para não repeti-la.

Como diz uma das frases mais marcantes do livro:

“Talvez o passado não seja tão excitante quanto a juventude, mas conforta; é um porto seguro da nossa identidade.”

O passado oferece aquilo que mais buscamos quando estamos perdidos: referência e pertencimento.

E não se trata de viver preso a ele, mas de reconhecer que existe um valor imenso em honrar as memórias, as histórias, os vínculos e até as dores que nos moldaram.

Então, sim, a maior lição que fica é de que talvez o passado não brilhe como a juventude, mas é ele que dá sentido ao tempo que ainda temos pela frente.
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