A formação do povo de Deus na perspectiva bíblica, histórica e teológica. Nossa leitura da Bíblia é profundamente influenciada pela maneira como imaginamos o passado. Ciente disso, o autor nos propõe uma nova imaginação dessa narrativa, trazendo as pesquisas acadêmicas da arqueologia e da historiografia para compor o contexto de formação do Israel antigo. André Daniel Reinke busca compreender esse povo na especificidade de cada época, explicitando as muitas identidades tão belamente descritas nas páginas da Bíblia. Por isso, ele o que diferencia e o que aproxima o mesopotâmio Abraão do levita Moisés? Que relação de continuidade cultural há entre o danita Sansão e o efraimita Samuel? Quais são as ligações deles com o judaíta Davi ou com o judeu Paulo? E com o galileu Jesus? Eles falavam a mesma língua? Como os antigos israelitas se relacionavam com as culturas vizinhas? Como era a compreensão de Deus em cada tempo? Essas são algumas questões exploradas em uma ampla pesquisa, com pinceladas da história dos impérios e das influências políticas, culturais e religiosas dos outros povos sobre Israel. Entre assimilações e rupturas, o povo narrado na Bíblia foi constituído em muitas identidades, algumas desaparecidas na poeira do tempo, outras vivas até os nossos dias. No meio dessa história encarnada na realidade, veio a revelação divina, registrada no testemunho desse povo sobre a invasão de seu Deus na história. Este livro é uma obra fundamental para que o leitor possa compreender melhor o contexto histórico, cultural e religioso da formação do povo de Israel e da própria emergência da Bíblia Sagrada.
Excelente trabalho de Daniel Reinke e mais um brilhante livro de sua série bíblica. O autor faz uma leitura responsável das escrituras, interpretando os diversos livros do Velho Testamento por meio de uma perspectiva histórica, no entanto reconhecendo a limitação das ciências humanas em interpretar um livro de fé. Uma de suas ideias centrais é sobre a ausência de linearidade e homogeneidade na construção do povo de Israel. Ao contrário do senso comum, Reinke evidencia a miscegenação que aconteceu com diversos povos locais(cananeus, fenícios, arameus) e estrangeiros (persas, egípcios, etc). Raros momentos de unidade e constantes fragmentações são o tônus da narrativa bíblica judaica, desde a época das tribos até a destruição do segundo templo. No período monárquico, Reinke utiliza a própria lei de Deuteronômio para explicar a queda do reino de Salomão, que não foi capaz de se manter fiel aos pilares da regra mosaica, o que culminou na queda dos reinos de Israel e de Judá. Após o período dos Reis, fica evidente a fragilidade de Israel, atestada pelas invasões assírias e babilônicas, essa última culminando na destruição do templo de Salomão por Nabucodonosor II e no exílio babilônico. Os persas viriam em seguida e com a dinastia arquemênida os judeus tiveram um respiro com o édito de Ciro e puderam voltar à terra prometida, bem como reconstruir o templo. A Judeia passa a prosperar novamente. Alexandre, o Grande, conquista a região e o helenismo é injetado na cultura judaica. O grego passa a ser uma língua escrita e falada e compete com o hebraico e o aramaico. Porém o grande conquistador macedônico, conhecido por sua tolerância às culturas diversas, morre muito cedo e os selêucidas passam a governar a região, para a desgraça dos judeus, que veem uma série de influências deletérias em suas rotinas religiosas. Mais uma outra invasão, dessa vez a dos romanos, iria assolar a Judeia e destruir definitivamente o tão sagrado templo judaico. O povo de Israel se espalha mais uma vez, com comunidades agora em diversos locais (Egito, Anatolia, Gália e mesmo Roma). Afloram então o judaísmo rabínico e as sinagogas como locais de estudo e de fé. Uma história fascinante contada por um estudioso erudito de teologia e de história.
Excelente livro, o melhor da série, Outros & Aqueles do mesmo Autor. Este volume é focado na história, fé e cultura dos israelitas, tendo o cuidado de focar em cada momento da história, mostrando sua atuação no plano divino. A abordagem é bem realista, com dados arqueológicos e muitas referências bíblicas. O livro faz uma abordagem muito interessante com relação a interação da cultura hebraica com a culturas dos demais povos ao redor do mundo, considerando o contexto bíblico. Um livro que vale a pena ler.