A partir de uma série de palestras apresentadas em 1928 a jovens universitárias sobre o tema “As mulheres e a ficção”, Virginia Woolf (1882-1941) desenvolve as reflexões que dariam origem a Um quarto só seu, livro publicado no ano seguinte. No ensaio, considerado um dos textos mais influentes do século XX, a escritora faz uma fina análise das condições sociais das mulheres na história e de todas as limitações impostas a elas, fatos que explicam a pouca representatividade feminina no universo intelectual ao longo dos séculos. Diante da constatação, Virginia Woolf pensa as estratégias para as mulheres driblarem o ambiente literário dominado pelo patriarcado. Uma de suas conclusões se tornou célebre: “uma mulher precisa ter dinheiro e um quarto só seu se quiser escrever ficção.” Quatro grandes romancistas inglesas citadas por seus êxitos nesse texto – Jane Austen, as irmãs Charlotte e Emily Brontë, além de George Eliot (pseudônimo de Mary Ann Evans) – foram tema de outros ensaios específicos, originalmente publicados em O leitor comum, e também reunidos nessa edição. Depois de quase um século, a obra de Virginia Woolf continua alimentando os debates feministas e de gênero com inabalável vigor.
(Adeline) Virginia Woolf was an English novelist and essayist regarded as one of the foremost modernist literary figures of the twentieth century.
During the interwar period, Woolf was a significant figure in London literary society and a member of the Bloomsbury Group. Her most famous works include the novels Mrs. Dalloway (1925), To the Lighthouse (1927), and Orlando (1928), and the book-length essay A Room of One's Own (1929) with its famous dictum, "a woman must have money and a room of her own if she is to write fiction."
essa tradução é muito interessante. conseguiu carregar algum humor e trouxe algum ritmo de fala também. com certeza vai ajudar muito quem nunca conseguiu terminar esse livro.
o volume é uma delícia. miolo impresso em verde, capa sem laminação... a sensação é de ler algo especial, que cabe na mão porque veio como um lance mais pessoal mesmo. produção gráfica belíssima. vale o preço salgado.
os artigos do final da edição colocam esse livro num contexto de esforços feministas de revisionismo histórico e contribuição crítica que me emociona. queria ver mais disso publicado com esse carinho, trazendo textos sobre escritoras brasileiras.
recomendo ter pelo menos 1 edição desse volume de VW em casa. tenho 2, uma em inglês (que é meu objeto mais querido, com gerações de marcações coloridas) e essa em português agora (que ainda nem comecei a marcar). leio todos os anos desde 2013, quando li pela primeira vez com o grupo Inanna.
Um livro que discorre sobre a posição da mulher na sociedade inglesa ao longo dos séculos e seu papel na literatura. Uma leitura muito boa, bem embasada e bastante esclarecedora.
Cada releitura melhor que a anterior. Terceira vez que leio, acho que a última vez tinha sido há uma década e já tinha me transformado. Incrível. Amei os ensaios que complementam a obra.
Comprei o livro na feira do palácio do Catete em outubro, uma edição do Bazar do Tempo com tradução de Julia Romeu e apresentação de Socorro Acioli. Além do famoso ensaio, essa edição, muito bonita em capa dura com uma produção gráfica moderna, inclui também três ensaios, sobre Jane Austen, sobre as irmães Brontë, e sobre George Eliot. Virginia destila aqui seu humor, ironia, sensibilidade e profundo conhecimento do ofício literário. Acredito que eu teria aproveitado mais se tivesse lido mais dos tantos livros comentados. Porém posso dizer que mesmo sem conhecer de literatura inglesa gostei e recomendo, principalmente àqueles interessados na questão da mulher numa sociedade patriarcal machista. Os três ensaios sobre as escritoras me ajudaram muito na minha própria escrita, pois a análise que V.W. faz dos textos é uma aula de literatura e estilo. Ela se debruça não somente nas obras, mas na história, e personalidade das autoras e nos dando chaves de compreensão de cada obra. Virginia nos traz exemplos de frases bem escritas, às vezes simples e curtas, quase despretenciosas em que ela aponta a maestria da concisão e genialidade. Somente de George Eliot eu não tinha lido nada, mas mesmo assim foi interessante ler a análise que ela faz da literatura e da história sui generis para a época da escritora. Recentemente eu li o Morro dos Ventos Uivantes e gostado muito, e esses ensaios abriram mais ainda a minha compreensão da amplitude dessa obra.
"Uma mulher deve ter dinheiro e um quarto todo seu se quiser escrever ficção."
Esse foi meu primeiro contato com Virginia Woolf, e já posso dizer que comecei com o pé direito. A escrita dela é elegante, fluida e, ao mesmo tempo, cheia de camadas. Não é uma leitura difícil, mas também não é rasa. Fiquei muito impressionada com a inteligência e sensibilidade da autora: por trás de cada frase tem uma crítica e uma reflexão profunda sobre o lugar da mulher na literatura (e no mundo). Mesmo escrito em 1929, é super atual. Ela mostra que escrever (e viver) como mulher exige muito mais do que talento. É sobre espaço, liberdade, voz.
Depois de tanto ouvir falar desta obra de VW, ao chegar a ela, não estava preparada! 😅
Demorei algumas páginas a entrar no ritmo, mas quando me orientei pela escrita da autora, foi tudo muito simples.
Uma perspetiva geral e muito clara sobre a vida das mulheres ao longo do tempo, dos talentos que provavelmente perdemos numa sociedade machista e patriarcal, com regras restritas para as mulheres... que nem sequer são consideradas inteligentes: a mulher mais inteligente é-o menos do que o homem menos inteligente; esta foi em tempos a premissa.
Felizmente muita coisa já mudou para nós, mas ainda não o suficiente. Vamos ter de continuar este caminho e fazê-lo por nós mesmas.
Um ensaio maravilhoso, escrito de forma a sentirmos que também andamos pelas prateleiras.
Esta edição tem a vantagem de ter três ensaios sobre escritoras imortais. E que bom que é passar pelas páginas e descobrir um pouco mais de quem foram estas mulheres que conhecemos apenas através das suas obras. Imortalizadas por estas.
Principalmente George Elliot, pseudónimo de Mary Ann Evans, da qual nada sabia.