Jump to ratings and reviews
Rate this book

Viver é melhor que sonhar

Rate this book
Antônio Carlos Belchior é autor de um dos gestos mais intrigantes da história recente da Música Popular Brasileira. Era um artista respeitado, dono de um repertório do qual qualquer músico poderia se orgulhar, carreira de sucesso, padrão de vida confortável, cercado de amigos, cercado de amores. Com 60 anos recém-completos, deixou tudo isso para trás, rumo a uma jornada incerta e anônima pelo sul do país, que terminaria com a sua morte dez anos depois. Nas páginas de Viver é Melhor que Sonhar – Os Últimos Caminhos de Belchior, o leitor vai mergulhar neste polêmico e misterioso período da história desse artista e vai descobrir que Belchior viveu de maneira insólita e extraordinária, conhecendo pessoas diversas, lugares interessantes e relações inusitadas, com fãs perplexos que abrigaram um astro da música em suas casas sem saber muito bem por que ele estava ali. Em parte, o astro buscou este caminho; em parte, foi conduzido a ele. O livro foi escrito enquanto os autores percorriam todas as cidades por onde Belchior passou durante o seu período de exílio: Montevidéu, Porto Alegre, Santa Maria, São Paulo, Sobral, Artigas (Uruguai), Santa Cruz do Sul, entre outras. Viver é Melhor que Sonhar é um livro que merece ser lido pelo seu compromisso com a pesquisa, pela sua relevância para a cultura brasileira, por ser um livro sobre a aventura de estar no mundo de forma poética e sobre a difícil arte de contar uma história que move tantas paixões e contradições. Mas, acima de tudo, merece ser lido por ser um livro de amor pela obra e pela vida desse gênio chamado Antônio Carlos Belchior.

Paperback

Published April 1, 2021

1 person is currently reading
25 people want to read

About the author

Chris Fuscaldo

12 books2 followers

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
7 (24%)
4 stars
10 (34%)
3 stars
11 (37%)
2 stars
1 (3%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for André.
18 reviews2 followers
May 12, 2021
Há alguns meses, quando li no Estadão que estava para ser lançada uma biografia sobre os últimos dias de Belchior, fiquei interessadíssimo. A história do cantor famoso que se auto exila, abdicando da fama e do dinheiro e vivendo de favor na casa de alguns fãs enquanto é perseguido pela mídia nacional e pela polícia, é tudo intrigante demais para deixar passar. Mas hoje termino o livro frustrado, com a sensação de que a ótima história foi de alguma forma estragada pelos autores.

Por um lado, o tema é realmente interessante, e o trabalho de pesquisa que foi realizado na escrita do livro é admirável. Página após página, descobrimos por todo lugar onde Belchior passou no fim de sua vida, onde morou, com quem se relacionou. Mesmo assim, faltam detalhes de como de fato era Belchior, de sua personalidade, e as anedotas das pessoas que conviveram com ele são raras. A impressão que tenho, findo o livro, é que o compositor continua para mim um completo desconhecido. Sobram adjetivos, “muito inteligente, vivaz” e faltam pequenas histórias que comprovem estes adjetivos.

Sobre Edna, a artista plástica companheira de Belchior no fim de sua vida, a impressão é ainda pior. Com raras exceções, praticamente todas as pessoas que conviveram com o casal em seus últimos anos passam a imagem de que Edna é uma pessoa detestável, mitômana, arrogante e autoritária. Os autores passam parágrafos e parágrafos defendendo Edna, lhe atribuindo adjetivos positivos que nunca são corroborados pelas fontes que entrevistaram. Chegam a afirmar que a artista era uma ótima produtora para Belchior — em um período em que ele, para todos os efeitos, tinha abdicado da vida pública e não fazia nenhum show. Pelo contrário, pelas fontes do próprio livro, a mulher ativamente o proibia de sequer pegar no violão.

É verdade que seria ruim, até machista, embarcar nas histórias e taxar Edna sem questionar os relatos, mas uma defesa tão acintosa pareceu forçada, querendo transformar a pessoa real em uma ideia a ser protegida. Bastava deixar pontos de vista diferentes sobre a artista — que de fato existem, apesar de raros, e o leitor poderia formar sua opinião sozinho.

Mas de longe o que mais me frustrou durante a leitura foi a tentativa de transformar Belchior em um campeão anticapitalista contra a mídia burguesa. Por um lado, os autores se preocuparam em dizer várias vezes, em vários momentos, que as razões para o sumiço de Belchior são complexas, e até certa medida nunca ninguém vai conseguir calcular o papel que cada uma das razões possíveis teve no fato. Isso é verdade, e não só é verdade como também é óbvio. Por outro lado, a todo momento somos lembrados com a opinião dos autores sobre o que Belchior estava fazendo, “deixando a vida burguesa”, “sendo perseguido pela mídia burguesa capitalista”.

Que Belchior tivesse essas opiniões, que se visse assim, é de fato possível como até esperado (apesar de que, pelas fontes, não ficou claro nem que ele se visse assim). Que os autores do livro concordem com essa visão é desanimador, e cria o problema de ter que explicar, por vários e vários parágrafos, o que faz o livro “Viver é melhor que sonhar” tão diferente assim da “mídia burguesa”, já que também estava escarafunchando na vida do compositor. O livro seria melhor se contivesse mais relatos e menos opiniões dos autores. Chega a ser engraçada a incessante mania de inserir a visão de quem está escrevendo sobre fatos políticos — do impeachment de Dilma Roussef ao liberalismo econômico.

Belchior não era um herói anticapitalista. Era uma pessoa complexa, cheia de contradições internas, como toda pessoa real. Se por um lado ele rejeitava a fama, por outro vivia de favor na casa de pessoas que o aceitaram por ser famoso. Se por um lado deixou o dinheiro para trás, por outro lado Edna continuava jogando na loteria. Não dá pra ver o calote na pensão dos filhos e nas diárias dos hotéis onde morou por meses como resistência ao capitalismo financeiro. Não faz sentido.

“Viver é melhor que sonhar” é um verso de “Como nossos pais”, música de Bechior que ficou famosa na voz de Elis Regina. Na mesma letra, Belchior diz que “Também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa”. Fiquei com isso na cabeça ao pensar sobre o livro. Transformar o protagonista da história em um herói lutando contra o capitalismo é uma forma de reduzi-lo. A vida de Belchior continua um enigma complexo, desafiando qualquer interpretação.
Profile Image for Lucas Rafael.
Author 9 books9 followers
August 4, 2021
Um relato detalhista e cuidadoso do capítulo misterioso e derradeiro capítulo da vida desse grande músico.
4 reviews
January 23, 2024
Um panorama dos últimos anos da vida de Belchior. Interessante, mas um tanto repetitivo e sem grandes conclusões.
Displaying 1 - 4 of 4 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.