Vamos lá ser honestos: nem sempre é fácil perceber os gatos.
Quem é que nunca recebeu uma dentada durante uma sessão de festas? Ou foi acordado às seis da manhã por um miar intenso? E nem nos façam falar dos estofos das cadeiras destruídos.
A trama adensa-se quando começamos a pensar no cardápio de vacinas ou nas possíveis doenças que podemos ser incapazes de detetar. Ai, gatos… era tudo muito mais fácil se vocês falassem!
Enquanto a ciência não evolui a esse ponto, podemos contar com a ajuda da médica veterinária Célia Palma, que nos apresenta um guia essencial para quem tem ou pretende vir a ter um gato. De uma forma simples e direta, irá descobrir tudo sobre esta espécie e tornar-se no tutor com que o seu gato sempre sonhou.
"Para alguns autores a capacidade predatória dos gatos terá sido determinante para o desenvolvimento das sociedades europeia e ocidental. Um único gato prevenia a destruição de duzentas e cinquenta toneladas de alimento por ano, se se levar em consideração a capacidade destruidora e reprodutiva dos ratos."
" A sorte deste animal mudou radicalemnte na Idade Média. À medida que o catolicismo se tornava a religião predominante, a mentalidade pagã e a sua simbologia foi acerrimamente combatida e os gatos perseguidos até níves próximos da sua extinção. Perderam o seu estatuto passando a ser considerados seres demoníacos, companheiros das bruxas, sendo a fogueira o castigo urificador das suas almas. Por volta de 1600 d.C., chegaram à Europa muitos ratos, trazidos acidentalmente pelos cruzados, nas suas embarcações, que não encontraram predadoresnaturais, uma vez que os gatos tinham sido quase extintos. A proliferação descontrolada destes roedores e das suas pulgas deu origam a uma das mais devastadoras catástrofes europeias: a peste negra, que dizimou grande parte da população."
"Só quem nunca conviveu de perto com um gatos lhe pode atribuir adjectivos pejorativos, tais como interesseiro, mesquiho, falso, egoista, associal, anipulador, egocentrico. Tais sentimentos menos nov«bres só uma espécie os detém e esta espécie não é, com toda a certeza, a felina."
"Durante a minha prática clínica, muitas vezes assiti a declarações insensatas de humanos "antigatos". Sem dúvida que todos remos a direito de ter as nossas preferªencias, mas não temos o direito de julgar qualquer ser vivo à luz da nossa própria ignorância."