"E depois nos oceanos as bactérias irão criar Deus."
"Um livro é coisa pouca, um pouco de papel que sonha limpar a sujidade aos cantos da boca, mas essa pouca coisa, quando as palavras já não dizem nada do que deviam dizer, quando se chama progresso à perdição e saber às sevícias, é um pouco de luz."
Vamos começar pelo que causa mais impacto neste livro, o estilo da escrita. O tempo é fluido, escreve no presente mas descreve o que vai acontecer no futuro; há constantes desvios na narrativa para conectar o mundo (e o período) com a história; as frases contêm camadas de associações que interligam de forma invisível as palavras; há a intenção constante de obrigar a reflectir.
"Este tríptico é dedicado aos rebeldes, aos desertores, aos sabotadores e aos pacifistas." Não me lembro dum livro assim, simples nas causas, a colocar o holofote nos direitos dos animais, com visões da época em que cada um dos visados (um cão, um macaco e uma vaca) sofreu. E a realçar o espírito nobre dos tais rebeldes, que muitas vezes roçam a criminalidade, outras o duro progresso. Essencial para começar a ver o mundo com mais humanismo.