En 1903, dans une université londonienne, un professeur pratique une expérience sur un chien en vie. Révélée par deux jeunes femmes, l’affaire divisera bientôt toute la Grande-Bretagne. En 1985, sur un campus californien, un bébé singe est rendu aveugle dans le cadre de recherches sur les sonars. Une opération de sauvetage est organisée par le Front de libération des animaux. En 2014, à Charleville-Mézières, une vache et son veau tombent accidentellement d’une bétaillère sur une trois-voies, entraînant une traque policière dans toute la ville.
Dans cette fresque en trois panneaux d’un siècle où s’entrecroisent les causes animale, sociale et féministe, l’évocation des rapports entre bêtes et humains à l’ère industrielle révèle la nature de nos relations ordinaires avec le reste du vivant.
Joseph Andras is the author of the novels De nos frères blessés and Kanaky. Awarded the Prix Goncourt for De nos frères blessés (Tomorrow They Won’t Dare to Murder Us), he refused the prize, explaining his belief that “competition and rivalry were foreign to writing and creation”.
Δίπλα μας, γίνονται φρικαλεότητες στις οποίες κλείνουμε τα μάτια με τη δικαιολογία οτι ως άνθρωποι είμαστε παμφάγοι, ότι έτσι γινόταν πάντα, ότι τι είναι η ζωή ενός σκύλου, μιας μαϊμούς ή ενός ποντικού μπροστά σε ένα φάρμακο ή την εξέλιξη της επιστήμης ή μιας θαυματουργής ενυδατική κρέμας; Κλείνουμε τα μάτια γιατί η θρησκεία μας έμαθε πως ο άνθρωπος είναι το εκλεκτό ον που ήρθε να γεμίσει τη γη και να κυριαρχήσει πάνω σε όλα τα έμβια και μη αυτού του κόσμου. Γιατί ακόμα και σήμερα επιλέγουμε να πιστεύουμε πως τα ζώα δε νιώθουν αγάπη, φόβο, πόνο, δεν έχουν συναισθήματα και ανάγκες, δεν έχουν συνείδηση. Όλα αυτά τα απλώνει μπροστά μας με ωμότητα ο Andras (και καλά κάνει) ανεμεμιγμένα με το σεξισμό, την ανάγκη ύπαρξης του φεμινιστικού κινήματος, τους πολέμους, τον καπιταλισμό. Γιατί όλα είναι όψεις του ίδιου νομίσματος, της πεποίθησης των ανθρώπων ότι έχουν δικαίωμα να κυριαρχούν και ορίζουν τις ζωές άλλων πλασμάτων. Εξαιρετικά γραμμένο, με ένα τρόπο ασυνήθιστο που μου ταίριαξε πολύ, το διάβασα απνευστί και μου τάραξε το είναι. Όπως το ντοκιμαντέρ seaspiracy πέρσι (το οποίο με έκανε vegetarian εν μια νυκτί) και το cowspiracy που δεν τολμώ να δω.
"(...) Nós é para não dizer nada do fundo da questão: que a humanidade não existe, mas apenas aqueles que dizem as ordens e aqueles que as ouvem." Pág. 99
This book collects together three short stories about human cruelty and exploitation of animals. The stories are based is real cases: the Brown Dog Affair in Britain, in the first decade of the 20th Century, the raid to an animal experiments laboratory of the University of California at Riverside, in 1985, and the killing of a runaway cow in Charleville-Mézières, France, in 2014. A book about a real problem that should be more seriously addressed (the maltreatment of animals) that is sometimes (as it happens in some places in these stories) conflated with vegetarianism or veganism. You don't need to be either to defend a humane treatment of animals. And you can love eating a steak or a smoked sausage and still enjoy this book.
Ενώ πρόκειται για αγαπημένο συγγραφέα, θα έλεγα ότι το συγκεκριμένο βιβλίο είναι το λιγότερο καλό του.
Στο "Για τα πληγωμένα μας αδέρφια" οι σελίδες γύριζαν η μία μετά την άλλη μόνες τους, στο "Κανάκυ" επίσης.
Σε αυτό το βιβλίο μπλέκονται διάφορες θεματικές (φεμινισμός, η συμπεριφορά του ανθρώπου απέναντι στα ζώα κτλ), αλλά κάπως όλες παρουσιάζονται με τρόπο επιφανειακό, χωρίς ουσιαστική ανάλυση. Έτσι μου έμεινε το αίσθημα του μη ολοκληρωμένου βιβλίου.
"E depois nos oceanos as bactérias irão criar Deus."
"Um livro é coisa pouca, um pouco de papel que sonha limpar a sujidade aos cantos da boca, mas essa pouca coisa, quando as palavras já não dizem nada do que deviam dizer, quando se chama progresso à perdição e saber às sevícias, é um pouco de luz."
Vamos começar pelo que causa mais impacto neste livro, o estilo da escrita. O tempo é fluido, escreve no presente mas descreve o que vai acontecer no futuro; há constantes desvios na narrativa para conectar o mundo (e o período) com a história; as frases contêm camadas de associações que interligam de forma invisível as palavras; há a intenção constante de obrigar a reflectir.
"Este tríptico é dedicado aos rebeldes, aos desertores, aos sabotadores e aos pacifistas." Não me lembro dum livro assim, simples nas causas, a colocar o holofote nos direitos dos animais, com visões da época em que cada um dos visados (um cão, um macaco e uma vaca) sofreu. E a realçar o espírito nobre dos tais rebeldes, que muitas vezes roçam a criminalidade, outras o duro progresso. Essencial para começar a ver o mundo com mais humanismo.
Η εκτελεση "σαν το σκυλί" στο φινάλε της Δίκης του Κάφκα προκαλεί φρίκη για το τι συμβαίνει στον άνθρωπο. Το άλλο μισό του ζωωδους, η σχέση μας με τα ζώα, επισημαίνεται έντονα στο έργο του Κάφκα. Αλλά και στον Αντορνο που γράφει: «το Άουσβιτς ξεκινάει κάθε φορά που κάποιος βλέπει ένα σφαγείο και σκέφτεται: είναι απλώς ζώα». Ο Μπρεχτ χρησιμοποιεί σαν πολιτική μεταφορά το σφαγείο όταν καταγγέλλει αυτούς που "θα ικανοποιηθούν αν ο χασάπης πλύνει τα χέρια του, προτού φέρει το κρέας στο τραπέζι". Οφειλουμε να πάμε ακόμα πιο πέρα και να επισκεφτούμε το ίδιο το σφαγείο. Το να ακολουθήσεις τη σκέψη του ζωωδους στη σχέση μας με τα ζώα είναι το απαραίτητο συμπλήρωμα της διαλεκτικής σκέψης, της ριζοσπαστικής σκέψης που θέλει να ξεφύγει από το "ετσι έχουν τα πράγματα" από το "είναι στη φύση μας/τους". Πρέπει να αντικρίσεις τα ποτάμια οργανικής μάζας, την ασταμάτητη, ασύλληπτη ροή πτωμάτων που έχει τον ορθό λόγο μαζι της και φανταχτερά κόλπα για να τη κρύψει. Πρέπει να σκεφτείς πώς οφείλει η κοινωνία να διαχειριστεί αυτή την ύβρη.
Joseph Andras é um caso singular na literatura contemporânea. Segundo a breve pesquisa que registei, recusa prémios (Prix Goncourt 2016 e Prix Maya 2022), recusa fotografias, recusa a maquinaria da consagração. Escreve na sombra, com pseudónimo, quase clandestino, e talvez por isso a sua voz seja tão livre. Pouco conhecido do grande público, tornou‑se, no entanto, uma das consciências éticas mais intensas da literatura francesa.
Andras funde rigor documental e sensibilidade pelo que a sua escrita é de uma precisão admirável e de uma prosa poética, feita de frases tensas e contidas, que afasta o sentimentalismo e o espectáculo da dor. Há nela uma ética do olhar, firme, lúcida, sem adornos e uma economia verbal que questiona o conceito de progresso científico, da exploração animal e das minorias e que aproxima o leitor dos factos com uma lucidez quase física.
Em 𝑨𝒔𝒔𝒊𝒎 𝑳𝒉𝒆𝒔 𝑭𝒂𝒛𝒆𝒎𝒐𝒔 𝒂 𝑮𝒖𝒆𝒓𝒓𝒂, Andras constrói um tríptico a partir de três acontecimentos reais, separados por mais de um século e por três geografias distintas (Londres, Califórnia, Charleville). Cada painel acompanha um animal colocado no centro de práticas humanas que raramente são questionadas, mas que aqui surgem expostas na sua dimensão ética. Sem revelar o que sucede em cada caso, basta dizer que o autor convoca episódios documentados que atravessam laboratórios, instituições e sistemas de produção, e que os inscreve na história dos movimentos de libertação animal, que há mais de um século denunciam esta violência normalizada.
E há um detalhe que retive no terceiro painel. Andras convoca Rimbaud, porque a acção decorre em Charleville, a cidade natal do poeta, e evoca a forma como ele morreu, como se essa memória iluminasse o que está em jogo no episódio. A metáfora é de Andras, mas ressoou em mim, porque também Rimbaud sentiu a urgência da fuga, a recusa do destino imposto. Há nessa coincidência uma pequena rebelião poética, um lampejo de liberdade no meio da violência banalizada.
3,5 Um livro que nos faz ver que a questão não é “como tratamos os animais”, mas “que tipo de sociedade somos quando a violência se torna rotina legitimada”.
É um livro curto, escrito num estilo seco, incisivo e documental. Articula três narrativas históricas reais através das quais defende que a violência contra os animais se tornou num pilar estrutural da modernidade ocidental e foi normalizada em nome do progresso das sociedades humanas.
Da vivissecação científica, à experimentação laboratorial e à indústria do abate, o autor põe a nu uma mesma lógica de dominação em que os animais são despersonalizados, a violência é racionalizada e as instituições que a exercem se apresentam como neutras e/ou necessárias. Desta forma, desafia diretamente a noção de que a ciência, técnica ou a modernidade são sinónimos de avanço ético-moral. O título do livro sugere que é a própria sociedade ocidental, com as suas práticas e valores, que é um agente de guerra contra tudo o que ponha em causa a sua concepção utilitarista de vida.
Ainda assim, não vejo o livro como fatalista, apesar da sua dureza. Para lá da denúncia há o apelo moral: existe sempre a possibilidade de recusa, de protesto, de desobediência, de sabotagem ou de fuga; o leitor é desafiado a reconhecer e a questionar as estruturas que produzem e perpetuam a violência, posicionando-se diante deste problema. Por essa razão, o autor dedica o livro aos “rebeldes, desertores, sabotadores e pacifistas “ e serve-se da literatura como “um espaço de denúncia e de empatia com os marginalizados, humanos ou não”.
Três histórias breves que reescrevem episódios verídicos, passados em Inglaterra, nos EUA e em França, em torno dos direitos dos animais. O estilo é límpido, combinando pormenores preciosos e ironia, e constantemente a acenar com possibilidades de outras histórias, que prendem mas também ocasionalmente exasperam. Não é livro que leve automaticamente ninguém a deixar de comer carne, mas provavelmente deixará muitos perplexos e desconfortáveis com a guerra infinita que os humanos fazem aos animais.
Le sujet est passionnant, les événement relatés également et certains passages sur la condition animale sont bouleversants. Reste que j'ai un peu de mal avec le style de l'auteur, beaucoup trop alambiqué à mon goût et manquant de simplicité. J'ai l'impression que cela entraîne une perte de puissance du propos...
Gostei dos temas actuais, de revolução, definição da liberdade e dos limites do poder, transmitidos em 3 filosóficos contos. A edição da Antígona poderia ter tido um pouco mais de brio na validação da ortografia e sintaxe.