A mulher que perde o marido é viúva; a que perde os pais é órfã. A mulher que perde o filho é algo que não cabe em palavras. Essa experiência – a maior dor do mundo – não é passível de nomeação. Vivenciar o inominável é voltar à condição alheia de criança recém-nascida, incapaz de concretizar qualquer estímulo que não venha das próprias vísceras. O mundo de fora fica mudo; o de dentro, grita a cada toque. Como se sente a mulher diante da morte de um filho? Esse questionamento é, de certa forma, o start para o livro A Lua e o Girassol: um dia mães em luto; outro dia, mães em Luz”, autoria de Marina Miranda Fiuza, a partir de depoimentos de sete mães cujo filhos, de diferentes idades, faleceram em circunstâncias diversas. Lançado pela Primavera Editorial, a obra conta com o prefácio do escritor português, Valter Hugo Mãe.
“As mães e os pais dos mortos são muito sem sentido. Nem sempre sabemos onde têm a cabeça ou os pés porque tanto daquilo que os ordena é agora de outra natureza. Ficámos diante dessas pessoas pasmando, porque elas contêm uma ciência que nenhuma biblioteca vai conter, simplesmente porque não há como explicar o absurdo, ele é uma experiência indizível que os livros imitarão sem sucesso algum.” – Valter Hugo Mãe
É impressionante como o tema mais difícil do mundo virou este livro lindo, impactante e importante. Não é um livro pra entreter. É um livro pra sentir um monte de coisas e se transformar. É aprender. Se você perdeu um filho ou conhece alguém que perdeu, este é o livro certo.
A dor da perda de um filho não admite clichês, palavras genéricas de conforto, ou a cobrança de uma fé impossível naquele momento. Isso é demonstrado repetidas vezes no relato das 7 mães que aqui dividem suas histórias, e reforçado em cada um de seus empreendimentos de terem seus lutos legitimados.
Esse livro não é autoajuda. Não existem aqui fórmulas mágicas ou receitas para lidar com aquela que é considerada a maior dor do mundo. No lugar disso, temos metáforas. Palavras. Tentativas de nomear o sofrer que forçosamente se impõe àquelas mulheres.
Um livro extraordinariamente bem escrito e honesto. É potente ao não estabelecer pretensões de "cura" ou solução: quando falamos de luto, os atalhos inexistem - a dor se apresenta, é sentida, e é assim que deve ser.
Uma leitura para a monografia que, superando as minhas expectativas e de forma muito orgânica, foi uma das mais importantes lições de humanidade que já recebi.
"A tristeza de perder um filho, afinal, não torna impertinente a alegria de viver."
Dor e alegria podem se aconchegar uma na outra e coexistir. Timidamente, a princípio, e nem sempre de forma harmônica. Mas podem sim, sabe? Isso me soa tão libertador…
Intenso, comovente! Capítulos curtos nos dão pausas para respirar e refletir! Sete mulheres expõem com muita coragem o trauma da maior de todas as dores! O livro é “um ombro amigo” para que vive um luto, materno ou não. Acredito ser extremamente importante tb para aqueles que não sofreram de perto esse trauma e tentam compreender um tema tão difícil, cercado por tantos tabus.
Se você conhece alguém que perdeu um filho ou que esteja enlutado, este livro é uma forma de ajudar. Marina escreve de forma sensível e profunda um tema tão difícil, a partir de 7 histórias inspiradoras. Maravilhoso!