Arlindo é uma história extremamente tocante sobre família, sexualidade, crescimento e encontrar a si mesmo.
A história gira em torno do cotidiano de Arlindo: suas relação familiares, seus amigos, crushes, e todas as pessoas que marcaram sua vida, seja para o bem ou para o mal.
Acredito que todo mundo que é LGBTQIA+ vai se identificar com algum pedacinho dessa história. A relação complicada com o pai, que quer que o filho "vire macho", a mãe que cuida, a avó que acolhe. Eu me identifiquei principalmente com o retrato da vivência do interior: a opressão de se viver numa cidadezinha pequena, longe dos grandes centros e majoritariamente composta por pessoas religiosas e mais "mente fechada". As fofocas que rolam nessas cidades onde todo mundo conhece todo mundo, principalmente em relação às pessoas que fogem do padrão e não se encaixam de alguma forma. A vontade de de sumir e de fugir de um local que te sufoca. Arlindo traz todas essas sensações, principalmente através da personagem Amanda, sua tia lésbica que deixou a cidade anos atrás.
"Eu sempre Imaginei como seria existir num lugar em que minha família fosse outra, em que as pessoas fossem outras. Desde que eu me entendi por gente eu senti essa agonia, essa vontade de fugir. (...) Talvez se tudo fosse diferente, eu não teria essa vontade de fugir, de ir embora o tempo todo."
Mas Arlindo não se prende somente à narrativa do personagem principal que dá nome à HQ. A história acompanha também Lis e Mari, as melhores amigas de Arlindo. Juntos, os três irão dividir experiências comuns à adolescência, como o primeiro amor e a dificuldade de se encaixar na escola (e às vezes, na própria família). Além disso, ganham destaque outros personagens que se interligam aos principais: Luís Felipe, um antigo amigo de infância de Arlindo que retorna à cidade, e Pedro, um garoto novo na escola.
Arlindo é, acima de tudo, uma história sobre aceitação. São jovens no processo de se descobrir e entender a si mesmos, e aprendendo a resistir em meio a uma sociedade machista, LGBTfóbica e enraizada em antigos preconceitos. A autora entrega, em seu final, tudo que todo jovem LGBTQIA+ precisa receber: um pouco de esperança nesse mundo difícil em que vivemos.