Mesmo lendo-o longe da fórmula do soneto, Daniel Jonas faz uso do verso livre não como uma muleta arbitrária para melhor exprimir o que inquieta o seu universo, mas como uma arma sem paralelo na poesia portuguesa. Em Cães de Chuva, é precisamente na malha rigorosa que é tecida através da topografia do espaço, da arqueologia da palavra exata, que a sua voz marca o compasso.
Daniel Jonas nasceu no Porto, em 1973. É Mestre em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa com uma dissertação sobre o poeta inglês John Milton, de que resultou a tradução de Paraíso Perdido (Cotovia, 2006).
Além da escrita para teatro, em que se estreou com Nenhures (Cotovia, 2008), publicou seis livros de poemas, entre os quais Nó (Assírio & Alvim, 2014) - vencendo o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes (2015) - e, mais recentemente, Bisonte (Assírio & Alvim, 2016).
Dedica-se também à tradução, tendo vertido para português textos de Waugh, Huysmans, Pirandello, Auden, Shakespeare e Lowry, entre outros.
Prémio Literário Inês de Castro 2021 “Em Cães de Chuva, livro em verso livre, Jonas articula a herança clássica de autores e temas clássicos com a modernidade da linguagem, da forma, dos sentimentos que dominam o tempo e o espaço em que vive. Outra das características do poeta está na atmosfera perpassada pela sombra, uma tristeza pontuada por momentos de alguma exuberância. E há a linguagem, com cada palavra a ser tratada com extrema precisão, deixando entrar termos de outros idiomas, revelando mais uma vez a ousadia que caracteriza a sua produção poética, tal como a atenção dada a elementos como o tempo e o espaço” Isabel Lucas, júri do Prémio Literário Inês de Castro 2021