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Alexandre de Gusmão (1695-1753): O estadista que desenhou o mapa do Brasil

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Neste primoroso ensaio biográfico, Synesio Sampaio Goes Filho apresenta ao leitor, de forma acessível e atraente, a trajetória de Alexandre de Gusmão e da mais importante negociação territorial da história do Brasil.

No século XVIII, a situação territorial do Brasil era complicada: minas de ouro foram descobertas no oeste; a Colônia do Sacramento havia sido fundada no rio da Prata, bem em frente a Buenos Aires; dezenas de missões de religiosos portugueses foram estabelecidas na Amazônia. Tudo, entretanto, além do limite traçado em Tordesilhas. A colônia ficara rica, mas não tinha fronteiras.

As penetrações e ocupações dos bandeirantes em terras espanholas poderiam não dar em nada se não houvesse do lado de Portugal, no momento oportuno, como secretário particular de D. João V (na prática, quase um primeiro-ministro), uma vigorosa personalidade política, além de notável escritor.

Com profundo conhecimento da geografia e da história de sua terra natal, Alexandre de Gusmão foi o principal elaborador e negociador do Tratado de Madri, de 1750, que deu ao Brasil dois terços de seu território. Foi igualmente o autor intelectual do Mapa das Cortes, sobre o qual ocorreram as tratativas finais e onde, pela primeira vez, o país se apresenta com a forma quase triangular, ampla, maciça, que nos é hoje familiar.

O grande feito de Alexandre de Gusmão é ter conseguido legalizar o alargamento imenso do território do Brasil. Houve a preparação intelectual, tomaram-se as medidas práticas, a negociação se revelou difícil. Em todas as fases, é inegável o protagonismo do secretário do rei. Um acordo dessa dimensão é sem paralelo na história universal. Poucos fizeram tanto pela grandeza do Brasil.

256 pages, Kindle Edition

Published January 18, 2021

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About the author

Synesio Sampaio Goes Filho

6 books10 followers
Nasceu em Itu, São Paulo, em 13 de junho de 1939. Formado em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, em 1964. Diplomata entre 1966 e 2009.
No Itamaraty, foi Chefe do Cerimonial, Inspetor-Geral do Serviço Exterior, Presidente da Fundação Alexandre de Gusmão e Chefe de Gabinete dos Ministros Fernando Henrique Cardoso e Celso Lafer. Trabalhou também na Presidência da República e no Ministério da Fazenda. Integrou ou chefiou várias delegações brasileiras em reuniões internacionais. No exterior, foi Secretário de Embaixada em Paris e Lima, Ministro-Conselheiro em Londres, Cônsul-Geral em Milão e Embaixador em Bogotá, Lisboa e Bruxelas.
Possui diversas condecorações estrangeiras e, do Brasil, entre outras, as Grã-Cruzes da Ordem de Rio Branco, da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. É membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia de História de Portugal.
Ex-professor de História Diplomática do Brasil do Instituto Rio Branco e de Comércio Internacional da Faculdade de Economia da FAAP. Tem artigos publicados em periuódicos especializados em História do Brasil e Política Internacional, tais como “Oceanos”, de Portugal, “Política Externa” da USP e a “Revista do Instituto Histórico Brasileiro”
Sobre temas históricos, para ficar nos últimos quatro anos, redigiu capítulos individuais nos seguintes livros de mais de um autor: Diplomacia brasileira para a paz; Rio Branco – 100 anos de história; Pensamento diplomático brasileiro; Pedro Teixeira, a Amazônia e o Tratado de Madri; Varnhagen: diplomacia e pensamento estratégico; e Obras do Barão do Rio Branco. Em 2013, publicou pela FUNAG o livro Fronteiras do Brasil e, em 2014, pela Editora Migalhas, A bela viagem – um calendário de frases para pensar.
Seu livro Navegantes, bandeirante, diplomatas – um ensaio sobre a formação das fronteiras do Brasil, publicado originalmente pela Martins Fontes, em 1982, teve sucessivas edições, inclusive pela Biblioteca do Exército, sempre bem recebidas pela crítica; a última, de 2015, pela FUNAG, revista e com novos mapas, está disponível a todos pela internet.

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Profile Image for Marconi.
76 reviews12 followers
January 23, 2022
O livro de Synesio Sampaio Goes Filho é um misto de biografia e história do Brasil. Pouco se sabe do biografado dada a falta de melhores documentos sobre sua vida, mas o autor faz um bom trabalho em trazer à luz um pouco da vida e obra daquele que é considerado o "avô" da diplomacia brasileira, responsável por dar ao país os contornos que tem hoje. São três os bustos de bronze, criados por Bruno Giorgi, presentes na Sala dos Tratados do Palácio do Itamaraty: de Alexandre de Gusmão (referente ao período colonial), de Duarte da Ponte Ribeiro (do Império) e do Barão do Rio Branco (da República). Os três foram responsáveis pela consolidação das fronteiras do Brasil (embora outros personagens concorressem em variados graus).

Alexandre de Gusmão nasceu na então vila de Santos, em 1695; o nono de doze filhos, dos quais oito foram padres ou freiras. Já aos 13 anos viaja para Portugal e inicia seus estudos de cânones na Universidade de Coimbra. Em 1730, Gusmão assume o cargo de "secretário d'el-rei" (por 20 anos!) no reinado de D. João V, o mais longevo de toda a história de Portugal (44 anos) e que coincide com o período de maior produção aurífera do Brasil. Enquanto tal, Gusmão se ocupa de assuntos religiosos e do Brasil. É ele quem estabelece o sistema de capitação (1734) em lugar do "quinto" e se torna o principal ator por trás das negociações do Tratado de Madri (1750). Apenas com a morte do cardeal da Mota (1747), principal assessor do rei, Alexandre torna-se o condutor das negociações com a Espanha. Também é dele a organização do Mapa das Cortes (1749), que, estrategicamente, minimizava a expansão portuguesa no norte e centro-oeste do Brasil e que será usado nas negociações do Tratado. Graças à Gusmão, o Tratado de Madri legitima a posse dos territórios pela ocupação (de acordo com o princípio romano do uti possidetis ita possideatis e da delimitação de divisas pelas mais notáveis montanhas e rios), junto à permuta de Sete Povos das Missões (então espanhola) pela Colônia do Santíssimo Sacramento (então portuguesa).

Em 1749, preocupado com sua saúde e o futuro de seus filhos, Alexandre de Gusmão envia uma representação à D. João V na qual resume seus trabalhos oficiais e solicita uma promoção em seu cargo. Por não ser de família nobre (ademais, um "estrangeirado") e ter ascendido ao posto de secretário do rei por mérito próprio, Gusmão não era tão bem remunerado quanto outros nobres que ocupavam cargos similares. Sua missiva não obtém resposta e, no ano seguinte, morre o monarca, sucedendo-o D. José I, que terá como seu ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal. Em 1752, Gusmão tem sua casa destruída em um incêndio e vem a falecer no próximo ano, sem que sua família conseguisse saldar suas dívidas. Triste fim para esse que foi responsável por um dos maiores feitos diplomáticos de toda a história. Nada mais justo que se manter um ode a sua memória.
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