Livro Altamente Recomendável - Categoria Criança - FNLIJ 2009 Em "Insônia". Antonio Skármeta narra a história de um menino que não queria dormir. Todas as vezes que ele fecha os olhos. coisas fantásticas acontecem!
Graciliano Ramos was widely considered one of the most important Brazilian authors of the 20th century. He was a seminal voice in the literary "regionalism" movement. As a child Ramos lived in many cities of Northeastern Brazil, stricken by poverty and severe weather conditions (droughts). After high-school, Graciliano went to Rio de Janeiro where he worked as a journalist. In 1915 he traveled to Palmeira dos Indios, state of Alagoas, to live with his father and in 1927 he was elected mayor. In 1933 he published his first book, Caetés. A few years later he was jailed by the Getúlio Vargas government, on a charge that was never made clear. His experiences in jail would become a unique personal deposition, Memórias do Cárcere. Graciliano died in 1953, at the age of 60. His "dry" style of writing and the conflict between the id and the world are the significant marks of his works.
Treze contos de Graciliano Ramos que me impressionaram sobremaneira pela sua qualidade. Todos eles contos de grande intensidade psicológica e minuciosa caracterização social. A doença, o medo, a oposição política, a infância, o acabrunhamento face ao poder são temas caros a Ramos contista. Histórias de derrotados e proscritos narradas com vivacidade e sentido de humor. Destaco os contos Um Ladrão, Dois Dedos, Minsk, Uma Visita, A Prisão de J. Carmo Gomes. Excelente.
“Insônia” de Graciliano Ramos, ganhou nova edição em 2021 pela Editora Record que me enviou um exemplar de cortesia.
Essa é meu primeiro contato com os contos do autor, de quem eu já me considerava fã pela leitura de alguns romances.
Sua escrita direta, árida. Me causaram um impacto certeiro, aquele que vai direto da boca do estômago para o canto da boca e me deixaram completamente atônita. Muitas vezes precisei recuperar o fôlego ao ler a última linha daquela história antes de começar a refletir sobre o que tinha lido, outras vezes voltei ao início para reler apenas para confirmar se era exatamente aquilo o que eu tinha entendido.
Tentei ler um conto antes de dormir, fiz isso com o primeiro, que dá título ao livro, “Insônia” e não recomendo. Vai por mim, é melhor estar completamente alerta ao abrir esse livro, a maioria das imagens que ele constrói não é legal para se ter na cabeça antes de pegar no sono.
A edição conta com 13 contos, um posfácio - escrito por Letícia Malard -, seguido de algumas páginas com a vida e obra de Graciliano Ramos. Textos extras que podem enriquecer a leitura e ajudar o leitor a compreender a obra com uma visão mais abrangente sobre a época e condições em que os contos foram escritos.
A abordagem psicológica e dicotomia permeiam todos os contos que têm a predominância do monólogo interior. Jogos de sombras, a linha tênue entre realidade e delírio e a sensação de não-pertencimento e deslocamento, é comum em vários escritos.
Meu maior destaque vai para a sequência “O relógio do hospital” + “Paulo”, com atmosferas angustiantes, sombrias e que questionam a todo momento o limite da sanidade e loucura.
Gostei demais da experiência e mal posso esperar para conhecer a escrita de não-ficção do autor!
The style and pace of Graciliano Ramos in this book are very close to how I think of my own. Which makes it a bit confusing for me and harder to be fair than usual. That is to say, I don’t love it, because it sacrifices plot and impact just to play with words and create imagery. And everyone who writes usually hates what they write, so…
Notable stories: Insônia Um ladrão O relógio do hospital Minsk Dois dedos Silveira Pereira Stars: 3
“Insônia” é um daqueles livros que ajudam a entender como até um grande escritor pode derrapar feio. Há lampejos de boa literatura, mas o conjunto é frágil, irregular, frequentemente sonolento, o que é quase irônico para uma coletânea com esse título. O resultado não combina com a força que se espera de Graciliano Ramos.
O texto que dá nome ao livro, “Insônia”, já abre mal o jogo. Parece um ensaio de conto psicológico à moda de Edgar Allan Poe, com atmosfera, inquietação mental e tentativa de investigar o descontrole da mente. Só que a engrenagem nunca encaixa. Graciliano se aproxima demais do modelo e não consegue imprimir uma voz própria. O efeito é de pastiche: vemos o artifício, sentimos a ambição, mas não há densidade suficiente para sustentar a proposta. Para um conto que deveria ancorar a coletânea, é um começo fraco e desanimador.
Quando o livro melhora, melhora pontualmente, sempre em pequenos blocos. “Um Ladrão” é um desses respiros. O conto funciona bem porque Graciliano volta a um terreno em que domina: a observação microscópica, a cabeça de um homem comum em situação limite. A invasão de uma residência serve de gatilho para a torrente de pensamentos do criminoso, que oscila entre medo, cálculo e uma certa racionalização moral. A narrativa tem foco, ritmo e uma psicologia convincente. É um dos textos em que o autor parece acordar de verdade. As referências ao Gaúcho são geniais.
O ponto alto da coletânea surge em “O Relógio do Hospital”. Aqui se vê o Graciliano que justifica sua reputação. A experiência de um paciente em ambiente hospitalar, tomado pela ansiedade pré e pós-operatória, é conduzida num fluxo de consciência controlado, com forte senso de desorientação. A realidade se deforma na perspectiva do narrador, o medo e a anestesia distorcem o tempo e o espaço. O relógio passa a ser um marcador opressivo da própria vulnerabilidade. O clima lembra, em termos, o desespero concentrado em “O Último Dia de um Condenado à Morte”, de Victor Hugo, sem recorrer ao final abrupto.
“Paulo” tenta aproveitar esse impulso, funcionando como continuação de “O Relógio do Hospital”. Acontece que boa parte do impacto já se concentrou no texto anterior. O retorno ao mesmo universo atenua a tensão, dilui o efeito e o que poderia formar um díptico poderoso acaba soando como apêndice. Fica a sensação de reaproveitamento de matéria, sem o mesmo grau de intensidade.
Algo semelhante acontece com “Luciana” e “Minsk”. No primeiro, a figura da menina viva, criativa, espevitada, tem graça. O olhar infantil permite a Graciliano brincar com imaginação, pequenos conflitos cotidianos e um tipo de energia que contrasta com o tédio de outros contos. Em “Minsk”, continuação trágica, o foco está no periquito que entra na vida da menina. A tragédia poderia alcançar um tom mais pungente, mas a execução não aprofunda como poderia. O material é bom, a construção emocional fica pela metade.
“A Prisão de J. Carmo Gomes” é interessante pelo contexto. A história acompanha uma mulher tomada pelo medo de ser acusada e presa em plena Revolução de 1930. Ela não se sente segura em lado nenhum, teme tanto governistas quanto comunistas, carrega a sombra da participação do irmão em grupos de esquerda. O clima é de angústia e insegurança política. Hoje o conto ganha um peso extra por dialogar com a futura prisão do próprio Graciliano, em 1936, acusado de envolvimento comunista. Posteriormente, o autor foi filiado ao PCB - Partido Comunista Brasileiro. O livro ainda respira.
Em “Dois Dedos”, um homem visita, depois de décadas, o amigo que se tornou governador. O conto se sustenta razoavelmente bem, sem atingir grandes alturas, mas até esse ponto da leitura ainda existe alguma esperança de que a coletânea se mantenha ao menos mediana.
A partir daí, o nível cai de forma nítida. “A Testemunha” apresenta uma audiência com um juiz em que o personagem se perde nas perguntas, esmagado pelo juridiquês e pela insegurança. A ideia é boa, o sentimento de inadequação diante da linguagem técnica tem muito espaço para provocar desconforto, mas o desenvolvimento patina.
“Ciúmes” tinha material para ser dos melhores textos do livro. Uma mulher ouve a fofoca sobre uma possível traição do marido que ela despreza. E começa a refletir sobre as próprias qualidades, o valor que tem, o lugar que ocupa. O tema é forte, abre espaço para examinar ressentimento, autoestima e desejo de ser desejada por quem não se estima. O conto passa por isso em velocidade baixa, superficial, sem dar à personagem a complexidade que merecia. Parece o rascunho de algo grande.
Em “Um Pobre-Diabo”, vemos um homem que se apequena diante do discurso de um deputado. A crítica à retórica política e ao fascínio pelo poder está ali, mas o protagonista não ganha espessura, o texto termina sem deixar rastro. “Uma Visita” vai além na sensação de tédio. É daqueles contos em que o leitor acompanha a situação esperando uma virada que não chega. O alívio real é perceber que o livro está perto do fim.
Curiosamente, o encerramento vem com “Silveira Pereira”, um conto acima da média do conjunto e de tom mais divertido. Um jovem se encanta por um homem na pensão em que moram, imaginando estar diante de um grande intelectual capaz de validar suas ambições literárias. Há ironia, há jogo entre expectativa e realidade. A figura de Silveira Pereira funciona como espelho das ilusões de quem escreve e busca aprovação. Não salva o livro, mas fecha a experiência num ponto menos deprimente.
No balanço geral, “Insônia” parece um volume montado com sobras, rascunhos e algumas boas ideias antes abandonadas. Quando Graciliano acerta, lembra ao leitor do que é capaz. Quando erra, entrega contos inacabados, frágeis, por vezes aborrecidos. Para quem conhece a potência de outros livros do autor, esta coletânea soa como um desvio menor na obra, um registro curioso, com dois ou três contos realmente interessantes cercados por uma massa de material pouco inspirado.
"Insônia" é o título do livro, mas o sono é um companheiro constante durante a leitura desses contos. Os quatro primeiros contos são bons, fiquei entusiasmado com a atmosfera psicológica que as histórias foram construídas, mas o restante não funcionou. Os outros contos são horríveis, parecem inacabados. Também notei uma chuva de expressões racistas, misóginas e homofóbicas, o que contribuiu para o meu descontentamento com a leitura. Refleti um pouco sobre essa leitura, tentei separar um pouco a minha visão contemporânea para não ser anacrônico e desconsiderar o contexto em que os contos foram escritos. Cheguei à conclusão que a leitura não foi proveitosa, senti-me extremamente incomodado enquanto lia esses contos sujos de uma amarga visão de mundo. Estou extremamente decepcionado com esse livro. Com exceção dos quatro primeiros contos, e do conto "Dois dedos", nada presta.
Insônia é um livro escrito sob o signo do delírio; mas um delírio cheio de mesóclises. São contos que parecem incompletos, o que não quer dizer que sejam maus. Apenas incompletos.
Mais uma vez Graciliano como um mestre da forma no Português. A escrita de sempre, ríspida, rápida, sintetizada, não há tempo para sentimentalismos. Em 15 contos, Graciliano vai tratar a ansiedade dos tempos modernos, a inquietude do moribundo, a angústia do "cidadão comum" frente uma oligarquia, à falta de conhecimento e a de expectativas, e a crítica à contradição (ou hipocrisia) de cidades que ao mesmo tempo buscavam se modernizar mas mantinham o conservadorismo no âmago.
Tudo isso usando uma introspecção absurda num nível muito pessoal de cada protagonista, entramos na cabeça de cada um. Há uma certa obsessão pelo cotidiano presente nos personagens, e muitas vezes (não sempre) os acompanhamos divagando sobre as coisas mais ordinárias já que os contos não são sobre os acontecimentos em si mas a percepção de cada personagem no contexto apresentado.
São 15 contos que foram escritos em períodos muito diferentes na vida do autor, de momentos felizes com as filhas aos momentos na prisão no Rio (alguns dos melhores como "O relógio do Hospital", "Paulo", e "A testemunha" foram escritos justamente em 1936). Assim não há como negar uma diferença na atmosfera, foco e até qualidade entre alguns deles. Muitas histórias claramente faziam parte de ideias que Graciliano provavelmente trabalharia numa escala maior, assim como aconteceu com o capítulo da Baleia e Vidas Secas. Com essas variações 4 estrelas são o suficiente.
Insônia é geralmente considerada um item descartável na bibliografia do velho Graciliano, e na minha opinião, isso é algo bastante injusto. Eu pessoalmente considero essa obra como um sucessor espiritual de "Angústia", no sentido de que muitos dos temas e elementos narrativos tocados na história de Luís da Silva estão presentes em vários desses contos, como a paixão e o lado menos idealizado do amor ("Ciúme", "Um ladrão"), tormento interno ("Insônia", "Um ladrão", "Relógio do Hospital / Paulo", "Ciúme"), morte e perda ("Minsk", "A prisão de J. Carmo Gomes"), comentário político ("Um pobre diabo", "A prisão de J. Carmo Gomes") e o crime ("Um ladrão"). Tudo isso se junta em contos que, embora confusos e labirínticos em muitos casos, são uma maneira mais mastigada de entender a genialidade de Graciliano, que brilhou de forma mais forte em seus romances.
A miséria constante e real presente nas obras do russo Dostoiévski aparece como influência em muitos contos. O conto que dá título ao livro nos apresenta um narrador sem nome que divaga e sofre em um episódio que a descrição mais próxima seria a paralisia do sono. A maneira como os pensamentos fluem dentro da cabeça dele é mostrada de uma forma digna dos atores existencialistas contemporâneos a Graciliano. "Um ladrão" explora a psique de um criminoso que se assemelha a "Angústia" no sentido de ser atormentado por memórias passadas, as misturando com o presente e vendo tudo desabar de forma brusca, como um soco na cara, que é como Graciliano quis que a obra fosse lida e interpretada: o soco na cara da realidade contra nossos próprios idealismos e romantizações.
(Esta resenha está sujeita a edições no futuro. Não sei se isso é permitido no site, mas vou ter que aprender da pior forma.)
Não conhecia a versão contista de Graciliano Ramos d fiquei positivamente surpreendido. Os contos são na sua grande maioria muito bons e alguns bastante densos e psicológicos. Graciliano não floreia na linguagem e, mesmo assim, consegue transmitir muito bem os acontecimentos, sentimentos e angústias das personagens dos contos. Esta edição que li ainda possui um posfácio muito bom que enquadra os contos dentro da época da vida de Graciliano. Podemos então ver que há nos contos uma grande componente auto biográfica. Alguns dos contos foram escritos enquanto Graciliano esteve preso. Vale a leitura para conhecer um lado diferente do escritor.
O primeiro capítulo que dá título ao livro é bem marcante e inesquecível, a sensação claustrofóbica e alucinante da insônia. Depois disso, o livro caminho entre capítulos muito interessantes e outros muito esquecíveis. O capitulo do ladrão que parece querer ser pego em uma auto sabotagem infinita a um roubo fácil demais me agoniou O livro caminha muito ao lado da política também e fiquei bem impressionada com as semelhanças do movimento verde amarelo da época de 40 com o da época atual, lunáticos iguais. Assustador. O capitulo do cara que vai visitar o político que esquece quem ele era, me marcou bastante.
O capitulo da guria e do periquito dela é um trauma que não vou me curar.
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Contos extremamente humanos e cativantes. Fui sequestrada de imediato pelo modo genuíno de contar de Graciliano. Alguns contos foram muito tristes, um me arrancou uma lágrima ao reconta-lo, outros me deram a impressão de ser tão real, tão verdadeiro, tão Brasil, que por vezes parava e pensava “e nada mudou.” Em suma, uma experiência incrível! Atenção especial aos contos: “O Relógio do Hospital", “Paulo”, Luciana" e “Minsk", e o perfeito: “A prisão de J. Carmo Gomes".
Livro de contos que parecem soar inacabados, mas que na verdade são fragmentos da vivência de Graciliano no período em que esteve preso (nem todos foram escritos na prisão). “Paulo” e “O relógio do hospital” nos fazem sentir na carne as agonias e dores do mestre Graça.
Insônia ⭐⭐⭐⭐ Um ladrão ⭐⭐ O relógio do hospital ⭐⭐ Paulo ⭐⭐ Luciana ⭐⭐ Minsk ⭐⭐⭐ A prisão de J. Carmo Gomes ⭐⭐⭐⭐⭐ Gomes ⭐⭐ A testemunha ⭐⭐ Ciúmes ⭐⭐⭐⭐ Um pobre-diabo ⭐⭐ Uma visita ⭐⭐⭐⭐ Silveira Pereira ⭐⭐
Sim ou não? Há uma angústia perturbadora nas escolhas que são oferecidas para cada personagem dos contos de Insônia. Do ladrão ao médico, da mulher traída à menina enlutada — cada um ansioso pela utopia, porém banidos da sua capacidade de sonhar.
Já fazia alguns anos que não lia Graciliano Ramos. Em "Insônia", Graciliano apresenta uma série de contos, e alguns deles compartilham alguns personagens.
Muito interessante recolha de contos de Graciliano Ramos numa bela e velha edição brasileira de 1961 que arranjei na Vandoma por... 1 euro. Contos sobre pobres-diabos (Um Ladrão e Dois Dedos, os melhores), um conto político (A Prisão de J. Carmo Gomes) e o díptico Luciana / Minsk que são exemplos brilhantes que ilustram o universo infantil, em conjunto com os restantes textos, revelam um grande escritor do qual tinha apenas lido há muitos anos o célebre Vidas Secas que à altura me impressionou bastante.