Em Apague a luz se for chorar, duas narrativas se entrelaçam para compor um retrato do interior do Brasil e pensar até onde é possível esconder um segredo de família.
Cecília não sabe muito bem o que fazer com a própria vida. Depois de mudar de Brasília para o Rio de Janeiro, a jovem ainda não conseguiu encontrar um emprego nem organizar seu futuro. João, pai solteiro de uma criança com paralisia cerebral, tenta levar a vida em Brasília como pode. Trabalha como veterinário na capital federal durante o dia e procura formas de ganhar mais dinheiro à noite — o objetivo é juntar quantia suficiente para bancar um tratamento experimental para o filho. Quando os pais de Cecília morrem, ela é forçada a voltar para a pequena cidade de sua infância, onde eles ainda moravam. Mas uma dúvida começa a atormentá- a possibilidade de que eles foram assassinados. E João, desesperado por mais recursos, começa a se aventurar por trabalhos pouco recomendáveis. Ao cruzar suas histórias, Fabiane Guimarães cria um suspense impactante sobre o que significa ser parte de uma família, e os limites que estamos dispostos a ultrapassar para mantê-la.
FABIANE GUIMARÃES nasceu no interior de Goiás, em 1991, onde cresceu e começou a escrever ainda criança. Jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB), é autora da novela seriada "Pequenas esposas", publicada pela revista digital AzMina, além de diversos contos em antologias e revistas semanais. Apague a luz se for chorar é seu primeiro romance.
Eu adoro quando leio livros que aparentemente são muito simples e rápidos, mas que se mostram obras profundas e emocionantes em pequenas frases e reflexões dos personagens. Esse livro aqui é um drama, mas tem resquícios de suspense e uma leve comédia, o que pode dar a impressão de que é um livro raso. Não é. Me peguei muito tocado e emocionado com os dois personagens principais, especialmente em frases como:
"Não dá para pedir permissão para ir embora de quem nos ama tanto, e vai sentir nossa falta" ou
"No abismo, o escuro é morno" ou
"Eu estava cega, provavelmente trafegando em plena rodovia a uns trinta quilômetros por hora, com a janela meio aberta espirrando gotas geladas na minha cara. Tinha água até dentro dos meus olhos" ou
"Os animais tinham essa qualidade maior de saber que não daria certo. Os cães, em especial, com toda uma linguagem corporal do fracasso: orelhas caídas, pelo eriçado, rabo em descenso. Eles não sabiam fingir. Eles não tinham que fingir, mais importante de tudo." ou
"porque dizer adeus não adianta. a gente carrega conosco as pessoas, mesmo as mortas, mesmo as desconhecidas"
Tá vendo? Em meio a um drama familiar, personagens quebrados, com saudade, machucados, vão nos mostrando como é viver com o fardo das lembranças, do que poderia ter sido, do porque não fizemos diferente, do que por que não ligamos, por que não tomamos uma decisão diferente, do por que precisamos seguir em frente, porque quando a gente não sabe o que fazer, seguir em frente é a única opção.
"Às quatro da tarde, finalizada a feirinha de adoção, sobraram dez cães. Dez vira-latas que não tinham sido bonitos o suficiente para cativar um dono, e agora se contorciam em cercados de arame, o pelo lustroso arrepiado de tristeza. João sempre ficava deprimido quando era obrigado a levá-los de volta. Os que nunca eram escolhidos. Focinhos malhados, manchados e feridos, não tinham sido capazes de seduzir nenhuma das famílias que por ali passara, que só procuravam raças e portes específicos."
"Os animais tinham essa qualidade maior de saber que não daria certo. Os cães, em especial, com toda uma linguagem corporal do fracasso: orelhas caídas, pelo eriçado, rabo em descenso. Eles não sabiam fingir. Eles não tinham que fingir, mais importante de tudo."
Li esse livro em dois dias, só à noite, depois de encerrar o trabalho na tese naquele dia, que geralmente é quando não quero fazer mais nada da vida. Isso pra dizer que o livro é instigante. Confesso que achei a Cecília meio chata, e o João uma pessoa péssima, mas isso não diminuiu minha vontade de ler, talvez porque a construção deles assim tenha sido proposital. A gente entende de onde tudo vem. Lá pelas tantas do livro a gente acha que entendeu a relação entre as vidas dos dois, mas NÃO, e quando a natureza do envolvimento se revela é 10/10. Melhor parte do livro. Ia falar meus sentimentos quanto ao Caio, mas aí qualquer coisa que eu disser vai ser spoiler, porque ele aparece sob o ponto de vista da Cecília, portanto dúbio.
Nada como uma história simpática que aborda as perdas, as dores, as incongruências do cotidiano e os medos, que estão sempre à espreita.
Com uma escrita agradável, a autora compõe uma trama interessante de se acompanhar, de modo que, sob a ótica de Cecília e João os capítulos se dividem acerca das vivências de cada um, dos conflitos que carregam, até culminar em um elo inesperado ao final.
Ambientada na cidade de Pirenópolis, ponto alto de turismo no Estado de Goiás, a autora traz algo de misterioso e caótico, fazendo com que somente ao fim se possa compreender o porquê de determinadas situações. É, portanto, uma obra agradável. A sensação de que faltou algo permanece, mas ainda assim foi uma ótima leitura. Ademais, conhecendo a cidade que a autora ambientou sua obra, a experiência se tornou mais próxima e intimista, ainda que discorde quanto ao fato de caracterizar a cidade como pacata.
Tak szczerze to spodziewałam się czegoś innego. Chwilami było dosyć nudno. Podobała mi się końcówka w której wreszcie dwie narracje się łączą, ale to będzie raczej książka o której szybko zapomnę.
pois bem, eu comprei o livro na pré-venda porque ele apareceu pra mim como propaganda no instagram. romance contemporâneo que se passa no cerrado em que cresci e vivi. nem precisei ler a sinopse pra decidir comprar.
de um lado, um joão que representa a malícia, a racionalização e nos coloca na parede porque possui elementos fortes tanto de identificação quanto de repulsa. do outro, uma cecília que parece boiar nos próprios acontecimentos de sua vida, sendo vítima da escolha dos outros enquanto joão é quem faz as suas.
leitura agradável, sem melodrama desnecessário e recheado de referências que aquecem o coração de quem conhece bem o meio do brasil, suas peculiaridades, sua geografia e sua gente. foi uma ótima leitura para me recuperar de uma ressaca literária, e só seria melhor se eu tivesse devorado o livro deitado em uma rede na cidadezinha de pirenópolis.
Confesso que o título não estava inspirando confiança, sei lá, me remetia a um clima meio Rupi Kaur, que possui seus méritos, mas não é a minha vibe..
O que encontrei nesse livro foi total o contrário da literatura contemporânea que quer lacrar.
O romance versa sobre um segredo familiar, que vem à tona com a morte dos pais de Cecília.
Os capítulos possuem o nome Cecília e João. No início, a gente não entende muito bem por que João entra na história - narrado em 3a pessoa, enquanto Cecília é quem conta suas coisas. Acho até que pensei que João pudesse estar ligado a ela de outra forma, pode ter sido uma peça que a autora quis pregar, não sei bem. Houve uma ocasião que não sei se foi falta de atenção ou a coisa realmente escapou, uma frase em primeira pessoa largada assim do nada em um capítulo todo em terceira... prefiro acreditar que foi falta de atenção minha.
Gostei muito do mistério que Fabiana cria a partir da morte simultânea dos pais de Cecília e como outros personagens aparecem para que a gente tb fique com a pulga atrás da orelha.
Nossa mas que.... anêmico. Bem parecido com Raphael Montes em seus piores momentos. A diferença é que a a trama amarradinha dele compensa os personagens fraquinhos. Aqui, nem um pouco. O plot twist, putz... não diz nada sobre o restante da história. Fraco. Simples. Esses são os adjetivos pra esse romance.
Boa leitura! Fabiane Guimarães construiu um livro de escrita fácil e versando sobre temas não muito comuns. Uma obra bem original, mas não me marcou muito..
Arrastei esse livro xoxo, porque desde o primeiro capítulo me senti subestimada pela escritora. No fim, tive certeza. A narrativa enrolou demais um dito “suspense” — assim, tedioso — e quando faltava 20% para o fim do livro: mistério desvendado de maneira muito literal, de novo, subestimando a inteligência da pessoa leitora. Poderia ter terminado o romance na carta e ganharia duas estrelas. Eu dei uma.
Fui fisgada por essa leitura logo nas primeiras páginas! Os dois personagens principais são veterinários, Cecília está passando por um processo de luto, após seus pais serem encontrados mortos em uma situação estranha e João é pai solo de uma criança que precisa de muitos cuidados. Ambos precisam lidar com o peso de suas escolhas e de seus erros. A narrativa é tão simples, mas tão emocionante que finalizei a leitura em um dia, o que é bem incomum pra mim. É instigante a forma como a vida dos personagens segue de maneira paralela, e durante todo livro existe uma expectativa de qual é a verdadeira ligação entre eles e se se encontrarão em algum momento. Foi minha primeira experiência com a autora e já coloquei outro livro dela na lista.
Li esse livro na hora certa! A narrativa é uma delícia e impossível de largar. Os dois pontos de vistas trazem muito dinamismo à história, que também ajuda a equilibrar bem as emoções. Este é um livro que vai te fazer pensar, se relacionar, te abraçar, te fazer rir, e chorar — tudo em uma só viagem.
Gostei bastante do final (acho, talvez a linguagem só tenha sido bonita o suficiente pra me ganhar), mas parece que faltou início e meio pra ele ter algum impacto de fato. Foi meio impossível me apegar aos personagens.
Wspaniała historia dwóch bohaterów ukazująca ich najcięższy moment w życiu. Język jest tak wyjątkowy i tak przenikliwy ze to jest po prostu piękne widac i czuc talent autora, a to piękne skrzyżowanie dróg głównych bohaterów po prostu wow, tak bardzo smooth przejście, ukłony. A No i zapomniałam o wątku eutanazji, czy warto dopuścić do ,,śmierci na własnych zasadach’’?
Achei interessante a escolha de temas abordados: morte, envelhecimento, luto, deficiência, culpa, superproteção e todos os assuntos que tangenciam a história e são inúmeros que podem puxar outras janelas de conversa e reflexão, por exemplo, a decisão do momento da partida. Senti falta de um fechamento melhor para a história do joão com os cachorros, mas num geral achei uma boa leitura.
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poprawna, ale zdecydowanie zbyt krótka przez co brakowało jej głębi a szkoda bo motywy były bardzo ciekawe i nie wydaje mi się żebym czytała podobną pozycję
troubled ojciec z ciężko chorym synem, ktorego chce poddać nowemu leczeniu i dziewczyna z paranoją
Um livro super rápido de ler, com uma prosa ágil que me fazia querer sempre ler o próximo capítulo. Não me apeguei tanto aos personagens (acho que a forma mais direta de narração não fez com que eles fossem aprofundados), mas ainda assim gostei muito de ler.
"porque dizer adeus não adianta. a gente carrega conosco as pessoas, mesmo as mortas, mesmo as desconhecidas"
a escrita da Fabiane me conquistou demais! tão bonita mas ainda assim simples, despretensiosa, cheia da poesia crua da vida real. a história é muito envolvente — às vezes acho livros com pontos de vista alternados cansativos, mas aqui funcionou demais, e deixou a leitura ainda mais viciante. o toque de mistério foi um elemento legal, e apesar de eu ter descoberto o final antes de chegar lá, isso não atrapalhou em nada a experiência — afinal, o livro é sobre muito mais. citações lindas, uma história curta mas bem construída e uma mensagem sensível. quero ler mais da autora!
Trama e escrita fracas. Em alguns momentos parece que tenta criar frases profundas e poéticas, mas que ficam forçadas e sem sentido. Mas o pior pra mim foi ser extremamente capacitista. Já no início chama uma criança com paralisia cerebral de deformado e vegetal. E mantém esse tom por todo livro, tratando a criança como uma alma “presa” num corpo e necessitando de um milagre, enquanto trata as dificuldades do pai de forma superficial.