" ... para chegar às dinâmicas de ciclo começo pelo princípio: monitorização das fases, entendimento das curvas hormonais, quotidiano e cuidado geral, e depois sim, um olhar cuidadoso, gentil e, sobretudo, individual para a forma como cada pessoa se expressa no ciclo e como ele se expressa nela, e depois uma análise do que é que isso nos diz, o que há para ajustar e para manter.
O que gosto de deixar claro é que a ciclicidade não é uma desculpa para alimentar o mito de que somos instáveis, tantas vezes usada também por nós quando nos desculpamos com um «estou à espera do período» ou atiramos essa justificação, em tom pejorativo (logo dispensável), para alguém que está mais reativo. A natureza cíclica das hormonas sexuais ováricas não é uma «autorização» para nos comportarmos como nos apetece e desculparmo-nos com elas.
É exatamente o contrário: é um convite à ação!
Quando escolhemos fazer este trabalho de autoanálise, ele é útil porque ajuda a identificar as coisas que precisamos de mudar - estas são aquelas que se tornam ciclicamente recorrentes na nossa atenção. Reconhecer o ciclo em mim é um desafio à responsabilidade sobre mim própria, sobre conhecer-me e reconhecer-me na minha dinâmica interna, nesta dança hormonal que ora me dispõe a «X» ora a «Y», sabendo que, da mesma maneira que o dia dá lugar à noite, a flutuação entre os contrários potencia e abre espaço para que possa encontrar o meu «caminho do meio», entendendo que este também será diferente nas diferentes fases da minha vida, que interajo diariamente com o que me rodeia e que a vida acontece.
(...)
A liberdade faz-se disto: informação, opções e responsabilidade.
O ciclo menstrual também."
Páginas 168 e 169