Nossa tradição educacional sempre negou a existência de uma pluralidade de normas lingüísticas dentro do universo da língua portuguesa; a própria escola não reconhece que a norma padrão culta é apenas uma das muitas variedades possíveis no uso do português e rejeita de forma intolerante qualquer manifestação lingüística diferente, tratando muitas vezes os alunos como “deficientes lingüísticos”. Marcos Bagno argumenta que falar diferente não é falar errado e o que pode parecer erro no português não-padrão tem uma explicação lógica, científica (lingüística, histórica, sociológica, psicológica). Para explicar essa problemática, o autor reúne então n’A LÍNGUA DE EULÁLIA as universitárias Vera, Sílvia e a esperta Emília, que vão passar as férias na chácara da professora Irene. Sempre muito dedicada, Irene se reúne todos os dias com as três professoras do curso primário, transformando suas férias numa espécie de atualização pedagógica, em que as “alunas” reciclam seus conhecimentos lingüísticos. Mais do que isso, Irene acaba criando um apoio para que as “meninas” passem a encarar de uma nova maneira as variedades não-padrão da língua portuguesa. A novela flui em diálogos deliciosamente informativos. A LÍNGUA DE EULÁLIA trata a sociolingüística como ela deve ser com seriedade, mas sem sisudez.
Marcos Araújo Bagno é um intelectual, professor, doutor em filologia, linguista e escritor brasileiro. É professor do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da Universidade de Brasília, doutor em filologia e língua portuguesa pela Universidade de São Paulo, tradutor, escritor com diversos prêmios e mais de 30 títulos publicados, entre literatura e obras técnico-didáticas. Atua mais especificamente na área de sociolinguística e literatura infanto-juvenil, bem como questões pedagógicas sobre o ensino de português no Brasil. Em 2012 sua obra As memórias de Eugênia recebeu o Prêmio Jabuti.
um ótimo livro! a linguagem bem acessível faz com que as ideias da sociolinguística sejam apresentadas de uma forma lúdica e não cansa o leitor de maneira nenhuma. adorei a leitura e me interessei ainda por mais por sociolinguística! obrigada, Bagno!💖
É um livro extremamente irritante se for analisado por seu enredo. Toda a narrativa com as quatro personagens principais é apenas uma maneira de deixá-lo mais tolerável. MAS o lado científico desse livro, a fenomenologia da linguagem é fascinante. Recomendo àquelas pessoas que adoram ler e gostariam de aumentar seu vocabulário e conhecimento histórico da língua sem muita enrolação. tl;dr SO FUCKING DONE
obrigada professor sandro de sociolinguística, por sua causa eu vou ter lido pelo menos um (1) livro este ano!!! e o livro é muito bom no que se propõe. é um livro teórico com uma roupagem de ficção. a linguagem é bem acessível!
The commentaries on linguistic phenomena are very interesting, but the gap-filling story of the characters is annoying (just skip those parts and go straight to the next explanation part)
Tive que ler esse livro para a disciplina de Introdução aos Estudos da Linguagem, mas foi uma leitura sugerida pelos professores de literatura e tradução também, então imaginei que fosse algo bem importante para a formação de quem é de Letras.
Assim, dá pra entender porque todos os professores indicaram a leitura desse livro, porque realmente é muito interessante, trata das variações linguísticas de uma forma bem didática e simples, é importante e fácil de entender. Mas ao mesmo tempo, sobre essa questão de ser simples, ele acaba sendo um pouco repetitivo e até bobo, por causa da história em si que o Marcos Bagno criou.
Afinal, "A Língua de Eulália" não é só um livro teórico, ele tem uma história que acaba servindo para explicar os fenômenos de variação linguística. Só que essa história é, pra ser bem sincera, desnecessária. Parece uma forma de introduzir esse tema a adolescentes, por exemplo, mas quem se interessar por ler isso muito provavelmente é da área, então não tem motivo pra fazer toda a historinha.
Mas okay, é um livro bom, achei que os fenômenos ficaram bem explicados, e foi ótimo ter lido já na primeira fase, porque acho que é quando a leitura desse livro é ideal.
O livro tem como subtítulo "Novela Sociolinguística", mas a parte do enredo ficcional pode ser desconsiderada pois é de longe a parte mais desinteressante do livro. Seu propósito é ser um livro simples, acessível e interessante sobre sociolinguística e ele o cumpre perfeitamente. Os exemplos trazidos pelo autor são ótimos e ajudam na compreensão das explicações para mudanças linguísticas e diferenças entre variantes. Recomendo a leitura com o esforço de ignorar a parte da história para focar na parte da teoria.
Que livro incrível!!! Sério, levei um choque quando comecei a leitura. A ideia de colocar um assunto que, normalmente, iria ter um vocabulário mega elaborado para abordar o assunto, o livro o envolve em uma narrativa muito gostosa de acompanhar.
Acho que nunca, na vida, fiquei tão deslumbrado com a língua portuguesa depois desse livro.
Para quem está começando na área de Letras, é extremamente valioso. Para quem já está há um tempo e quer revisar estudos das variações da língua, muito útil.
Não aproveitei a leitura, até achei entediante, talvez por ainda lembrar de praticamente tudo citado no enredo. É o que vai acontecer com qualquer um que tenha tido ótimas disciplinas de fonética, fonologia e sintaxe.
O livro é muito bem escrito e ajuda a compreender como o preconceito pode ser expressado também na forma de se comunicar. Mostra uma necessidade urgente de uma aprendizagem crítica do português e mais conectada com a realidade.
Muito bom entender as ferramentas conservadoras por meio da linguagem padrão culta que é por si só inatingível.
Como um texto teórico e didático para explicar linguística ele é maravilhoso, mas como texto literário é tenebroso. Eu quis me matar a cada página lida. Só li por obrigação da disciplina de Sociolinguística e provavelmente vou usar ele para elaboração de alguns materiais, mas gostar eu não gostei não.
[da faculdade] um saco. olha o conteúdo do livro em si é extremamente interessante, mas tudo que consigo aprender tranquilamente na minha aula, agora o fato de ser uma novela tornou o livro maçante pq as personagens são insuportáveis de chata
Uma leitura que deveria ser pedida no Ensino Médio, ela soluciona dúvidas que todo aluno possui mas fica com vergonha de perguntar, justamente por conta do problemático preconceito linguístico, que também seria muito bem combatido se não só alunos, mas pais, professores, diretores e qualquer um interessado em educação e na própria língua portuguesa lessem essa obra interessantíssima de Marcos Bagno. "Uma delícia!", como diria Emília.
Achei um livro muito interessante, e o leitor que venha mais para as explicações de Bagno sobre linguística tem que se preparar um pouco já que algumas partes da narrativa podem ser um pouco chatas, mas olhando em geral na minha visão de ter feito uma resenha para a faculdade eu fiquei cativada pelo estilo de escrita do autor e o modo que ele decidiu apresentar a linguística nesse livro.