Hacer del mundo un atelier. Hacer de uno mismo un taller, y de la naturaleza, y del cosmos. Esa es la operación de "Los diferentes modos de existencia" (1943). Étienne Souriau (1892-1979) fue un reconocido profesor de estética en la Sorbona. En Los diferentes modos de existencia (1943), la experiencia del artista que dialoga con una obra inacabada pero que ya existe por sí misma, se convierte en la clave de una cosmología. Porque todo, una obra de arte, un concepto filosófico, un objeto científico, pero también una roca o una mesa, y nosotros mismos, ya existimos pero inacabados, a medio camino, como en penumbras. Todo existir exige entonces un esfuerzo, exige un “proceso de instauración”, y por lo tanto requiere un arte. Souriau dice que su libro se ofrece como una “gramática de la existencia” para ese “arte de existir”. Los modos de existencia son los elementos con los que se hacen las obras-existencias: elementos fenoménicos, reicos, imaginarios, posibles y virtuales, junto con los pasajes de unos a otros, y los acontecimientos. Y no se unifican en totalidades prefabricadas –no hay sujeto ni objeto como punto de partida–, sino en combinaciones por hacer, que a través de ecos y respuestas mutuas, producen “existencias de segundo grado”, las “sobreexistencias”, a la manera en que una pluralidad de voces, fragmentarias y en sí mismas arbitrarias, producen un acorde. La edición va acompañada del artículo de Souriau “Del modo de existencia de la obra por hacer” (1956), y por una introducción de Isabelle Stengers y Bruno Latour que presenta al autor y su obra, y ofrece algunas pistas sobre su importancia para el debate contemporáneo en torno de la filosofía y la epistemología de las ciencias.
Souriau is master of analogy. He has the uncommon talent of being able to simplify the extremely complex (for which, being an intermediate student of philosophy, I'm indebted), while maintaining a lyrical mode of discourse.
"Sensations are the din of the phenomenon, as it were; while the innumerable and delicate nuances of the sentimental essences, or the somber glimmers, the vague flashes upon the shadowy background of pure thought, of moral or philosophical meditation, or even of mystical experience, are the notes and chords of its music."
Até tentei pensar e escrever uma resenha desse livro mas realmente não sei o que dizer. A investigação de Soriau é interessantíssima, instigante e profundamente cética sobre seus próprios trajetos, mas não consigo fechar uma conclusão sobre seu pensamento. Talvez por sua errância, talvez por sua recusa à formular suas próprias conclusões e sistematizações. Os problemas são colocados de forma excelente, e a pluralidade dos modos de existência é, sem dúvidas, um campo conceitual a ser tensionado. Mas não consigo apontar Qual o Ponto de Soriau. Há diversos trechos brilhantes, mas sinto que o livro se perde em suas incursões. Gostaria muito que outros que leram me dessem suas opiniões, porque pra mim, nessa primeira leitura, o argumento não desceu. A unificação pela noção de sobre-existência me soou mal justificada, a discussão sobre a Obra é riquíssima e por vezes brilhante mas incomoda a ausência de discutir Trabalho (algo latente na discussão apenas), a questão valorativa dos modos de existência é estranha. Fica a dúvida se fui eu que não entendi ou se o autor que não soube se explicar. I mean, a leitura não é especialmente difícil. Ele é até bem didático, e explica bem suas incursões. Mas seus argumentos e conclusões são opacos, torna-se um trabalho de anatomista explorar o Porquê do pluralismo de Soriau. Analogias e analogias embolam o conteúdo: me pergunto se há algo por trás da bagunça. Claro e confuso. Por vezes, prefiro o contrário: obscuro e distinto. Enfim, leitura estimulante e intrigante, mas por vezes frustrante.
Um troféu Joinha para quem desenvolveu o design deste livro. A capa vem com um papel alumínio colado que vai se desfazendo toda a vez que tocamos nele, espalhando pedaços pela capa. Uau, conceitual! Mas nada prático. Já o conteúdo do livro é uma filosofia hardcore praticamente inteligível numa primeira leitura. Talvez na terceira. Fui atrás deste livro porque alguns outros livros tinham citado o autor, Étienne Souriau, como uma referência para o estudo das identidades. Contudo, ao ler o livro, não gostei nada da forma como ele é escrito e da forma como o texto é apresentado. Deve ser por isso que ele precisava de uma capa conceitual assim.