Coletânea de textos essenciais para compreender a dimensão política do cinema, por um de nossos maiores críticos.
Jovem militante de esquerda, Paulo Emílio Sales Gomes foi preso na repressão que se seguiu à tentativa de tomada do poder pelos comunistas em 1935. Fugiu da cadeia e exilou-se em Paris, onde foi apresentado ao cinema. Lá acompanhou os processos de Moscou, o que o levou a abandonar o Partido Comunista para construir um pensamento de esquerda independente no Brasil. Frustrado com o processo de democratização, deixou a política partidária para mergulhar de corpo inteiro na crítica e no ensino de cinema. Esta antologia, que abarca textos escritos entre 1935 e 1973, apresenta uma súmula da trajetória intelectual do crítico que fez do cinema brasileiro uma plataforma de observação da luta permanente do país para superar o subdesenvolvimento e a dependência colonial. Com escritos que tratam desde Maiakóvski e George Orwell até Cinema Novo, de socialismo a fascismo, Cinema e política condensa a contribuição original de Paulo Emílio à cultura brasileira.
Paulo Emílio Sales Gomes foi um historiador, crítico de cinema, professor, ensaísta e militante político brasileiro. Foi figura central na fundação da Cinemateca Brasileira, na criação do Festival de Brasília e dos cursos de Audiovisual da Universidade de Brasília e Universidade de São Paulo, onde lecionou até o final de sua vida. Paulo Emílio transformou-se também em defensor ferrenho do Cinema Brasileiro após uma conversão que chamaria de "descolonização" contra a cinefilia estrangeira. Sua defesa foi pioneira em favor de políticas culturais que sustentassem a produção cinematográfica brasileira, como o financiamento estatal. Sobretudo, sua influência como crítico de cinema e ensaísta inspirou os diretores do movimento cinematográfico brasileiro Cinema novo. Foi casado com a escritora Lygia Fagundes Telles.