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"Queria despertar-te para uma desnudez como a de uma noite de precoce primavera, quando as estrelas se derramam e a terra arde sob a neve que se derrete. Queria ver-te cair uma só vez nas trevas do caos criador, queria ver os teus olhos como um espaço aberto de par em par, dispostos a encher-se, queria ver as tuas mãos como flores abertas, vazias, novas, expectantes.
Vais-te e não te deste conta de nada disso. Nunca cheguei até onde o teu ser jaz nu. Vais-te e não levas nada de mim — abandonas-me à derrota.
Lembro outra despedida: arrojaram-nos do crisol como um só ser, e ao separar-nos, já não sabíamos o que era eu e o que eras tu... Mas tu — como uma malga de cristal foste-te da minha mão, tão acabado como uma coisa morta e tão alterado, tão sem outras recordações como as impressões digitais, que se lavam na água.
Queria despertar-te da amorfina de uma bruxuleante chama informe que encontra no fim a sua forma viva, a sua própria... Derrota, oh, derrota!"
Despedida Karin Boye
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"Na velha Escânia havia um costume: Nos negros e profundos poços deitavam crias de enguias marinhas. Essas enguias ficavam toda a sua vida cativas nas trevas dos profundos poços. Mantêm a água limpa e cristalina. Quando alguma vez sobe a enguia do poço, branca, horrorosamente grande, capturada no balde, cega, retorcendo-se, entrando e saindo do mistério do seu corpo, sem saber, inconsciente, todos se apressam a deitá-la de novo à água. Frequentemente creio estar não só no lugar da enguia do poço, mas ser o poço e a enguia à vez. Prisioneiro em mim mesmo, mas esse eu é já algo diferente. Estou lá. E lavo-o com a minha serpenteante, lamacenta, esbranquiçada presença nas trevas."
“Ama-me mas não te aproximes demasiado deixa espaço para que o amor se ria da sua felicidade deixa sempre que um fogo do meu cabelo louro seja livre.”
Maria Wine
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“Aqui está uma árvore: o vento canta poemas sem palavras na sua ampla copa. Sei que o destino da árvore é transformar-se em papel: um papel com ânsia de palavras Sei de uma palavra com ânsia de se plasmar no papel de uma palavra com ânsia de começar um poema Sei de um poema não escrito que tem ânsia da sua primeira palavra de um poema que tem ânsia do seu poeta Mas sei também que o poeta sofre quando se abate a árvore para a transformar em papel”
Pensar em ti é como o voo rápido da sombra da nuvem na planície inesperada conexão entre o céu e a terra descansada viagem do olhar mais além dos horizontes deliciosa recordação cintilante sobre a brevidade da vida.
Trata-se de uma edição maravilhosa que permite ao leitor português conhecer um vasto leque de poetas e poetisas suecas (muitos deles provavelmente sem tradução para a nossa língua). Estou um fã desta editora e em particular desta colecção. Já guardei vários nomes para mais tarde conhecer melhor.
Mas é um livro muito curto para tantos autores que estão aqui expostos. Percebo que uma antologia é bastante mais selecta do que uma poesia reunida, no entanto o editor decidiu reunir dezenas de poetas diferentes e expor apenas um ou dois poemas de cada um… Gosto que tenham incluido tantos escritores diferentes, mas é frustrante encontrar tão poucos exemplos da mestria de cada um. A antologia beneficiaria de ser mais longa, com mais trabalhos de cada autor.