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448 pages, Hardcover
First published January 1, 2006
pills of rolled bread tainted with infected faeces
Eins andern knecht soll niemand seyn, der für sich bleyben kann alleyn.
‘Let no man belong to another, who can belong to himself.’
all our nourishment becomes ourselves; we eat ourselves into being…. For every bite we take contains in itself all our organs, all that is included in the whole man, all of which he is constituted…. We do not eat bone, blood vessels, ligaments, and seldom brain, heart, and entrails, nor fat, therefore bone does not make bone, nor brain make brain, but every bite contains all these. Bread is blood, but who sees it? It is fat, who sees it? …for the master craftsman in the stomach is good. He can make iron out of brimstone: he is there daily and shapes the man according to his form.
Let the semen of a man putrefy by itself in a sealed cucurbite with the highest putrefaction of the venter equinus [horse manure] for forty days, or until it begins at last to live, move, and be agitated, which can easily be seen. After this time it will be in some degree like a human being, but, nevertheless, transparent and without body. If now, after this, it be every day nourished and fed cautiously and prudently with the arcanum of human blood, and kept for forty weeks in the perpetual and equal heat of a venter equinus, it becomes, thenceforth, a true and living infant, having all the members of a child that is born from a woman, but much smaller. This we call a homunculus; and it should be afterwards educated with the greatest care and zeal, until it grows up and begins to display intelligence. Now, this is one of the greatest secrets which God has revealed to mortal and fallible man. It is a miracle and marvel of God, an arcanum above all arcana, and deserves to be kept secret until the last times, when there shall be nothing hidden, but all things shall be made manifest.
This is all wrong, of course, but it is not unreasonable.
Only one loyal servant remained. To him Paracelsus wanted to bequeath something, and he allowed him to choose between his smallsword and his books. The servant reflected long on this choice. But since he neither knew nor imagined the magic power of the sword's pommel, he would not take the sword and said to his master, ‘Give me your books.’ Paracelsus was disheartened, and said: ‘I would rather have seen you choose the smallsword; but so be it, you may keep the books. Take the sword and cast it into the Sihl, that none might have it.’ Now the servant saw that he had not made the best choice; he took the sword but did not throw it into the Sihl, instead hiding it in a bush so that he might come back and retrieve it upon Paracelsus's death. Then he returned to his master, who asked him, ‘Have you done what I asked of you?’, to which he answered, ‘Yes, my lord.’ Then the sorcerer, who knew well what had happened, waxed wroth and threatened to shoot the servant dead for his disobedience. Trembling, the servant went back and retrieved the sword from the bush, brought it to his master and confessed his guilt. Paracelsus repeated his earlier command, and this time the servant did throw the sword into the Sihl. The river began to roar and thunder; rocks cracked open; the ground shook; and the house of the dying Paracelsus shuddered. The wondrous doctor spoke to his servant: ‘Now know I that you have followed my command, that never shall my sword be passed down and that for me the time has come to pass from the world.’ And thus he died.
“O cirurgião e o inquisidor só diferiam por sua motivação: fora isso, seus conjuntos de facas, serras e pinças para cortar, perfurar, queimar e amputar em muito se pareciam.” – Pag 45 – Cap. 4: O bastão e a Cobra /
As polêmicas em torno do seu nome são inúmeras, pois, para começar, Paracelso se posicionava contra o estereótipo médico da época:
1. Não se vestia com sedas e pompas
2. Defendia que o médico deveria sempre viajar para aprender com o povo e não com o conhecimento fechado das faculdades
3. Acreditava no empirismo para evolução dos tratamentos médicos
4. Produzia suas próprias poções e elixires, indo contra a relação entre médicos e boticários“Paracelso tem a convicção de que os médicos não são apenas tolos equivocados mas enganadores deliberados que sabem que a sua medicina não tem utilidade, mas persistem com ela, pois lhe traz lucro.”
Pag. 156. Cap. 9: Elixir e quintessência
5. Falava o que pensava, apresentando pouco tato político e social
6. Atuava também com procedimentos cirúrgicos, “sujando as mãos”, algo impensável numa época em que havia distinção entre médicos e cirurgiões-dentistas
7. Acreditava que as respostas estavam na natureza, nas estrelas e no universo e que, o bom médico precisava estudar alquimia, astronomia e astrologia para entender as doenças
Talvez com base neste último, ainda hoje Paracelso seja tão ligado ao mundo do Ocultismo, fato que, lá atrás, também serviu para desacreditá-lo perante seus pares. Ele ainda desprezava o ensino tradicional e a argumentação clássica. Preferia a linguagem do povo, falava em alemão ao invés do latim (embora soubesse os dois idiomas), mas sempre possuía dificuldade quando em debates com outros médicos, exatamente por essa dificuldade com o ensino regular catedrático.“Essa ideia de que a matéria ganha existência através de um tipo de revelação alquímica é, fundamentalmente, não cientifica, mas teológica. (...) Para Paracelso, o Gênesis era um conto de alquimia (...).” Pg 243. Cap. 14: Além das maravilhas
Posto isso, o livro tem seus méritos em explicar, a cada curva da vida de Paracelso, a relação entre o seu posicionamento com o pensamento da época. Depreende-se que enquanto as crenças “revolucionárias” e a “língua ferina” o afastavam dos catedráticos e médicos ortodoxos, sua eficácia em resolver problemas, seus preços e linguagem mais acessível o aproximavam do povo. Ganhava fama em cada problema de saúde que resolvia e em seus discursos que buscavam relacionar a cura à natureza e às conjunções (alinhamento de estrelas e planetas). Numa época em que a astrologia e a astronomia ainda se confundiam, Paracelso oferecia mais que a cura palpável mas também um efeito “placebo”, talvez, ao inserir o ocultismo em suas curas.“Mas a grande atração da astrologia era seu poder ‘explicador’. A explosão de interesse pelas artes ocultas (...) estava relacionada aos medos e dificuldades da época (...). O único antídoto para o desespero era a ilusão de controle, e isso a astrologia providenciava.” – Pag 269. Cap. 15 – Estrela e ascendente
Retrata bem, como livro histórico-científico, como a revolução de Lutero e dos anabatistas em meio à semente do pensamento renascentista, moldava em parte, as atuações de Paracelso. Em outros momentos, ainda que fugazes, traz dados contraditórios, pois o mesmo P. que contradiz Lutero age e fala de forma bem parecida, sendo ambos muito extremistas e de pouco cuidado com o modo como suas palavras impactavam os ouvintes.“Lutero estava preparado para encorajar as reações extremadas dos príncipes, e suas palavras chocavam até mesmo aqueles que eram convocados para executar suas decisões: (...) Portanto, a qualquer um deve ser permitido castigar, assassinar, esfaquear, abertamente ou não, lembrando que nada pode ser mais venenoso, diabólico ou ameaçador do que um rebelde.’” Pg 127. Cap 7 – Revolução sob o signo do Sapato
Como livro biográfico, o autor peca repetidamente. Philip Ball é um escritor de ciência e não biografista, o que se reflete em sua escrita que não flui e parece se posicionar em cima do muro entre descrever a trajetória do médico e explicar a época renascentista. Além disso, ao mesmo tempo em que abandona a biografia e mergulha em explicações sobre minérios, astronomia, química e outros, também não consegue identificar se Paracelso contribuiu ou não para a ciência, sempre trazendo a mancha do ocultismo para as suas realizações.
Desta forma, o livro ainda é a melhor opção bibliográfica que se tem hoje disponível sobre Paracelso. Despido de um viés puramente ocultista, consegue transitar entre a vida do médico e os conceitos renascentistas de alquimia, metalurgia e transmutação, além de tentar explicar os confusos neologismos do médico suíço. Não é uma bibliografia perfeita mas, caso lido com atenção e carinho, pode-se aproveitar muito como conhecimento científico e histórico, além de importantes conselhos aos médicos: aprender com os pacientes e ouvi-los, pois a medicina se encontra em todo o lugar e não apenas nas universidades.