Sabia que, entre novas e antigas, as ditaduras comandam hoje mais de um terço do mundo? Pois é, os regimes autoritários estão de regresso, e impõe-se identificá-los e aos seus mecanismos. Cresceram em número, mas sobretudo em variedade. Destacam-se em quase todo o território da ex-URSS, assomam na Turquia e na Hungria e dominam potências como a Rússia e a China ou países com grande importância estratégica, como a Arábia Saudita, as Monarquias do Golfo ou a Venezuela. O presente ensaio apresenta e explica o mapa-mundo actual das ditaduras. Disseca os modos de dominação predominantes e salienta como, cada vez mais, os regimes autoritários “se vestem como democracias”. Assinala continuidades e mudanças e permite uma premente visão global do autoritarismo político contemporâneo, confirmando-o no pólo oposto da governação democrática.
ANTÓNIO COSTA PINTO nasceu em Lisboa, a 17 de Setembro de 1953. Doutorado pelo Instituto Universitário Europeu (1992, Florença) e Agregado pelo ISCTE (1999), é presentemente Investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Professor Convidado no ISCTE, Lisboa. Foi Professor Convidado na Universidade de Stanford (1993) e Georgetown (2004), e Investigador Visitante na Universidade de Princeton (1996) e na Universidade da Califórnia- Berkeley (2000). Entre 1999 e 2003 foi regularmente Professor Convidado no Institut D'Études Politiques de Paris. Foi Sub-Director do Contemporary Portuguese History Resource Centre (CPHRC) e Presidente da Associação Portuguesa de Ciência Política. As suas obras têm incidido sobretudo sobre o autoritarismo e fascismo, as transições democráticas e as elites políticas, em Portugal e na Europa.
Um bom e pequeno livro. O tema é de grande interesse, e quiçá alguma actualidade. É um ensaio que está entre a ciência política, a História e um pouco de filosofia política, pelo menos nas escolhas do autor ao longo da escrita. Não é neutro, como nenhum de nós é, mas pelo menos é sério. Recomendo.
Livro perfeito para quem já sabe qualquer coisa de política. Mesmo assim, explica bem todos os conceitos, contextualiza o suficiente e dá exemplos pertinentes.
Um ótimo livro para quem quer se integrar uma bocado mais no tema da política e das ditaduras no mundo, dá exemplos pertinentes e explica bem os conceitos.
"Após várias décadas de democratização nível global, as ditaduras estão de volta." (p.73)
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"oposição entre «o povo» a «elite corrupta»; o discurso em nome do povo e da sua «vontade»; o facto de terem uma «ideologia fina», ou seja, sem coerência, eclética, e por vezes contraditória e mutante." (sobre a ascensão dos partidos de extrema-direita)
Contextualização interessante do percurso que as ditaduras fizeram ao longo do tempo. Tipifica-as de forma bastante clara em diferentes tipologias e permite assim estabelecer não só paralelos entre elas mas também delinear claras diferenças entre diferentes tipos de ditadura. Para além disso, usa este conhecimento - aquele adquirido no estudo das ditaduras que começaram maioritariamente na primeira metade do século XX - e usa-o para tentar melhor perceber a nova vaga de autoritarismo soft de extrema direita - a "democracia iliberal" que António Costa Pinto e outros referem - que lentamente vai chegando à Europa e outras nações na forma de Lukashenko, Orbán, Salvini, Le Pen, Erdogan, Bolsonaro e, entre outros com um maior grau de sucesso, André Ventura.
Se o ensaio fosse escrito neste momento, haveria aqui mais certezas, que em 2021 eram vistas como premonições. Não é de todo animador, mas é realista. É a atualidade política mundial tendo em conta a sua evolução histórica.
Em "O Regresso das Ditaduras", António Costa Pinto oferece uma reflexão clara e acessível sobre os regimes autoritários que persistem e se reinventam no século XXI.
O autor mostra como muitas ditaduras atuais não surgem como cópias do passado, mas antes como adaptações. Como ele escreve, “muitas ditaduras que hoje existem são uma sobrevivência e uma adaptação das ditaduras do passado”.
O livro ajuda a compreender de que forma estas ditaduras funcionam: não eliminam instituições como parlamentos, partidos ou eleições, mas utilizam-nas de forma perversa, para dar legitimidade ao poder e garantir estabilidade. “Estas instituições cumprem funções muito importantes na consolidação destes regimes, na sua estabilidade e sobrevivência. Elas funcionam é de maneira muito diferente dos seus equivalentes em democracia”, lembra o autor, chamando a atenção para a subtileza com que o autoritarismo se disfarça.
A leitura foi para mim muito esclarecedora, pois mostrou que o fascismo e os totalitarismos não precisam hoje de se impor através de golpes violentos: eles infiltram-se, mascaram-se, corroem lentamente as instituições democráticas.
Gostei particularmente da forma como o autor liga esta análise à atualidade, apontando que as maiores ameaças à democracia, neste momento, vêm de partidos de extrema-direita que vão surgindo um pouco por todo o mundo. Ou seja, a sua ascensão não se faz através da força bruta, mas com técnicas mais subtis, estratégias de comunicação, manipulação da opinião pública e um uso inteligente das regras do próprio sistema democrático.
Foi o primeiro livro que li de António Costa Pinto e fiquei agradavelmente surpreendida pela clareza da escrita e pela pertinência do tema. É uma leitura fundamental para compreender os sinais do presente e para não descurar a vigilância necessária à defesa da democracia.
Só peca por ser demasiado pequeno, sinto que poderia haver mais sumo e mais reflexões, mas é bom para despertar o interesse do tema, portanto, serve o seu propósito.
António Costa Pinto não é um escritor brilhante, mas não deixa nesse aspeto assim tanto a desejar. Num livro que quer fazer uma contextualização ao tema, o próprio título(o regresso das ditaduras?) em forma de pergunta pode baralhar, fazendo alguns fachistas responderem "sim, se faz favor". Uma contextualização política e histórica desde os tempos em que os ditadores usavam todos bigodes até aos dias de hoje em que os ditadores usam todos o Twitter. Se as ditaduras estão para regressar, isso não se sabe. Agora, o autor decide fazer uma espécie de AltaDefinição a cada regime político, falando das suas virtudes e, especialmente, dos seus defeitos e momentos difíceis. Eu, sem nunca perceber o que dizem os olhos dos regimes comunistas e fascistas, divirto me imenso com uma exploração da geopolítica mundial, como pessoa estranha que sou. Não teria dificuldades em dar mais uma estrela, mas como o livro critica ditaduras e eu às vezes sou um bocado mandão, decidi ficar-me por aqui.
Antes de começar a escrever sobre este ensaio, uma ressalva. A Fundação rendeu-se ao (des)Acordo Ortográfico, o que diminui muito a qualidade da leitura. É um ensaio de ciência política, muito eficaz ao sistematizar as características comuns das ditaduras actuais (os "universais"), mas que, quando se refere às ditaduras históricas do século XX perde profundidade. Por exemplo, o "salazarismo". Ao centrar a ditadura numa figura, como explicar os anos que mediaram entre a morte do ditador, em 1970 e 1974? Já não era uma ditadura?
O título lança uma premissa clara, mas depois falha na resposta. Trata-se de um ensaio bem estruturado, muito boa introdução e contextualização histórica acerca das ditaduras. É só.
Faltou uma análise crítica mais profunda, e pistas que levassem a uma reflexão sobre a questão proposta.