Esta obra de Orwell já teve imensas edições e, recentemente, foi adaptado para novela gráfica. Li ambas as versões e ambas recomendo. Se por um lado a versão clássica é mais detalhada, também a acção é mais lenta. Em contrapartida, a novela gráfica auxilia a imaginação do leitor, conduz pela acção principal, sem perder a essência da mensagem.
A Oceânia é controlada pelo Partido do Grande Irmão. Todas as pessoas são vigiadas por telecrãs e não os podem desligar. Qualquer pessoa que cometa o crime de pensar contra o partido é imediatamente detido pela Polícia do Pensamento. Ao acompanharmos Wiston, percebemos como funciona a sociedade em que vive, os programas aos quais os cidadãos estão inseridos e os próprios pensamentos do protagonista.
"Guerra é Paz". A constante guerra entre a Oceânia com a Eurásia é uma forma de manter a ordem e a paz.
"Liberdade é escravatura". A única forma de alguém ser livre é submeter-se ao Partido, pois nunca será "apagado" da História.
"Ignorância é força". As diferentes classes, alta, média e baixa, nunca irão mudar. Os que estão acima, querem lá ficar. Os que estão no meio, manipulam os da classe baixa para destronar os da alta, substituindo-os e recomeçando o ciclo.
Estas frases de comando do Partido mais não passam de distorções para convencer os cidadãos a fazer o contrário do que seria natural pensar. "Tu nunca passaste fome, isto sempre aconteceu, apenas não te recordas"; "2+2=4 ou 2+2=5?".
O mundo de Orwell é assustador. E não deixo de pensar em como existem tantas semelhanças com sociedades actuais (China, Rússia e Coreia do Norte). Seja um fascista como Franco, um desmiolado Donald Trump ou um cruel Mao Tsé Tung, todos ambicionam uma nação de fanáticos a marchar em simultâneo, a gritar palavras de ordem instruídas pelo Partido e a trabalhar sem questionar, em função de uma cara temida por todos.