A importância do autor de "A Dama de Espadas" pode ser constatada nesta frase do prêmio Nobel de literatura Joseph Brodsky: "Púchkin deu à Rússia sua língua literária e, com isso, sua sensibilidade". De fato, a grandeza do poeta é somente comparável à de um Dante, um Camões, um Shakespeare, isto é, aos pais fundadores das literaturas de seus países. A linhagem de escritores a que deu origem também corrobora sua força: Gógol, Dostoiévski, Tolstói, Turguêniev, Tchekhov, Maiakóvski. Este volume - agora relançado em edição revista - é formado por três novelas e quatro contos, além de dezesseis poemas de Púchkin. Traduzidos do original por Boris Schnaiderman (no caso dos poemas, em parceria com Nelson Ascher), os textos aqui reunidos constituem, para o leitor brasileiro, uma excelente introdução à prosa e à poesia do gênio russo.
Works of Russian writer Aleksandr Sergeyevich Pushkin include the verse novel Eugene Onegin (1831), the play Boris Godunov (1831), and many narrative and lyrical poems and short stories.
People consider this author the greatest poet and the founder of modern literature. Pushkin pioneered the use of vernacular speech in his poems, creating a style of storytelling—mixing drama, romance, and satire—associated ever with greatly influential later literature.
Pushkin published his first poem at the age of 15 years in 1814, and the literary establishment widely recognized him before the time of his graduation from the imperial lyceum in Tsarskoe Selo. Social reform gradually committed Pushkin, who emerged as a spokesman for literary radicals and in the early 1820s clashed with the government, which sent him into exile in southern Russia. Under the strict surveillance of government censors and unable to travel or publish at will, he wrote his most famous drama but ably published it not until years later. People published his verse serially from 1825 to 1832.
Pushkin and his wife Natalya Goncharova, whom he married in 1831, later became regulars of court society. In 1837, while falling into ever greater debt amidst rumors that his wife started conducting a scandalous affair, Pushkin challenged her alleged lover, Georges d'Anthès, to a duel. Pushkin was mortally wounded and died two days later.
Because of his liberal political views and influence on generations of Russian rebels, Pushkin was portrayed by Bolsheviks as an opponent to bourgeois literature and culture and a predecessor of Soviet literature and poetry. Tsarskoe Selo was renamed after him.
O livro nos dá uma amostra da mente brilhante daquele que será o fundador da literatura russa moderna. Impossível não escutar nessas novelas e contos as futuras vozes de Gógol, Tolstói e Dostoiévski.
Confesso que fiquei impressionado, não esperava uma narrativa tão aconchegante, intrigante, sarcástica, crítica e muito bem manipulável, um livro cheio de novelas, contos e poemas (não mergulhei muito afundo neste pois não sou acostumado com poemas), cada um me cativa de alguma forma. A narrativa dele tem modelos que eu n esperava encontrar num escritor do século 19 e além de ser da Rússia, recomendo demais, se querem entrar na literatura russa recomendo demais deste livro, realmente...Púchkin é o pai da literatura russa
Interessante ver como Pushkin conseguiu escrever histórias tão interessantes. Seus poemas são bons fazendo com que o leitor se maravilhe com a qualidade e a história.
O que mais me motivou a ler Puchkin foram as citações a ele feitas por outros russos. acabei encontrando esse livro por um bom preço e peguei para conhecer. E realmente Puchkin é alto nivel. Sinto o prazer de um Tolstoi e um Dostoievski em uma escrita bem suscinta e direta ao ponto. E essa "doce secura" de chegar ao ponto sem enrolar me lembra muito o prazer de ler Tchekov. Ao concluir percebo que preciso de mais obras do Puchkin.
Nas histórias vemos a sociedade russa sendo retratada. Parece que estamos em uma versão de um feudalismo. E ouvimos as vozes dos nobres e do povo, o que é bem interessante. Apesar de que a voz do povo aqui parece ser uma visão romântica de como o povo vê as coisas.
Puchkin consegue em poucas palavras dar a sensação de que contou uma gigantesca história. Em "o negro de Pedro" vemos rapidamente e intensamente a caricatura da Paris da época e somos depois transportados à Russia. E é possível sentir da escrita que trocamos de lugar, vamos sentindo a mudança de ambiente e a mudança cultural. A chegada do conhecido de Paris depois de um tempo deixa isso ainda mais evidente. Eu tenho o costume de anotar frases marcantes de livros, mas neste caso é impossível. Pois basicamente o conto inteiro são frases marcantes. Temos o tema do racismo sendo colocado nos holofotes, e isso em uma sociedade pre revolução francesa! Temos debates sobre matrimônio vemos um romance proibido. O defeito desse conto é somente o fato dele ser incompleto. Existia mais o que ser explorado pelo autor aqui, mas ele não finalizou essa obra.
Em Dubrovski tive a sensação de contentamento similar a quando leio alta fantasia e narrativas épicas. É basicamente a história de um heroi. E senti ares de Filhos de Hurin, ares da Saga de Njall, ... que são outros livros que amo. Não é um conto para ver as coisas dando certo. Mas é muito divertido. Até coisas que eu considerava previsíveis da trama, adorei ver como foram executadas.
Hermann tem ares de Raskolnikov de crime e castigo. Assim como traços romanticos do jovem wether. Mas, neste caso seus traços romanticos são pura falsidade. O que importa é sua ansia pelo sucesso (dinheiro) e sua incapacidade emocional de lidar com a consequência de seus proprios atos indevidos. "O jogo me interessa muito. Mas sou incapaz de sacrificar o indispensável a ponto de conseguir o supérfluo."
O tiro parece ser sobre as noções distorcidas de honra e a personalidade "media" do povo russo. Essa coisa, comum na europa, de resolver desavenças com duelos é sem sentido. E o personagem narrado para simplesmente perdido. Sem uma real motivação de vida. Ainda assim, interessante.
O fazedor de caixões carrega um pouco do nonsense que vemos, por exemplo, em Gogol. Mas aqui é de modo mais simples. Pois a loucura é aqui somente um sonho. Em gogol as coisas se misturam e confundem em outro nível, cruzando o realismo.
Kirdjali soou como mais um dos velhor "heroi" nacionais cujos feitos se misturam com banditismo. Me lembrou os albaneses, como comentado em "o general do exército morto"
Esse livro mostra a versatilidade desse grande escritor. Uma introdução não só a Púchkin mas à toda literatura russa que se desenvolveu a partir do século XIX.
Uma bela, belíssima coletânea de contos e poemas do Púchkin. Dos poemas não falarei tanto, é uma reunião que vai de 1823 a 1829. Não sei até que ponto é representativo da obra dele. Ao final, transcrevo dois dos quais gostei bastante. Há outros também bem interessantes, alguns mais místicos, outros mais políticos. Voltando aos contos, é uma mostra que é bastante variada. São sete ao total. Dois deles — O negro de Pedro, o Grande e Dubróvski — são obras inacabadas. A primeira trata de forma romanceada do seu trisavô pela linha materna, que teria origem etíope. A segunda estória trata de uma espécie de Robin Hood russo, que adere ao banditismo após a sua propriedade rural lhe ser fraudulentamente tomada. Duas estórias são fantásticas — A dama de espadas e O fazedor de caixões. Tal como sugere Todorov, no seu Introdução à Literatura Fantástica, a narrativa causa uma hesitação no leitor, ou seja, entre uma explicação natural e outra fantástica para aquilo que se conta na estória. Além disso, essa dúvida do leitor também é de algum modo compartilhada pelo personagem, ou seja, pode ser um sonho ou delírio alcoólico (como no caso d’O fazedor de caixões) ou um delírio ou manifestação de insanidade (como em A dama de espadas). Fica o leitor, pois, na fronteira entre dois mundos, entre o real e o inexplicável. Mesmo que não sejam o melhor, são lindamente executadas na construção do fantástico. O chefe da estação trata da vida cotidiana da gente miúda, do povo que é oprimido e nada pode fazer. O tiro é um belo caso de obsessão e vingança. Por fim, Kirdjali trata do banditismo nas fronteiras russas com o Império Otomano. Tal qual ocorre em A filha do capitão, há uma zona cinzenta entre a resistência contra o opressor (aqui no caso turco) e o banditismo puro e simples. O que chama a atenção é o quanto Púchkin era um tremendo observador: em uma sociedade rígida e hierárquica, as posições sociais são fundamentais e nada (ou quase nada se pode fazer a respeito). Em O negro de Pedro, o Grande, o nobre arrogante se vê incapaz de reagir às vontades do Czar. Do mesmo modo, em Dubróvski, alguém da pequena nobreza pouco pode fazer diante de alguém mais nobre, mais rico e mais poderoso. As engrenagens da Justiça são feitas para produzir resultados viciados. Quando não existem instituições, a saída é o banditismo, parece querer dizer Púchkin. Da mesma maneira, o tocante O chefe da estação mostra o homem pobre esmagado por alguém mais poderoso. A Justiça ou qualquer outra forma de Estado é absolutamente inútil para proteger a gente miúda do arbítrio dos ricos. Enfim, excelente leitura!
O prosador e o poeta Por que te inquietas, prosador? Escolhe os temas e, ao que for, eu darei gume, alada rima, e farei dele flecha exímia que, após deixar a corda tesa do arco dobrado servilmente, voará certeira até a presa, nosso inimigo, se lamente! (1825)
Amei-te Amei-te — e pode ainda ser que parte do amor esteja viva na minha alma. Mas isto, pois em nada hei de magoar-te, não deve mais tirar a tua calma. Sem esperança e mudo em meu quebranto, morto de ciúme e timidez também, eu te amei tão sincero e terno quanto permita Deus que te ame um outro alguém. (1829)
Aleksandr Sergueievitch Pushkin escreveu novelas, poemas e peças de teatro. É inegável a sua influência, sendo o marco inicial da literatura russa do século XIX e um dos maiores nomes da literatura universal.
Muitas das obras de Púchkin sofreram pela censura do Tsar, principalmente pela afeição do escritor pelo movimento e ideais da Revolta Dezembrista — foi impedido de participar deste evento por estar cumprindo pena de prisão domiciliar. Em alguns de seus poemas presentes nesta antologia é possível vislumbrar suas tentativas de apoio aos colegas que atuavam diretamente na Revolta ou que foram enviados à Sibéria em retaliação.
Os salteamentos em beira de estrada realizados pelo injustiçado e desterrado Dubróvski; a paixão ardente de Ibraim; uma vingança por anos maquinada; o rapto da linda filha de um chefe de estação; o misticismo exagerado dos russos e o período de banditismo de Kirdjali na Moldávia, tudo está permeado de Púchkin e por ele suas histórias foram brilhantemente tecidas, muitas vezes com protagonismo de indivíduos da alta sociedade russa, servidores públicos ou boiardos proprietários de várias almas.
Não tinha percebido que estava com tanta saudade de uma boa história russa, dessa profusão de “Itchs”, “ovnas” e nomes impronunciáveis. Curti demais alguns contos/novelas, outros achei apenas “ok”. Infelizmente, a história na qual fiquei mais envolvido está inacabada, o que me deixou extremamente intrigado para saber qual seria o destino de Dubróvski e Mária.
Dizem os russos que, para apreciar de verdade os poemas de Púchkin, o leitor deve ser nascido na Rússia. Apesar disso e da minha completa falta de costume em ler esse gênero, consegui aproveitar de forma satisfatória os poemas, sendo as “Notas aos poemas” de imensa ajuda no entendimento do seu conteúdo e contexto histórico.
Recomendo essa antologia para os interessados em literatura Russa e na influência de Púchkin nela, e não como leitura introdutória dos russos. Gostaria de conhecer outras obras do autor (quando saírem traduções novas no Brasil).
Gosto sempre das organizações do Boris Schnaiderman. Acho que elaborar uma compilação de obras representantes da obra de um autor no que diz respeito à sua qualidade, mas também à sua diversidade é muito mais interessante do que simplesmente lançar antologias das "melhores obras".
Muito bom conhecer um pouco mais da prosa de Púchkin e ver mais claramente a sua relação com o romantismo — e igualmente sua interpretação própria dele, mantendo sempre um tom levemente engraçado, galhofeiro.
"A Dama de Espadas" é, compreensivelmente, sua novela mais lembrada e é realmente muito boa. O fantástico aparece para punir o cálculo financeiro frio, que se põe à frente do amor. É interessante, nesse sentido, que se faça essa narrativa de uma forma que pareça que vai ser romântica (no sentido de haver um romance entre dois personagens, não em uma categorização da obra em si), mas acaba não acontecendo nada — Hermann só usa Liseta para conseguir o segredo das cartas. O desfecho, com a piscadela da carta e sua posterior loucura são geniais.
Nessa e em outros narrativas — em especial "O negro de Pedro, o Grande" — nota-se essa tentativa de refletir sobre a relação com o estrangeiro e com a modernização da Rússia. Púchkin me parece ter tido opiniões nacionalistas em relação aos "alemães", mas, ao mesmo tempo, favorável às modernizações sociais — em um período é perseguido como liberal, embora mais tarde tenha sido visto como uma figura conservadora. Acho que isso representa a modernização e europeização da Rússia em toda a sua gigantesca contradição.
Também muito legal conhecer um pouquinho da obra poética de Púchkin (não conhecia nada). "O Demônio" é especialmente bonito, mas vários são muito bons. Vê-se as influências românticas, mas também neoclássicas de Púchkin, e, por fim, a importância da sua atuação política e resistência, mesmo que em uma fase delimitada da sua vida.
Mais conhecido por "Eugene Oneguin", Aleksandr Púchkin foi o autor que devolveu a Rússia "o orgulho de sua língua". Nesse compilado é possível entender porque Púchkin é tão reverenciado. Seus contos(dois não-finalizados nessa edição) mostram que ele foi bem sucedido nas diversas áreas da literatura: romance, sobrenatural, drama, etc. A variedade de gêneros e a qualidade estável combinados me surpreendeu demais; histórias tanto sobre a grandeza quanto sobre o cotidiano da vida rural russa dão ao leitor conhecimento sobre a realidade e também traz a voz do próprio autor. Apesar dessa variedade, a personalidade do russo é marcante e sobressalta aos olhos, e isso foi maravilhoso. Infelizmente dois de seus contos não foram finalizados: "O Negro de Pedro, O Grande", que elucida sobre o racismo das sociedades francesa e russa em 1700 e alguma coisa e "Dubróvski", que parece um predecessor de "O Conde de Monte Cristo", com um protagonista que não é inteiramente consumido pelo desejo de vingança. "A Dama de Espadas", "O Tiro" e "O Fazedor de Caixões" foram meus contos preferidos. Dois deles(o primeiro e o terceiro) brincam o tema sobrenatural, apesar da essência ser uma sátira sobre prudência e ambição. Já em "O Tiro" vemos o rancor de um militar russo e a realização da vingança sobre uma ótica diferente daquela que os oficiais tinham na época. Por fim, seus poemas são sublimes. De novo, a edição trouxe os mais variados temas: a Arte(sim, com A maiúsculo), a guerra, a esperança e até o vazio existencial. Em seus poemas, os seus ideais políticos e suas críticas são mais explícitas do que em sua prosa(que já é bem crítica). Há um motivo por Dostoiévski respeitar tanto o autor.
Li esse logo depois do Evguiêni Oniéguin, que é a obra-prima do Púchkin, então foi um pouco decepcionante, principalmente considerando as duas primeiras novelas, que estão inacabadas. Entendo a importância histórica, mas não vejo muito sentido em ler histórias que não foram finalizadas pelo autor. Ainda assim, gostei bastante da novela que dá título ao livro, além do trio de contos. Os poemas ficam um pouco soltos, mas as notas da tradução no final ajudam a entender melhor o contexto de cada um deles.
É uma boa edição, mas não sei se eu recomendaria como primeiro contato para quem quer conhecer o autor.
contos e poemas do fundador da literatura russa. púchkin é pouco lido no brasil, mas tem o msm status na rússia que shakespeare, dante e camões têm na inglaterra, itália e portugal. aqui, equivale ao machado de assis
os contos têm uma prosa límpida, clara, direta ao ponto que me remeteu a tchékhov. meu favorito foi "o tiro". adorei os poemas, gostaria que existissem mais edições das poesias do púchkin. destaque para os versos em que critica ele o czarismo.