Você sabe com quem está falando? é composto por três ensaios que abordam aspectos complementares do autoritarismo no Brasil. As mais diversas “autoridades”, pessoas abastadas ou celebridades têm oferecido um espetáculo deprimente de racismo, machismo, ignorância, arrogância e injustiça por se considerarem superiores aos demais e, portanto, dispensados de obedecer às leis e às normas da boa convivência social. Assim, ao examinar o fenômeno do “Você sabe com quem está falando?”, Roberto DaMatta nos confronta com um incômodo espelho que projeta uma imagem tanto mais repulsiva quanto verdadeira e precisa.
Roberto DaMatta (Niterói, 29 de julho de 1936) é um importante antropólogo brasileiro, além de também trabalhar como conferencista, professor universitário, consultor, colunista de jornal e produtor de TV.
A teoria do "você sabe com quem está falando?" é um dos pressupostos principais do pensamento do antropólogo Roberto DaMatta. Essa ideia fala muito sobre o como nossa sociedade brasileira, diferente de outras, é calcada na hieraquia social e no elitismo. DaMatta usa como exemplo de diferença de tratamento outras sociedades em que o você é usado para diversas situações, mas no Brasil, o você é diferenciado pelo senhor, denotando o autoritarismo brasileiro. O livro é composto de vários ensaios. Um outro interessante é aquele que o autor fala sobre a antropologia do documento de identificação brasileiro e como isso afetou e afeta nossa sociedade. O terceiro ensaio sobre individualidade e limiaridade não achei tão interessante como os anteriores. Fecha o livro três depoimentos de importantes estudiosos de Antropologia que traçam elogios à vida e obra de Roberto DaMatta.
Tentando fazer resenhas mais honestas, sendo eu um economista com bastante interesse em questões de sociologia, não me interessei muito pela forma da escrita. A forma é a maior questão aqui. Não li a obra principal do autor e as referências citadas ao longo do texto, não sou da área. Parece pouco revisada em termos de concatenação de ideias - não flui muito bem. Me pareceu um livro que, na busca de entender contradições, se embola nelas mesmas, sem muito conseguir se decidir sobre a existência de aspectos culturais, como eles existem, e a magnitude deles, para além de afirmar os temas que definem os três capítulos (1 - a existência de hierarquização na sociedade brasileira, 2 - documentos como prova de quem você é como ator social, além de indivíduo, 3 - a liminaridade, o rito de passagem entre ser criança e ser adulto na sociedade coletivizada e a sociedade individualizante). Sendo a primeira parte mais prejudicado que as outras duas.
Veja bem, o livro não é simples, tem muitas ideias aí, tem conteúdo, mas o autor não se decide sobre a força de cada processo social para além da ideia maior de cada capítulo. Falta um certo direcionamento das ideias, mesmo que o autor seja indeciso sobre a magnitude de importância delas.