Romance de geração, memórias de um Brasil conturbado e trágico, mas culturalmente rico? Autobiografia política e artística de um grupo – os músicos mineiros que romperam as fronteiras com sua arte universal? É difícil classificar este livro. Milton Nascimento é o personagem principal deste maravilhoso depoimento de Márcio Borges, primeiro parceiro de Milton. Como num filme delicado e arrebatador, ele reconstrói com paixão a história do País nos últimos trinta anos, a partir das lembranças dos meninos que um dia se encantaram com a música. Comovente, sensível, capaz de fazer vibrar e chorar, Márcio nos surpreende com um dos melhores e maiores livros do ano.
Os sonhos não envelhecem é um retrato bem tirado de um movimento construído por pessoas como a gente em um período conturbado, não muito diferente do que estamos vivendo.
Esse foi o primeiro livro que li quando me mudei para Belo Horizonte: não é de todo exagerado quando digo que fui morar em Minas por causa do Clube da Esquina.
Não tenho muito a comentar como crítica, ou análise. Se você gosta do Clube da Esquina, esse livro lhe trará aquela ilusão de maior intimidade com os artistas. Todavia, se você não se interessa pela música por trás do livro (que julgo uma das maiores, mais exuberantes, de nossa muito abundante tradição musical), não é o caso de dizer que a leitura vale a pena. É um conjunto de memórias de um protagonista do circulo central de musicos e poetas do Clube da Esquina, é isso.
a ausência de revisão da diagramação da edição me perturbou enormemente e não gostei muito de como Márcio escreve mas enquanto fã considero leitura obrigatória. eu demorei bastante pra terminar de ler, e nesse meio tempo fui visitar a família em BH, que delícia passar pelo Levy e pelo Malleta lembrando das histórias 💚
Novamente, me admira muito a memória de Márcio Borges. Claro que ele deve ter florido algo, mas com suas palavras, nos fez acreditar em cada instante.
O amor... o encontro de almas gêmeas. É isso que vejo entre ele e Milton. O amor mais bonito do mundo. O amor amigo. A amizade. Quem me dera, alguém escrever com tanta sutileza algo sobre mim, ou eu, que também escrevo poesias e músicas avulsas, algum dia, escrever sobre alguém, tão bem assim. Muitas vezes, farei das palavras de Márcio as minhas. Nunca me identifiquei tanto com uma pessoa que nunca vi e muito povavelmente nunca irei. Desde os ideais, até as características pela pessoa que muito já sofri. Sem contar a faculdade, que infelizmente, pela época tenebrosa em que viveu, não pode completar. Eu, com meus 18 anos, ainda espero cursar Ciências sociais e espero também, escrever tão bem quanto ele. Suas músicas, suas letras, mudaram minha vida. A forma como olhava a vida e como passei a olhar depois de conhecer as obras (que são tantas, precisarei de muitos outros anos pra conhecer no mínimo 80%. Posso dizer que devo conhecer pelo menos 50%. Já era fã de Milton e de Clube da Esquina antes do livro. Rs) Esse grupo, esse álbum. Eu espero, de coração, que muitas gerações os escutem. Eu preciso que as gerações que já estão aqui e as que estão por vir escutem-os. Não sei mais o que dizer. Apenas agradecer, por compartilhar conosco, uma história entre várias nesse Brasil. E agradecer, ao seu olhar pelo mundo. E o que fez da palavras com uma caneta num papel.
O livro faz uma ligação narrativa fundamental entre um momento incrivelmente rico da nossa música e acontecimentos históricos políticos marcantes do Brasil. Clube da esquina é sobre as pessoas certas, juntas nos momentos certos. É sobre criação, é sobre arte, é sobre amor e fraternidade. Valores que se esvaíram no tecnicismo da indústria musical. Pois bem, não é uma obra sobre o disco em si, mas sobre as coisas quase incomensuráveis que criaram a atmosfera em torno de músicos talentosos, sendo Milton Nascimento uma espécie de Sol. Em 2022 o disco "Clube da esquina" faz 50 anos. Para os clássicos não existe tempo, existe arte, apenas. E é um privilégio ainda hoje a audição de tanta poesia. Pra quem ama música é uma bela viagem.
"(...) o segredo que Lyle procurava não estava nas ruas. A causa de tudo tinha sido a irradiação original e irrepetível, emanada daquela concentração única de talentos que se esbarraram dentro de uma época precisa, brotando dela como frutos inevitáveis. Por isso, tal conjunção jamais voltaria a se repetir, pois assim são todas as épocas. Cada um que bem viveu a sua, acha que precisamente aquela é que foi a boa. E assim vamos envelhecendo, mas não os nossos sonhos. Como disse o escritor: 'Os maus tempos passaram, foram os melhores anos de nossa vida'."
Imperdível para quem viveu o período áureo de Milton Nascimento e o Clube da Esquina, mas também interessante para os que querem conhecer esse fenômeno singular da música popular brasileira. Mas sobretudo é um livro sobre amizades e afetos, em especial entre o autor e Bituca.