"Quando é que percebeste que, em algum lugar do teu passado, desististe de ti? Sabias do teu potencial, do que eras capaz, mas bateram à porta as primeiras contrariedades e conformaste-te, permitiste que entrassem sem sequer fazer perguntas. Conformaste-te com esta mediocridade que te abraça, com estas horas que morreram por não lutares, por te resignares e desistires de te cavar de dentro de ti. Lembras-te? Aquele pequeno momento efémero em que trazias o futuro nas mãos, e, podendo fazer qualquer coisa com ele, amarrotaste e atiraste-o ao lixo com medo de não o conseguires cumprir?"
Esta é a história de Tiago e Joana que pegaram nas mochilas e na tenda e disseram que iam viajar da Europa até ao Extremo Oriente. Os amigos chamaram-nos loucos, e acertaram. Deixaram para trás os empregos estáveis e a mediocridade dos dias. Viajaram durante um ano, à boleia, sem apanhar qualquer voo. O destino levou-os mais longe do que o planeado.
O Tiago e a Joana, fartos do rame-rame da vidinha, meteram a mochila às costas com o plano de viajar à boleia desde a Hungria até Timor. Nesta primeira parte da jornada acompanhamo-los até chegarem à Índia. Eu devia ter uns 18 anos da última vez que andei à boleia, também numa carrinha de caixa aberta, como na fotografia da contracapa, e as viagens que realmente me agradam são as das páginas dos livros, aquelas que me transportam para outras vidas, mas gostei do espírito intrépido deste casal e das suas aventuras de polegar esticado, de comboio, em autocarros improvisados, a dormir em hostels, na tenda ou em casa de gente mais ou menos desconhecida através do Couchsurfing. O percurso inclui Hungria, Ucrânia, Transnístria e Moldávia, Roménia, Bulgária, Turquia, Geórgia, Arménia, Irão e Paquistão.
As omoplatas a contestarem o peso de uma mochila que, ainda assim, se mostrava mais ligeiro que as frustrações e a vulgaridade metastizada durante anos. Mais que as incertezas, só as pessoas que garantiam que seria impossível, que não conseguiríamos, que iríamos fracassar: como se o sucesso estivesse no chegar, e não no partir.
"... quando metemos a mochila às costas, ninguém sabe quem tu és. Ninguém te julga pelas pessoas com quem te dás, nem com quem te deste. Ninguém sabe se és rico ou pobre. Ninguém quer saber se és beto, ou se és rasta. Se és do metal ou do transe. Se tens carro ou andas de bicicleta. Quando chegas a algum lugar pela primeira vez, aqueles com quem te cruzas dão-se contigo pelo que és. É este o único critério. E não há nada melhor que isso."
Uma lição de sensibilidade, respeito e profunda admiração. Um livro profundamente bem escrito e ainda mais emocional. Adorei!
“Partir para Ficar - Da Europa até Timor à Boleia (Parte 1)” é um livro cativante e viciante, que ficará na minha memória durante muito, muito tempo!
Adorei as descrições dos lugares – nada exaustivas, antes pelo contrário – que me fizeram ir várias vezes ao Google para tentar estar o mais perto possível daquilo que estava a ler. A inteligência na escolha daquilo que nos ia ser contado, roçando mesmo, por vezes, a genialidade. A forma como se abordou temas e problemas tão actuais, deixando para trás uma sensibilidade muitas vezes fingida a que estamos todos tão habituados. E adorei a forma como o autor falou da Joana e do amor.
Gostei muito da coragem e da força que inevitavelmente reconhecemos no autor do livro, mas adorei a vulnerabilidade e fragilidade que este deixa de teimar em esconder. O seu humor mordaz e certeiro, as suas críticas, reflexões, opiniões. As metáforas tão bem conseguidas. Os neologismos. O humor – novamente o humor – que nunca deixou de me surpreender. A verdade que está em cada palavra, em cada frase, em cada pensamento.
Embora relate a viagem que o autor fez até à Índia, este é muito mais do que um livro sobre viagens. É um livro sobre o Tiago. A sua história e aquilo que ele é. E sinto que é um verdadeiro privilégio poder conhecê-lo através das suas palavras.
Combinação perfeita entre experiência pessoal, cultura/historia de locais e chapadas na sociedade. Escrita cativante, sólida e sentida. Venha a parte II e venham mais histórias e estórias escritas pelo Tiago.
Numa sociedade composta por padrões de beleza, maioritariamente exteriores, Partir Para Ficar - Da Europa até Timor à Boleia (Parte 1), mostra-nos o que é a verdadeira beleza - a generosidade, o altruísmo e a simplicidade. Características encontradas em países que toda a vida nos disseram serem perigosos. Esta é a viagem do Tiago e da Joana, partilhada aqui na voz do Tiago, numa escrita tão própria e verdadeira, repleta de subtilezas e imensas reflexões sobre a vida que todos nós, em algum ponto da nossa jornada, questionamos. (Estes à-partes foram o que mais gostei - aquela pergunta lançada ao ar, aquele roçar de mãos à procura de conforto, aquele pensamento mordaz que às vezes não dizemos, para não ficarmos mal vistos, aqueles pormenores escondidos entre parênteses). Mais do que uma viagem, mais do que um livro que conta uma aventura, descrevendo, de forma cativante e sucinta, paisagens fascinantes ou peripécias inusitadas, esta é uma história sobre pessoas, sobre o que é ser-se um ser humano. Para quem quer conhecer (de verdade) as pessoas de culturas diferentes, os seus costumes, a sua rotina, as suas alegrias e dificuldades, ou para quem (como eu) quer repor a fé na humanidade, ou simplesmente, para quem quer ser transportado numa aventura real, esta é uma leitura obrigatória.
Demorei algum tempo a acabar de ler. Não é fácil levar com banhos de realidade. Tantos e tão intensos. Refleti nas soberbas 2 primeiras páginas durante semanas. São facilmente as 2 melhores páginas que já alguma vez li! Tudo o resto é uma escrita extraordinária com reflexões profundas e duras encaixadas e encadeadas nas vivências do Tiago e da Joana. Um livro exímio que nos faz sentir mal do previlegio que temos! Aguardo a parte 2! Um grande abraço de amizade
Não é fácil encontrar uma boa escrita que tenha, simultaneamente, sensibilidade para descrever os pormenores arquitectónicos de um monumento e as características psicológicas de quem vai encontrando pela frente. O Tiago consegue fazê-lo com a mesma facilidade com que nos vai dando "chapadas de luva branca" e "murros no estômago" com os pormenores e a coragem desta viagem. Senti-me a viajar com o Tiago e a Joana, a correr em fuga, a sacudir a água da tenda. Muito, muito bom! Quando é que lançam a Parte 2, mesmo?
A fantastic trip through 10 countries (actually there are 11 if we include Transnitria) that seeks to demystify prejudices deeply rooted in Western society. With a simple, non-exhaustive, and at the same time raw description of the places and inhabitants of each country, Tiago manages to involve the reader in a very genuine way. Without a doubt, Pakistan was possibly the part I liked the most. Well done, Tiago (and Joana). Eager to read Part 2 (the adventures in India and Timor should be amazing!).
Um livro muito genuíno, que vem, para não nos deixar indiferentes. A dimensão humana da aventura do Tiago e da Joana vem quebrar muitos estereótipos de “viajantes” e povos e é uma doçura para a alma de quem os acompanhou durante a viagem, por outros meios. Ansioso pelo segundo capitulo, depressa depressa!
Uma experiência incrível contada na primeira pessoa. Embora sobre uma viagem (e uma grande aventura), este livro não é um guia turístico mas é sim uma ótima forma de abrir a mente, desconstruir preconceito, refletir sobre algumas ações e pensamentos que temos no dia a dia. Mal posso esperar pela parte 2 :)
Ao final da primeira parte: as palavras que me ocorrem são escassas e de pouca habilidade para descrever o aperto quente que me popula neste momento. Estou infinitamente grato pela nudez, pela humildade impactante que o Tiago nos ofereceu com este livro.