O volume que reúne os três livros mais recentes da poeta vencedora do Nobel de Literatura 2020 ― Averno, Uma vida no interior e Noite fiel e virtuosa.
Louise Glück tem a extraordinária capacidade de jogar luz sobre os aspectos mais variados ― e por vezes sombrios ― da vida. Sua obra, repleta de significados, é fruto de uma profunda curiosidade com tudo o que diz respeito à alma humana.
Este volume inclui os três títulos mais recentes da poeta vencedora do prêmio Nobel de Literatura em 2020. Averno (2006) retoma o mito de Perséfone e atualiza a trajetória de uma jovem deusa que, sequestrada, é obrigada a viver no submundo. Uma vida no interior (2009) retrata o dia a dia dos moradores de uma pequena cidade no campo e o modo como se relacionam entre si e com a natureza. Noite fiel e virtuosa (2014), por fim, aborda o envelhecimento, os vínculos familiares e a perda da inocência.
Com linguagem límpida e direta, Louise Glück mescla filosofia, mitologia e psicanálise em uma verdadeira pesquisa sobre a solidão, a melancolia e o luto. O resultado é uma poesia fascinante e comovente, a um só tempo misteriosa e reveladora.
American poet Louise Elisabeth Glück served as poet laureate of the United States from 2003 to 2004.
Parents of Hungarian Jewish heritage reared her on Long Island. She attended Sarah Lawrence College and later Columbia University.
She was the author of twelve books of poetry, including: A Village Life (2009); Averno (2006), which was a finalist for The National Book Award; The Seven Ages (2001); Vita Nova (1999), which was awarded The New Yorker's Book Award in Poetry; Meadowlands (1996); The Wild Iris (1992), which received the Pulitzer Prize and the William Carlos Williams Award of the Poetry Society of America; Ararat (1990), which received the Rebekah Johnson Bobbitt National Prize for Poetry from the Library of Congress. She also published a collection of essays, Proofs and Theories: Essays on Poetry (1994), which won the PEN/Martha Albrand Award for First Nonfiction.
In 2001, Yale University awarded Louise Glück its Bollingen Prize in Poetry, given biennially for a poet's lifetime achievement in his or her art. Her other honors include the Lannan Literary Award for Poetry, the Sara Teasdale Memorial Prize (Wellesley, 1986), the Pulitzer Prize for Poetry in 1993 for her collection, The Wild Iris. Glück is the recipient of the National Book Critics Circle Award (Triumph of Achilles), the Academy of American Poet's Prize (Firstborn), as well as the Massachusetts Institute of Technology Anniversary Medal (2000), and fellowships from the Guggenheim, Rockefeller foundations and the National Endowment for the Arts.
In 2020, Glück was awarded the Nobel Prize in Literature, "for her unmistakable poetic voice that with austere beauty makes individual existence universal."
Glück also worked as a senior lecturer in English at Williams College in Williamstown, Massachusetts, served as a member of the faculty of the University of Iowa and taught at Goddard College in Vermont. She lived in Cambridge, Massachusetts, and teached as the Rosencranz writer in residence at Yale University and in the creative writing program of Boston University.
“(…) like what I remember of love when I was young –
love that was so often foolish in its objectives but never in its choices, its intensities. Too much demanded in advance, too much that could not be promised –“ Crossroads
“Naquele verão, cada vez mais entendíamos que algo estava prestes a acontecer conosco, e que seria transformador. E o grupo, todos nós que fazíamos parte dele, esse grupo seria desfeito, como uma casca que se abre e liberta o passarinho. É claro que apareceriam dois pássaros, pares de pássaros.”
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o tempo a morte e a memória me acompanharam este ano, como este volume composto de três livros completos da louise glück. o aroma amargo e doce dos poemas agora nessa despedida
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“averno” (trad. heloísa jahn): ⭐️⭐️ “uma vida no interior” (trad. bruna beber): ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ “noite fiel e virtuosa” (trad. marília garcia): ⭐️⭐️⭐️⭐️
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o único ponto negativo talvez seja a própria edição: tarefa árdua a leitura de três livros com propostas tão distintas. penso de como seria a experiência de leitura individual de cada um. mas se assim fosse, livros publicados separadamente, talvez não teríamos glück no brasil…
Com um olhar voltado para dentro, profundo e solitário Louise mexe com nossos sentimentos. Foi uma linda jornada, a leitura de poesias que mais me marcou. Perfeito!
Minha relação com a poesia foi, por muitos anos, muito conturbada. Comecei a ler poesia quando estava no ensino médio através da influência de minha professora de língua castelhana (beijo profe Lisbeth) que sempre me recomendava coletâneas de autores colombianos locais pra que eu conhecesse. Eu ficava atordoado (no bom sentido) por descobrir um mundo onde o inexprimível era finalmente colocado em escrita. Depois dessa época meu gosto se inclinou à leitura de romances e a prosa me encantou de forma que fiquei por muitos anos sem ler poesia. Até pensei que se devesse ao fato de ter crescido e que, agora jovem e prontamente adulto, o mundo se me apresentava mais concreto. Para minha (agradável) surpresa, ao chegar em cheio à vida adulta pude perceber que de concreto só os prédios onde trabalho; as emoções humanas cada vez mais subjetivas — foi minha sirene de aviso pra voltar a ler poesia.
Desde então, tenho realizado um exercício de ler pelo menos uma obra / coletânea de poesia por mês e não me arrependo.
O dessa vez foi ler essa coletânea da Louise Glück. Tive contato com alguns poemas de um livro dela chamado Averno (contido nesta coletânea) através de uns blogs que divulgavam sua obra, o fuzuê que causava seu estilo nos meios literários com certeza já dava o que falar na época em que chegou a mim e ela já tinha bastante prestígio no meio. Alguns anos depois seria laureada com o prêmio Nobel de Literatura.
Esta coletânea contém 3 livros da autora: Averno, A Village Life e Faithful and Virtuous Night, todos com sua versão original e a devida tradução ao lado para o português. A diferença temática é evidente. Enquanto Averno tem um tom mais satírico e obscuro, “A Village Life” trata sobre o poder do cotidiano e é um tributo bucólico aos anos de infância bem vivida, assim como “Faithful and Virtuous Night” contém alguns poemas-prosa característicos da autora e com o qual, tirando o poema homônimo (que é maravilhoso), não consegui me conectar tanto. A sensação que tive é que, dentre os livros aqui contidos, Averno é sua obra mais carregada, densa, original, catedrática em forma e conteúdo. Mesmo assim, não houve nenhum poema que me pareceu fastidioso.
Achei a leitura muito fluída e talvez tirando os poemas do Averno que exigem do leitor um certo conhecimento sobre mitologia grega (nada demais também, coisa que um Google e uma pesquisada não ajude), os poemas não exigem grande bagagem pra uma primeira leitura.
Ler poesia pode ser um pouco difícil até pra quem é ferrenho leitor e tá tudo bem, se você está achando difícil é porque é difícil mesmo, não é um “problema” seu, não desista por isso! Tudo bem se você não sabe a qual escola o autor pertence ou não entende exatamente a anatomia de um poema com seus mínimos detalhes. Quer saber? Deixa isso pros acadêmicos por enquanto. Se joga nesse exercício de exprimir o inexprimível. Você vai ver que grande parte da beleza da poesia está no jeito que ela ressoa com VOCÊ e faz a SUA alma vibrar na frequência que ela quiser.
outras obras já traduzidas: “Receitas de Inverno da Comunidade” e o seu “Discurso do Prêmio Nobel” (disponível de graça em ebook para Kindle).
O poeta, por princípio, é de certa forma um solitário. Mas Louise Glück atravessa com vontade e necessidade esse portal da solidão em uma poesia direta, às vezes um tanto psicanalítica e filosófica, que fala sobre a experiência de viver e morrer humana. O que mais ficou em mim, a partir desta leitura dos três últimos livros entre 2006 e 2014, foi a sensação de revirar objetos antigos e, para além da poeira, sacar-lhes a alma. O tempo, na poesia da autora, é mais do que um personagem, é muitas vezes o eu-lírico, fazendo das galeria humana seu ofício poético e, por isso, tão preciso. Nunca havia lido nada dela e fiquei, além de surpreso, bastante inspirado - diálogo que, para quem também escreve, mas especialmente para quem lê, significa a arte.
Uma obra que traz um tom de conversa da poetisa consigo mesmo. No início, achei algumas traduções um pouco distorcidas (pro meu nível de entendimento, que não é profissional). Mas em geral eu gostei da proposta de ter o original e a tradução juntos. Ao longo do livro eles vão se costurando melhor, e em alguns poucos momentos, a tradução chegou a me tocar mais que o original
Os poemas do "Uma vida no interior" foram os meus favoritos. Tudo evoca a sensação de estar entregue ao silêncio e imensidão da natureza. É magnífico visualizar isso tudo
conjunto bem heterogêneo. averno tem um lugar no meu coração, mais próximo de meadowlands com esse híbrido de mito e vida no interior. já uma vida de interior tem isso da terra, que aparece em quase todos, e um pouco da influência das estações de the wild iris, mas é bem mais sombrio do que os outros, parece que nada faz muita diferença, ser jovem, ser velho, ir embora, ficar, sempre é ruim e só há uma falsa esperança de primavera. na sequência, noite fiel e virtuosa é surpreendentemente otimista, mesmo sendo uma obra de maturidade tem uma imaginação infantil contagiante.
3,5. Como a maioria das coleções de poemas, tem uma grande variação de nível. Os bons são muito, muito bons. Mas tem outros que são bem mais ou menos.
O que mais me impactou, e que vale pra quase todos, é a capacidade dela de criar imagens, o tempo todo eu lia quase vendo as paisagens, sentindo o vento, o cheiro das árvores e a neve. É uma coisa absurda o que isso faz em alguns poemas, a sensação quase tátil...
Uma coletânea que reúne a produção poética da autora durante esse período e oferece uma visão poderosa e introspectiva de sua obra. Louise Glück, uma das vozes mais notáveis da poesia contemporânea, tem uma escrita marcada pela clareza, pela introspecção e por uma exploração profunda da psicologia humana.
prós: a construção de cenários, em especial os naturais, pela autora é de uma sensibilidade muito bonita (faz entender toda a estética fugere urbem árcade); a escolha do mito de Perséfone, no primeiro livro, para pensar o feminino, foi, ao meu ver, muito bem executada, trazendo uma visão nova para o mito e para as várias visões da vivência feminina; outro ponto forte da autora é o empenho em construir uma narrativa entre os poemas de um mesmo livro, de modo que cada texto deve ser lido como parte de um todo, na construção de uma história, mais ou menos estruturada (o que acaba sendo muito raro, quando se pensa que os livros de poesia, normalmente, funcionam como antologia poética de dado autor: um apanhado de textos que se encerram em si mesmos); a minha a sacada da companhia das letras em trazer a versão original, em inglês, e a tradução é simplesmente sensacional e esse livro me fez reiterar a necessidade de se ler, também, a versão original, com as palavras da autora, para entendimento real (e sempre que possível) da mensagem que ela quis passar, da forma em que ela quis passar (sem, no entanto, tirar o mérito de cada uma das tradutoras que trabalharam na versão)
contras: pelo estilo da autora de optar por versos livres, muitas vezes a leitura dos poemas levava à interrogação do motivo da estrutura (o famoso “este poema é um texto em prosa cortado em versos”, perdendo o sentido do porquê cortar a sentença em determinado ponto), o que, ao meu ver, empobrece um pouco a escrita na maioria dos poemas; em grande parte deles (e eu tento ao máximo pontuar que são problemas de >alguns< poemas e não uma generalização de toda a coletânea) o simbólico passava a ser um pouco raso, poucos foram os momentos de pausa-respiro-reflexão, que são tão bacanas quando se lê poesia
esperava mais por ser uma vencedora do nobel, mas justamente por ser uma vencedora do nobel, ela já tem a sua parcela de aplauso para simplesmente não se importar, se for o caso
acho pavoroso terminar um livro de poesia pensando que ele poderia facilmente ter sido escrito praticamente todo em prosa (um texto corrido que foi cortado em verso)