Como Agir/Pensar/Lutar/Se Tornar um Guerrilheiro Revolucionário, nas palavras daquele que foi o mais famoso de todos.
Guevara é sucinto em sua obra, escrita com esmero, propósito e foco — sendo ele próprio o seu maior crítico.
Ao tentar estabelecer um método e uma lógica para algo tão subjetivo quanto uma guerra de guerrilhas, Che revela suas maiores forças e também suas falhas: as mesmas que o transformaram em figura mítica ao tomar Havana e que, anos depois, o levaram à morte nas selvas da Bolívia.
Com caráter intransigente, disciplina extrema, pragmatismo e um “idealismo realista”, Guevara transporta o leitor para a realidade que enfrentou em Cuba: uma existência marcada por provações diárias de subsistência e combate, na qual a vitória só se torna possível por meio de uma organização capaz de moldar os homens, de transformar o “eu” em “nós”. Para isso, também são indispensáveis o conhecimento profundo da população local, da geografia, das estratégias adequadas e, inevitavelmente, uma boa dose de sorte.
A leitura — pela sua natureza de manual militar — revela claramente ter sido escrita em 1960. No entanto, mais constantes que as marcas do tempo são as lições e reflexões sobre o que foi necessário para a vitória dos Barbudos. Não à toa, a obra continua sendo estudada tanto por admiradores e aspirantes a revolucionários quanto por contrarrevolucionários, que buscam impedir a todo custo que uma revolução como a cubana se repita.
Recomendo a leitura a quem tem curiosidade sobre os métodos revolucionários em sua aplicação prática — indo além da superficialidade —, a quem deseja aprofundar-se na compreensão de Ernesto “Che” Guevara e, ainda, a quem procura transmutar os conselhos e conhecimentos militares de um guerreiro para a vida cotidiana, da mesma forma que muitos fazem com A Arte da Guerra.