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Memórias de Martha

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Memórias de Martha é uma autobiografia ficcional escrita por Julia Lopes de Almeida. Acompanhamos a trajetória de Martha desde sua infância. Sua vida em um cortiço carioca, no fim do século XIX, e as dificuldades pelas quais passa com sua mãe, viúva, que precisa trabalhar para sustentar a filha. O livro chama atenção para a situação da mulher naquele período e exalta a importância da educação para a conquista de novas oportunidades.

São memórias de uma personagem mulher, escritos por mulher, algo extraordinário no tempo em que o romance foi escrito.

Esta reedição da obra, publicada em 1899, tem a ortografia atualizada e conta com notas explicativas para termos e palavras fora de uso.

116 pages, Paperback

First published January 1, 1899

24 people are currently reading
177 people want to read

About the author

Júlia Lopes de Almeida

92 books41 followers
The first Brazilian woman to lead what can legitimately be called a career as an author, Júlia Valentina de Silveira Lopes de Almeida was a novelist and playwright, an advocate for women's education and other progressive social reform, and an all-around intellectual. Though she was immensely popular in the late 19th and early 20th Century, her works were forgotten soon after her death, largely due to the country's literary trajectory toward modernism. Recently, however, scholars and readers have begun to unearth and rediscover the pleasures and technical merits of the vast and diverse body of literature she left behind.

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5 stars
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203 (41%)
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170 (34%)
2 stars
41 (8%)
1 star
6 (1%)
Displaying 1 - 30 of 81 reviews
Profile Image for Adriana Scarpin.
1,736 reviews
July 23, 2025
Escrito na virada do século XIX para o XX, Memórias de Martha se sobressai pelas questões de gênero nele contidas. O que mais salta aos olhos é a força, independência e pensamento crítico das personagens femininas, a jovem Martha quer evitar o casamento de conveniência para ser concursada e independente, mesmo se rendendo ao mesmo só prova que o pensamento crítico sempre passara às mulheres letradas independente da classe ou exigência patriarcal, o que a autora sabia muito bem já que fora limada da fundação da ABL por ser mulher.
Um outro ponto do livro é que a Lopes estava bem a par da histeria como condição médica do século XIX, em 1899 Freud ainda não era famoso, mas havia todo um arcabouço de teorias sobre como curar histéricas, das quais a mais famosa era o casamento. Rá!
Enfim, é uma excelente obra a pensar gênero e classe da sua época e Lopes passou tempo demais enterrada fora do cânone simplesmente por ser mulher, não por acaso esse livro está sendo reinserido e até farei um curso sobre ele na USP.
Profile Image for Mateus Mendes.
50 reviews4 followers
March 14, 2024
Ultimamente Martha é uma pessoa triste. Poucos livros abordam a pessoa convencional: pobre (ou humilde) feia, de poucos prospectos.

Na mão conto apenas três: Jane Eyre, feia e pobre na Inglaterra, vira professora. Martha, com certeza escrita com certa inspiração em Jane Eyre, pobre mais pobre, pois brasileira, triste e também vira professora. E curiosamente Dark Places, de Gillian Flynn, onde a personagem, Libby, é feia, triste e deformada por uma tragédia na infância.

Claro que as histórias de Libby Day e de Jane Eyre, talvez a maneira do imaginário anglófono, são extraordinárias. O tesao do inglês da época era ficar rico e não ter que trabalhar; já o tesao do americano é um crime desgracento à duras penas ser resolvido.

A história de Martha é só de penosidade e tristeza. O tesão brasileiro na sua melancolia.

Vale retratar que há outras obras de “pessoas normais” mas se homens, não precisam ser bonitos, não ser feio não é uma preocupação do homem, como é de Martha, ou de Jane Eyre, que relatam o martírio da feiúra e como isso as terroriza ao longo das suas vidas. Os homens então vão se preocupar com outras coisas das suas vidas, e em pegar mulher bonita, idealizada.

À Jane Eyre e Martha restam resiliência para trabalhar apesar de não ter nascido bonita nem rica. Então é isso a que as personagens se dedicam. Martha é um livro austero. Não tem exageros góticos. É de uma brasilidade mórbida. A vida não oferece à Martha nada além do mínimo — a que alguns ainda falta — e não sem esforço. Casa-se por conveniência, com alguém feio também, e velho, mas com um pouco mais de dinheiro. Martha não finge que a esse mínimo deve alguma falsa gratidão.
Profile Image for Helena.
255 reviews650 followers
December 27, 2024
amei a escrita!! um dos classicos que mais gostei, quero muito ler mais dela
Profile Image for Inês Etulain.
77 reviews2 followers
April 17, 2025
É um livro realista mesmo, com todas suas características. Traz uma temática interessante sobre a ascenção social através do estudo e do trabalho, sobre a condição feminina na sociedade e sobre a disputa de classes de um Rio de Janeiro oitocentista. Não é de se surpreender que seja leitura obrigatória da fuvest.
Profile Image for bia bolofinha.
10 reviews
March 28, 2025
A mãe dela é uma santa e ela mesma é uma pobre mulher insegura e sem perspectiva de futuro.
Profile Image for Sofia ୧ ‧₊˚ ۶ৎ.
22 reviews14 followers
February 12, 2025
Yeaaah I didn't like it 🙁

How can she keep on loving him when
1. She didn't even talk to him for more than maybe 1 week
2. He's in love with someone else and didn't try to hide it
Girl pls stand up

And then she marries some old man for revenge??? HE DOESN'T CARE

Anyways, 1/11 from the books I need to read for my exams 🙏🙏🙏
Profile Image for natalia.
52 reviews1 follower
July 11, 2025
“a queixa é uma fraqueza, a pegada impressa no chão lodoso da terra; o silêncio sofredor é o voo, no azul cândido do infinito. a minha santa, a minha inigualável amiga, atravessou todas as misérias sustendo-se sempre nas asas.” muito, mas muito triste que a martha e a mãe tenham apenas andado com o sacrifício ao lado delas. fiquei sem palavras na parte do reencontro, se é que pode ser chamado assim mesmo quando as palavras que queriam ter sido ditas foram esmagadas pela vergonha e pela tristeza no andar corrido, com a clara silvestre. talvez possamos ter chegado perto do que aconteceu com ela e, mesmo assim, querer pensar que não, como a ingênuidade da martha conseguiu. também ter a imensa vontade de invadir aquela vida misteriosa e descobrir, enfim, o que esteve bem à nossa frente. um livro muito desolador, onde nada nunca acontece além dos pesares e do silêncio nem um pouco mudo.
Profile Image for Simone Gonçalves.
57 reviews
July 11, 2025
Livro que está na lista da FUVEST 2026. O livro evidencia as diferenças entre as classes sociais e chama a atenção para a condição da mulher e a importância da educação como ascensão social e superação da pobreza extrema.
31 reviews
January 6, 2025
• Marta relembra sua infância marcada por dificuldades e perdas, como a morte precoce de seu pai e as condições humildes em que viveu com sua mãe viúva.
• Ela descreve a vida no cortiço, um ambiente repleto de personagens marginalizados, como vizinhos alcoólatras e crianças negligenciadas, mas também com figuras de resiliência, como a amiga Carolina.
• O esforço da mãe de Marta para sustentar a filha é um ponto central. Apesar das dificuldades, a mãe de Marta é retratada como carinhosa e batalhadora.
• A obra também explora os sonhos e ambições de Marta, que deseja estudar e ter uma vida melhor, enfrentando as limitações impostas por sua realidade.


1. A vida no cortiço: o reflexo da desigualdade social
O ambiente do cortiço é descrito como um espaço de miséria, promiscuidade e convivência forçada. Marta e sua mãe vivem nesse lugar após a morte do pai, enfrentando condições insalubres e a marginalização.
• Evento: Marta descreve o cortiço como um lugar onde “o ar contrafeito” e “a água se empoça entre pedras desiguais”. A convivência é marcada por brigas entre vizinhos e vícios, como o alcoolismo.
• Crítica: A narrativa expõe como os pobres eram segregados em habitações precárias, refletindo a falta de políticas públicas para garantir moradias dignas.

2. O alcoolismo e a destruição familiar
Personagens como o menino Manéco e a lavadeira Eulália são retratos das consequências devastadoras do alcoolismo em famílias pobres.
• Evento: Manéco, incentivado a beber cachaça desde cedo por um vendedor, torna-se alcoólatra e termina gravemente doente. A mãe dele, em desespero, tenta agredir o vendedor responsável por incitá-lo ao vício.
• Crítica: O alcoolismo é apresentado como um ciclo vicioso que destrói vidas, agravado pela negligência social e pela exploração econômica dos mais vulneráveis.

3. As humilhações da caridade
Marta é frequentemente colocada em situações de humilhação ao receber esmolas, refletindo as desigualdades e o comportamento condescendente das classes mais abastadas.
• Evento: Marta recebe roupas usadas de uma família rica. Durante a entrega, é tratada como inferior, enquanto a filha da casa, Lucinda, exibe seus luxos. Marta sente-se inferiorizada ao ser comparada com Lucinda diante de um grande espelho.
• Crítica: A obra critica a caridade que reforça hierarquias sociais e humilha os menos favorecidos, em vez de promover mudanças estruturais.

4. A falta de acesso à educação
O acesso de Marta à escola é dificultado pela pobreza. Somente após receber roupas usadas, sua mãe sente-se confiante em matriculá-la, para que ela possa “parecer asseada”.
• Evento: A entrada de Marta na escola só ocorre porque ela ganha roupas “adequadas”, destacando como a pobreza exclui as crianças de um direito fundamental.
• Crítica: A educação é apresentada como um privilégio condicionado a padrões superficiais, como a aparência, em vez de ser acessível a todos.

5. Estigmas sociais contra a mulher
A mãe de Marta enfrenta preconceitos após o suicídio de seu marido, que é acusado de roubo. Além de enfrentar a pobreza, ela carrega o peso do estigma, o que limita ainda mais suas possibilidades de ascensão social.
• Evento: A mãe de Marta explica que, após a morte do pai, elas foram “rebaixadas” na sociedade. O histórico do pai desonra a família e força-as a viver no cortiço.
• Crítica: A obra aborda como as mulheres eram penalizadas socialmente pelos atos dos homens de suas famílias, sem espaço para defesa ou redenção.

6. A exploração do trabalho feminino
A mãe de Marta é uma engomadeira que trabalha até a exaustão para sustentar a filha, mas vive em condições precárias.
• Evento: Marta descreve a mãe trabalhando horas a fio, vestida com trajes velhos e danificados, enquanto tenta esconder os sinais de cansaço para poupar a filha de preocupações.
• Crítica: O trabalho feminino é representado como árduo e mal remunerado, sendo frequentemente desvalorizado, mesmo quando é essencial para a sobrevivência da família.

7. A brutalidade das desigualdades de classe
Marta cresce consciente das diferenças de classe ao comparar sua vida com a das meninas ricas, como Lucinda, que vive cercada de luxo.
• Evento: Ao visitar a casa de Lucinda, Marta é confrontada com o luxo do ambiente, as roupas e os brinquedos da menina rica. Ela passa a questionar por que nasceu em uma posição tão inferior.
• Crítica: A desigualdade é exposta como uma barreira psicológica e social que impede os menos favorecidos de sonhar ou buscar uma vida melhor sem ressentimentos.

8. Amor não correspondido por Luiz e casamento arranjado com Miranda(homem mais velho)
Profile Image for Dusty.
811 reviews243 followers
March 3, 2013
Marta is the first of many novels Júlia Lopes de Almeida would publish in her very industrious lifetime, and it remains one of her best remembered works. Today, it is often read for its depiction of the nineteenth-century cortiço from a woman's perspective, providing a "domestic" contrast to the predominantly outdoor scenes narrated in Aluísio Azevedo's more canonical O cortiço. The book is more romantic than realist/naturalist, which makes it something of an oddity for its time, but still it provides a credible psychological portrait of its narrator, the melancholic Marta, as well as a panorama of other female characters whose lives could have been Marta's own, if only she had been raised with money, if only she had made different choices.
Profile Image for Bela A..
12 reviews4 followers
August 15, 2021
ótimo livro da genial júlia lopes de almeida. mostra com clareza o caráter dúbio e contraditório da época em relação à emancipação feminina.
só achei curtinho e rápido demais, o final foi super repentino (apesar de eu entender o porquê de o livro ter terminado naquele ponto)
Profile Image for Ju Lins.
3 reviews
November 11, 2025
Ela é tão coitadinha e dependente da mãe q dá dó demais
Profile Image for Lestat Gostosao.
13 reviews1 follower
June 7, 2024
o conteúdo não é lá grandes coisas, mas a relação da martha com a mae dela é de fato mto bonita
Profile Image for Vinícius Gabriel.
1 review
March 30, 2025
Você pode gostar por conter tópicos de:
Baixa Autoestima, Impacto do Bullying na Vida Adulta, Pobreza, Exclusão Social e Autodescoberta


Na minha humilde opinião, um livro subestimado e reduzido às decisões que foram tomadas pela autora no final da obra que por sinal só ocorreu por conta da pressão de e porque .

Você pode obter confirmações de sua falta de esperança na sua vida amorosas como por exemplo em:
"Esse amor parecerá absurdo a quem não tiver, como eu tive. sempre, a preoccupação da fealdade; a quem não se sentir isolada na vida, longe de todos os primores da graça, da distincção ou da intelligencia."


A obra retrata trechos pessoais de vivências de bullying, preconceito, por conta de fatores fora de seu controle, como pobreza, aparência, que foram vividos na sua infância por outras crianças e adultos que se perdurou até mesmo durante sua fase adulta, sendo percebido em algumas de suas falas:


"Presumia que toda a gente se ria dos meus gestos, da minha cara, da minha pobreza."

"A minha dôr de viver, de ser feia, de ser pobre, de ser triste, durou ainda muito tempo; a creio que não se estinguiu absolutamente..."

"A mesma desconfiança pela humanidade que me repudiava, julgava eu."

"Eu estudava muito, mas, ou pelo esforço intellectual, ou por fraqueza physica, estava sempre nervosa, irritada e magra."

"Olhei com desprezo para o meu corpo, achando-o indigno da minha alma. O ódio da natureza cresceu em mim num fermento em que todos os azedumes se encontravam."


E vivia constantemente se comparando às outras meninas da sua idade:

"Como me achei triste e feia ao lado d'aquella menina da minha edade!
Ella, muito alva, corada, olhos rasgados a brilhantes de alegria e de orgulho,
o vestido claro, curto, bibe branco bordado,
meias pretas esticadas por cima dos joelhos.
Eu pallida, o cabello muito liso, feito em uma trança apertada,
as pernas magras, as meias de algodão engilhadas
o vestido de lã côr de havana, muito comprido e esgarçado."


Martha exemplifica como grande parte de nós somos moldados na fase adulta, e como nossos problemas psicológicos são decorrentes de experiências vividas ainda quanto crianças, que inclusive é uma fase extremamente sensível.
"As crianças pensam; a as impressões que sentem são as mais duráveis e profundas muitas vezes."


Ela fez esforço com o que tinha ao seu alcance, e ainda assim pelos leitores é rasamente detida como ingênua e condenada por suas ações sem levar em conta o ambiente que cresceu.

Eu dou nota 10, eu me identifiquei em diversos excertos e é uma obra extremamente detalhada que capta as nuances dos sentimentos da autora e me fez ter outra perspectiva quanto à baixa autoestima.
Profile Image for Rogerio Lopes.
820 reviews18 followers
May 21, 2025
Memórias de Martha de Júlia Lopes de Almeida é um livro enganosamente simples, aparentemente bobo comparado com outras obras, mas que por trás de sua história quase que clichê esconde algumas reflexões interessantes.
A primeira coisa que precisamos nos atentar, sem a qual não iremos apreciar devidamente essa pequena novela é a data de sua publicação, temos uma obra de 1888, é preciso portanto ter em mente que estamos sendo apresentados a um Brasil quase que desconhecido para nós.
Tal dado também justifica a escolha de nossa protagonista, algumas de suas mazelas nos dias de hoje nos são apresentados na vida de mulheres negras pobres, não é tão comum na literatura atual se falar do lugar da mulher branca pobre. A escassez desse tipo de relato é um tanto problemático porquê nos dá conta de uma faces do racismo, atribuir um lugar social pela cor da pele.
Temos portanto, essa mulher branca pobre, que se descreve como feia e caída em desgraça nos contando parte de sua história, ou talvez e isso é muito sutil a parte de sua história onde ela existe como ser individual. O relato é cheio de entrelinhas, a autora aqui e ali nos dá pistas sobre o que quer falar enquanto nos conduz em sua narrativa que pende para o melodrama.
Por mais que a escrita de Júlia seja agradável e nos arraste consigo provavelmente o leitor vai revirar os olhos com algumas cenas que podem nos parecer absurdas. A novela no entanto cresce nos seus instantes finais quando somos apresentados ao desfecho da protagonista.
Dada a data do texto Martha sequer cogitar a ideia de ser uma mulher independente sem marido é de uma ousadia desconcertante. A outra opção nos é mostrada, mas a autora é tão sutil que o leitor pode não se dar conta do que significaria ser uma mulher “livre” naquela época. Obviamente a personagem caí em si e se resigna ao destino inevitável.
Também chama a atenção o discurso implícito de que a mulher poderia dentro de alguns limites ascender pelo estudo. É porém, certo que a protagonista só poderia escolher entre trabalhos domésticos e a carreira como professora, o comentário final da mãe de Martha é muito esclarecedor de até onde uma mulher poderia ir.
Outra curiosidade e não creio que não seja intencional é a escolha do nome da protagonista, que Júlia tenha escolhido o nome da mulher atarefada com os deveres do lar e subvertido essa sina colocando-a como alguém inapto a esses trabalhos e que em alguma medida almeja o conhecimento, não me parece uma coincidência.
Em suma Memórias de Martha de Júlia Lopes de Almeida é uma novela interessante, que pode parecer boba e melodramática, mas que lida dentro de seu contexto histórico oculta uma crítica ao lugar ou antes ao não lugar ocupado pela mulher, que tem sua individualidade restrita aos papéis de mãe ou de cuidadora.
Profile Image for lavigirl.
53 reviews
April 20, 2025
Memórias de Martha, um dos poucos livros de vestibular que eu realmente gostei de ler.

O livro ele tem uma passagem de tempo que pode ser bem confusa pra quem tá lendo. Muitos capítulos, principalmente os que ela viaja com a D. Aninha, sua professora. Memórias de Martha gira em torno da educação e seu desenvolvimento na sociedade, Martha sendo a prova viva disso. Pra quem quiser um repertório de redação do ENEM sobre a educação, tá aí um bom livro.

Além de tudo, o livro foca na desigualdade, tendo em vista que ele faz parte da escola literário do Naturalismo, minha escola favorita, e como qualquer romance naturalista ele deixa muito vivido a animalização das pessoas do cortiço, como a ilhoa e o Maneco. Muitos desses personagens vão sendo deixados de lado conforme a história evolui assim como qualquer um de nós: as pessoas ao seu redor mudam conforme o tempo. Junto com o Naturalismo, também é retratada a pauta do vício que domina o Maneco e causa seu trágico fim, e também casos na família de Martha. Também pode muito bem ser usado como repertório para os vícios, ações e consequências, entre outros.

Também é muito real o que Martha sente sobre si mesma e sobre as pessoas à sua volta, o que torna o livro muito mais atual e identificável para as mulheres que estão lendo nos dias de hoje. O fato dela não se achar bonita e dentro dos padrões estabelecidos pelos homens na sociedade. Martha só vai se casar uma vez que um homem mais velho e maduro gosta dela por meio de suas cartas, sua personalidade, antes mesmo de sequer prestar atenção em sua aparência. Ao mesmo tempo, é meio sinistro que o Miranda tenha prestado atenção nela enquanto ela ainda era uma menor de idade.

Assim como a desigualdade gera desigualdade, que podemos analisar naquele curta “Vida Maria”, que é engraçado a uma primeira instância porém se torna muito real na sociedade, a educação também gera mais educação. Martha conseguiu ‘sair’ de suas condições de vida e ‘dar a volta por cima’, se tornando professora assim como D. Aninha, que sempre esteve ao seu lado durante todo esse processo. É uma maneira de mostrar que podemos quebrar esse ciclo de desigualdade e tornar das pessoas o melhor que elas podem.

É um livro extremamente contemporâneo e que pode ser uma grande porta de entrada para aqueles que vão prestar o ENEM ou a FUVEST pela primeira vez e não fazem ideia do que usar de repertório para a redação.

Livros similares eu poderia citar “O Cortiço” e “Germinal”, para quem tiver interesse em mais livros assim.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Carla Parreira .
2,042 reviews3 followers
Read
March 27, 2025
É um romance que narra a vida de Marta, uma jovem que enfrenta as dificuldades da vida em um cortiço após a morte de seu pai, que foi injustamente acusado de roubo. A obra destaca a luta da mulher por emancipação e educação em uma sociedade patriarcal. A mãe de Marta, determinada a proporcionar uma vida melhor para a filha, trabalha arduamente como engomadeira, incentivando-a a estudar. Marta se destaca na escola, tornando-se assistente de uma professora, o que a ajuda a sonhar com uma vida mais digna. Ao longo da narrativa, ela se depara com as desigualdades sociais e suas próprias limitações, especialmente quando se apaixona por um primo da professora, que não repara nela. Apesar de suas aspirações, acaba se casando com Miranda, um homem que não ama, para agradar à mãe e garantir sua segurança. Essa decisão reflete a pressão social sobre as mulheres da época, que muitas vezes eram forçadas a abrir mão de seus desejos pessoais em prol da estabilidade familiar. A história de Marta continua a explorar suas experiências e desafios, enquanto ela busca um equilíbrio entre suas ambições e as expectativas da sociedade. Marta, ao se casar, acreditava que estava garantindo sua segurança em uma sociedade que valorizava a proteção masculina como única forma de estabilidade para as mulheres. Sua mãe, ao falecer, morreu satisfeita, acreditando que a filha estava encaminhada. A obra de Júlia Lopes de Almeida retrata a realidade do Rio de Janeiro no final do século XIX e início do século XX, onde o papel da mulher era restrito a esposa e mãe, sem valor próprio sem a presença de um homem. A autora, uma escritora de vanguarda, foi uma das primeiras a viver de sua escrita, desafiando as normas da época, embora enfrentasse barreiras como a impossibilidade de assumir uma cadeira na Academia Brasileira de Letras por ser mulher. O livro também enfatiza a importância da educação na emancipação, mostrando que a falta dela perpetuava ciclos de pobreza e submissão, refletindo uma realidade que ainda persiste no Brasil. A luta pela emancipação feminina, embora tenha avançado, ainda enfrenta muitos desafios.
Profile Image for Barbara Pereira.
355 reviews11 followers
February 27, 2021
It is a pity that during my school time only one teacher would present us the Brazilian Authors during her class. However, I never came across Julia Lopes de Almeida and if it wasn’t LibriVox I would probably never know anything about this author.

This book is one of those that presents Brazil exactly how it was and sometimes still is. Poverty, suffering, mothers raising their children by themselves and going against all the odds to do the best for their offsprings. Martha was raised in a Cortiço, a place still known by some of us, by her saint mother, Martha, who did everything she could to change the girl’s future. She was the one who would work hard on providing all the goods, even when it was necessary for her to put her own health at risk.

This book also presents us how women, living in a sexist Brazilian society set in the 1800’s, would be able to change their future by themselves. Plot twist: most of them wouldn’t. Emancipation is still something that Brazilian women have to fight for, and most suffer because of what Society thinks it is right for them. I mean, us.

This reading showed me so many aspects of my own country, while I listened to Rachel Moraes I could think about all the almost-well-hidden layers of the society I was raised in. I could see clearly in my mind my own neighborhood, my friend’s families and houses, my own home and the women who raised me and fought against the odds themselves to put me in a higher rank.
Profile Image for Nathália .
919 reviews34 followers
July 10, 2024
"Com que orgulho eu penso na desvelada solicitude que tem em geral a mulher brasileira para o filho amado! Não o repudia nunca, trabalha ou morre por ele. Coração cheio de amor, perdoemos-lhe os erros da educação que lhe transmite e abençoemo-la pelo que ama e pelo que padece!"

Para um livro publicado em 1899 ainda é extremamente fluido, fiquei impressionada.

Dá pra ler em um dia sem esforço algum. E olha... Foi o primeiro livro publicado por ela, então fica aqui todos os elogios! Que mulher!

Só não sei 5 estrelas pq foi triste demais, então fica aqui um 4,5 quase 5. Inclusive vi uma resenha de alguém comparando-o com Jane Eyre e consigo ver o mesmo, mas Jane ainda me parece mais otimista?

É uma narrativa que aborda muito o feminino, vemos brevemente relances da vida de várias mulheres (em sua maioria de classe baixa) e suas dificuldades da época (q ainda são os de hoje, viu?)

Também fala muito da relação maternal e essa é oq arrebenta o coração de qualquer um.

A vontade de ler mais Júlia só aumentou.
Profile Image for Danilo Teobaldo.
10 reviews
March 25, 2025
Em uma fusão entre O Atheneu e O Cortiço, Júlia Lopes de Almeida constrói uma narrativa focada no desenvolvimento de Marta, uma jovem que perde seu pai e é forçada a viver com a sua mãe em um cortiço. É interessante ler esse livro depois de Opúsculo Humanitário, pois os dois focam na superação da condição feminina por meio da educação. O livro, embora pessimista, é de um realismo interessante: mostra-se o processo para tornar-se professor no Brasil Imperial, os estados desumanos dos cortiços, bem como hábitos das classes operárias à época; além, é claro, da independência da mulher:
"a reputação da mulher é essencialmente melindrosa. Como o cristal puro, o mínimo sopro a enturva…"

P.S.: A edição avaliada se refere à última edição — com o texto muito modificado — publicada pela autora na década de 1920. A original, de 1899, continua em circulação, com edições como a da ViaLeitura. Não me ficou claro a qual edição a Fuvest se refere.
Profile Image for Felipe Coutinho.
11 reviews
Read
July 9, 2025
Assim como na vida de Martha, pouca coisa acontece nesse livro.

Não sei, achei ele meio "deadbeat", por falta de palavra melhor, alguns acontecimentos que inicialmente parecem ser insignificantes na verdade são pontos de progresso da história, e de repente o livro acaba, mesmo cobrindo da a infância até o casamento de Martha, o tom segue meio lento e monótono, mas talvez isso seja intencional, e seja um reflexo acurado do brasileiro pobre do século XVIII, não sei.

A parte mais interessante do livro é a relação da protagonista, Martha com a mãe, e a leitura em si também é intrigante, por ser uma publicação centenária, o que não falta são palavras novas. Apesar de tudo, acho legal o fato da FUVEST ter incluído esse livro esse ano, a figura de Júlia Lopes de Almeida merecia um pouco mais de visibilidade, sendo uma das figuras fundadoras da Academia Brasileira de Letras menos lembradas.
(Por algum motivo esse livro está aparecendo no meu perfil como audiobook, mas eu li isso, não escutei.)
Profile Image for Cobalt's Son.
123 reviews
July 1, 2025
This book breathes, sweats, and bleeds pure Romanticism. It’s astounding how the author delivers such sharp social critique within such a short story — and in a language that’s both beautiful and accessible.

Martha is a character who charms you, frustrates you, and breaks your heart. She suffers more from her inactions than her actions — but she’s not to blame. The narrative doesn’t criticize her for being a poor woman trying to survive. In fact, the image she has of “what it means to be a woman” is built entirely around her mother — who herself lived a tragic life, married to a man who committed suicide after being accused of theft.

So Martha grows up surrounded by people who belittle her — rich, fake-kind people who pretend to care, but don’t. The book lays bare a brutal wound of the 19th century that still echoes painfully into the 21st. This story is raw, ferocious, and necessary.
Profile Image for Rony Peterson.
174 reviews1 follower
September 12, 2025
Memórias de Martha de Júlia Lopes de Almeida

Li esse livro por causa de uma disciplina da graduação que se trata de temas relacionados ao ensino de literatura. Foi uma leitura que me animou em especial pela atividade que eu teria que fazer, um diário de leitura. Eu já vinha tentando escrever mais durante os textos que leio, até separei um caderno para isso. Foi um bom pontapé inicial. Esse romance é bem curto e com um texto compreensível. Uma das cenas que mais me marcaram desse livro foi a protagonista, Martha, relatar a raiva que sentia de seu próprio corpo e de um descompasso que ela via entre ele e sua alma. Não é o tipo de leitura que eu leria sem ter uma indicação, mas se provou uma boa ideia ter lido, ainda mais considerando que eu gostei muito de A Falência e imaginei que outro livro da autora seria semelhante.
Profile Image for bels!.
6 reviews
October 9, 2024
O livro promete o que entrega, é um romance naturalista que conta da história de Martha (narradora) desde seus 5 anos até os 25/30 anos. Ao longo do livro Martha reclama de sua aparência, de sua vida e da falta de amor concedido a ela por personagens homens (o menino de olhos castanhos e Luiz). Por mais que a vida de Martha tenha sido *horrível*, para dizer o mínimo, e todas suas atitudes sejam absolutamente e completamente compreensíveis, me cansou ao excesso ler mesmo com suas poucas páginas (70, 80?). Além disso, ela sofre com a “recusa” de Luiz e com a morte da mãe do exato mesmo jeito, sendo que para o primeiro é um ato muito exagerado e para o segundo, por conta do primeiro, parece que não foi ““o suficiente””, se é que se pode dizer isso.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for juju.
9 reviews
Read
September 8, 2025
A narrativa se estabelece em um Rio de Janeiro pré-republicano, mostrando a realidade da vida na época, desde os cortiços até as casas das famílias abastadas. O livro, muito marcado pelo Realismo, possui também traços Naturalistas. A história mostra a superação da personagem por meio do estudo, o que se contrapõe a história de sua mãe, que fugiu de casa para casar-se, sendo uma crítica aos românticos. O casamento de Martha não é movido por paixão, e sim por respeito e busca por estabilidade financeira. Este também não é o centro da obra: a narrativa tem início com a ida de Martha para a escola pela primeira vez, e decorre até sua aprovação no concurso para professoras.
Profile Image for Klissia.
854 reviews12 followers
Read
January 27, 2024
Uma obra naturalista mas sem crítica social,apenas um retrato de uma jovem,seu ambiente decaído sua época, suas desilusões, em ser mulher. Este é o "debut" de Julia de Almeida na literatura, interessante, mas não tanto como "A falência ",outra obra mais madura sua que já tinha lido.Enquanto lia este me lembrei das descrições de Clarice Lispector sobre sua infância de agruras em em Recife, do trabalho árduo e sacrifícios do seu pai.Aqui a escritora descreve uma relação de mãe e filha, amorosa e triste. Todas as histórias de mulheres são quase as mesmas,não importando o lugar.
Profile Image for Emanuela Siqueira.
166 reviews60 followers
February 16, 2025
adorando construir um pensamento que une Julia e Edith Wharton. Porém, sigo muito triste com o quanto perdemos em não ler ela na escola junto (no caso desse em especial) ao Cortiço, do Aluísio de Azevedo. Tanta coisa nesse livro, desde o tom pessimista diante do casamento (apesar do acesso à educação no século 19), a vergonha de classe, a denúncia às más condições de acesso ao saneamento básico, moradia segura etc, a viuvez para mulheres e etc.
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