Um livro fantástico, um romance histórico, em que a autora nos consegue transportar para dentro da história.
Manuela mora em Portugal e é casada com Henrique, a mãe de Manuela morre o que provoca uma dor enorme, sem nenhuma explicação faz uma viagem no tempo. Chega ao Brasil de 1813, um território sob domínio português, onde na sombra cresce a Revolução Pernambucana, um passo inspirador para a independência do Brasil da coroa portuguesa, que anos antes fugira de Lisboa para o Rio de Janeiro. Manuela fica obrigada a viver no passado, numa realidade onde existe escravatura, numa sociedade moralista em que a mulher tinha um papel de subordinada dos homens. Manuela era uma mulher muito forte, generosa e determinada em que lutava pelos seus ideais o que criou animosidade e respeito por muitas pessoas, vive um grande romance com o Francisco.
Penso que a Manuela devia ter dito a verdade da sua viagem no tempo ao Francisco, gostei muito de ver a capacidade de adaptação da Manuela, da intervenção que teve ao ajudar as crianças abandonadas e escravos, de tentar obter alguns rendimentos dando aulas de piano, Inglês e língua gestual.
Foi muito interessante, aprendi muito sobre um momento histórico de Portugal e neste caso também sobre o Brasil, com pormenores muito específicos, Manuela convive com personagens ligadas à revolução Pernambucana e com a realeza, D. João VI, D. Carlota Joaquina e com Dom Pedro I, o responsável direto da Independência do Brasil. Retrata também o papel de Napoleão nas suas conquistas e intensas guerras travadas em todo o continente europeu e receios que provocou na Europa. A vinda da família real para o Brasil foi resultado da invasão que Portugal sofreu das tropas enviadas por Napoleão. Com isso, a corte portuguesa instalou-se no Rio de Janeiro. Nota-se que a autora fez um excelente trabalho de pesquisa, o tamanho do livro pode ser intimidante mas vale a pena a sua leitura. Adorei saber a origem de algumas expressões que usamos no nosso dia a dia.
Fez me imaginar, e se de repente eu acordasse em 1813 noutro pais, sem electricidade, sem tecnologias, em que as mulheres tinham um papel muito diferente na sociedade, em que a maioria das mulheres nem sabiam ler, não podiam trabalhar. Numa sociedade machista, em que existe escravos. Qual seria a nossa capacidade de adaptação, será que o meu jeito para a informática ia servir para alguma coisa? Como é que eu ia me lembrar das coisas sem fazer pesquisa no Google? 🤣🤣Como seria o nosso estado de espirito de não sabermos quanto tempo íamos ficar no passado, íamos dar hipótese a um novo amor? Bem de certeza que ia ser muito alta, com o meu 1,70 cm.
Este livro é o primeiro de uma saga, o final ficou em aberto estou ansiosa por ler o segundo livro.