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Escravidão #2

Escravidão – Volume 2: Da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de Dom João ao Brasil

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Entre 1700 e 1800, cerca de dois milhões de homens e mulheres foram arrancados de suas raízes africanas, embarcados à força nos porões dos navios negreiros e transportados para o Brasil. Muitos seriam vendidos em leilões públicos antes de seguir para as senzalas onde, sob a ameaça do chicote, trabalhariam pelo resto de suas vidas. No final do século XVIII, a América Portuguesa tinha a maior concentração de pessoas de origem africana em todo o continente americano.

No segundo volume de Escravidão - Da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de dom João ao Brasil, Laurentino Gomes concentra-se no século XVIII. O período representou o auge do tráfico negreiro no Atlântico, motivado pela descoberta das minas de ouro e diamantes no país e pela disseminação, em outras regiões da América, do cultivo de cana-de-açúcar, arroz, tabaco, algodão e outras lavouras marcadas pelo uso intensivo de mão de obra cativa.

Nenhum outro assunto é tão importante e tão definidor da nossa identidade nacional quanto a escravidão. Conhecê-lo ajuda a explicar o que fomos no passado, o que somos hoje e também o que seremos daqui para a frente. Em um texto impactante que inclui imagens e gráficos, Laurentino Gomes lança o segundo volume de sua obra, resultado de 6 anos de pesquisas, que incluíram viagens por 12 países e 3 continentes.

512 pages, Paperback

First published June 8, 2021

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About the author

Laurentino Gomes

22 books348 followers
É um jornalista e escritor brasileiro. É mais conhecido pela autoria do best-seller 1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil, onde narra a chegada da corte portuguesa ao Brasil. Em 2008, o livro recebeu o prêmio de melhor livro de ensaio da Academia Brasileira de Letras e o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria de livro-reportagem e de livro do ano de não-ficção.

Formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, possui pós-graduação em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo, e fez cursos na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e na Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos da América.

Trabalhou como repórter e editor para vários órgãos de comunicação do Brasil, incluindo o jornal O Estado de S. Paulo e a revista Veja.

Em 2008, a Revista Época elegeu Laurentino Gomes uma das 100 pessoas mais influentes do ano, pelo mérito de conseguir vender mais de meio milhão de exemplares de livro de história do Brasil.

É casado com a jornalista e psicóloga Mara Ziravello e vive desde 1988 em São Paulo.[5]

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3 (<1%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 41 reviews
Profile Image for Fabio Augusto.
173 reviews6 followers
November 19, 2021
Livro importantíssimo. Contudo, não trouxe grandes acréscimos ao exposto no primeiro volume. Em algumas partes, repetiu informações ou esticou a narrativa demasiadamente.
Profile Image for Luciana Betenson.
272 reviews2 followers
August 11, 2021
Reitero meus comentários da leitura do volume 1 da trilogia Escravidão. Um capítulo da História do Brasil que ficou à margem da História "oficial", que precisava ser escrito e que precisa ser lido e melhor conhecido pelos brasileiros. Este volume 2 trata do período da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de dom João ao Brasil, com capítulos que tratam de diferentes tópicos, como a estrutura familiar dos escravizados, o papel das mulheres, as alforrias, a escravidão urbana, as irmandades e práticas religiosas, os movimentos de resistência, as contradições inerentes aos movimentos abolicionistas, bem como a influência e a assimilação de culturas e como os africanos contribuíram para construir a identidade brasileira, com seus costumes, línguas, arte, culinária, estética, crenças e modos de pensar. O livro derruba alguns mitos e ressalta nuances do sistema escravista antes ignoradas ou subestimadas. Uma tristeza ler sobre o tema, mas importante e necessário.
Profile Image for Monica.
122 reviews14 followers
September 14, 2021
Quando soube que o Laurentino Gomes estava escrevendo uma trilogia sobre a história da escravidão no Brasil, confesso que minha primeira reação foi: “Uma trilogia só sobre a escravidão? É um exagero editorial.” Além dos historiadores e acadêmicos - pensei eu - quem é que iria se animar a ler em tantos detalhes uma história tão triste e pesada como esta?

Pois bem: acabo de ler o segundo volume desta obra monumental que me cativou desde o início. Encantada com a leitura dos dois primeiros livros, já estou de olho no terceiro, que só será lançado no ano que vem. Se tivesse que resumir em uma palavra esta obra até agora, eu diria: transformadora. No silêncio cultural constrangedor que se criou em torno deste tema tão fundamental para a definição da nossa brasilidade, Escravidão surge para mim como uma voz segura, que me convida a refletir, ao mesmo tempo em que me atiça a curiosidade para entender o que nunca me foi suficientemente explicado nas escolas. E Laurentino Gomes realiza uma proeza de que só um bom jornalista e contador de histórias como ele é capaz: apoiado em pesquisas sólidas, ele transmite com clareza o triste desenrolar da nossa história, sem nunca perder a leveza da linguagem. Em se tratando de um tema tão duro quanto a escravidão, manter esta leveza é uma façanha e tanto.

Afinal, por que o Brasil foi o último país do chamado Mundo Ocidental a abolir a escravidão? A resposta pode ser resumida em poucas palavras: além do tráfico e venda de escravos ser uma atividade altamente lucrativa, a escravidão era essencial para a economia do país. “Sem Angola, não há Brasil”, já dizia um padre jesuíta no século 17 – frase que seria repetida à exaustão por todos os observadores da realidade brasileira desta época. “Tudo que corre, grita, trabalha, tudo que transporta e carrega é negro”, observou um visitante alemão em Salvador em meados do século 19, quando mais de 70% da população de Salvador eram de negros de origem africana, ficando o restante com brasileiros natos, brancos e negros.

O que não se pode explicar em poucas palavras é a complexa rede social que se criou no nosso sistema escravocrata, onde os símbolos de prestígio e poder estavam no número de escravos que os cidadãos possuíam – e entre esses cidadãos proprietários de escravos se encontravam até mesmo escravos alforriados.

Laurentino nos fala de duas visões, segundo ele ultrapassadas, sobre o comportamento do negro escravizado: a do Gilberto Freyre, que nos apresenta um negro passivo e incapaz de reagir, e a das ideias marxistas, que percebe a população escrava como em permanente estado de rebelião. Segundo o autor, “a maioria dos escravos optou por outras estratégias, silenciosas e aparentemente mais eficazes, de resistir ao escravismo, criando laços familiares estendidos mediante o compadrio, participando de irmandades religiosas e até estabelecendo alianças sutis com os próprios escravizadores, sempre em busca de ampliar seus espaços de liberdade e ascensão social dentro do sistema.”

Há muitas outras provocações ótimas neste segundo volume do Escravidão, como as do capítulo intitulado “A liberdade é branca”, onde se expõem as contradições das ideias filosóficas do chamado “iluminismo” europeu, que defendiam a liberdade, igualdade e fraternidade entre os homens, sem levar em conta os direitos da população negra e escravizada. Há também a deliciosa história da Chica da Silva, tão decantada nos livros, no cinema e na televisão. Mas se eu não parar de escrever por aqui ninguém vai me aguentar mais.

Em resumo: eu estava completamente errada quando pensei que uma trilogia de livros sobre a escravidão brasileira fosse um exagero editorial. Na verdade, é um precioso trabalho que vem ocupar um vácuo de informações, debates e reflexões sobre o fato histórico que é provavelmente o mais importante de todos para a compreensão da nossa identidade nacional: a escravidão do negro africano no Brasil.
Profile Image for Maria do Socorro Baptista.
Author 1 book27 followers
July 18, 2021
Mais uma pesquisa fantástica de Laurentino Gomes. Sempre tenho dificuldade de ler sobre este tema, mas sei que é necessário ter conhecimento sobre este importante, embora triste, aspecto de nossa história. Recomendo muito.
Profile Image for Danilo Lipisk.
249 reviews2 followers
August 29, 2021
Excelente livro, mantém o mesmo nível do primeiro volume e sempre me impressiona a qualidade da pesquisa feita pelo Laurentino. Viagens pelo Brasil afora, África, EUA, Caribe, museus, entrevistas, arquivos. Uma obra magnífica que muito historiador "diplomado" não consegue sequer chegar perto. Mais de 400 páginas e eu li e não queria parar. Já estou na espera pelo terceiro volume.
Profile Image for Bruno Almeida.
20 reviews4 followers
February 21, 2022
Achei um pouco melhor que o 1° livro da série. Dedica parte considerável de suas páginas à história da ocupação de Minas Gerais, me fazendo ressignificar muito das paisagens, geografia e cultura a que já estou acostumado desde sempre.

O livro permite fazer paralelos marcantes com os dias de hoje, como quando se percebe que desde sempre houve no Brasil negros atirando em negros a mando de brancos. Que o sistema que dava aos escravos o sonho e a perspectiva de pequenas concessões e raras alforrias, desde que batalhasse por isso praticamente uma vida inteira, era justamente uma das formas de sustentação e perpetuação do regime escravista no país. Inclusive não muito diferente dos moldes do sistema de ascenção social permitida no capitalismo atual, a meu ver.

Assim como o livro anterior, é uma obra que eu recomendaria para qualquer um. Não faz tanto tempo que todas as nossas famílias estavam enredadas nesse sistema, e as consequências dele ainda são sofrivelmente presentes na nossa sociedade de hoje.
Profile Image for Luis Brudna.
269 reviews16 followers
March 18, 2024
O início do livro é interessante. Depois o autor parece andar em círculos, repetindo as mesmas histórias de forma um pouco diferente. Datas e dados amontoados de uma forma cansativa. Esperava um livro melhor editado.
Profile Image for Ricardo Viana.
Author 5 books2 followers
January 23, 2022
Laurentino Gomes, mais uma vez, um mestre das palavras, nos presenteia com a bela obra e com um tema de fundamental importância para entendermos a formação da sociedade brasileira. É um livro de leitura imperativa para todos os brasileiros. E eu já estou ansioso aguardando o lançamento do terceiro volume ...
Profile Image for JEAN-PHILIPPE PEROL.
673 reviews16 followers
July 24, 2021
Nesse segundo volume, Laurentino Gomes continua levando com paixão e talento os seus leitores nos horrores da escravidão. A riqueza das anedotas de uma narrativa agradável de ler, algumas excelentes analises sobre a incontestável especificidade da escravidão brasileira - sua urbanização, seus alforriados, sua miscigenação- são infelizmente mais uma vez mal aproveitadas. Alem de encontrar numerosos erros históricos, especialmente quando o livro toca assuntos internacionais tanto na Europa que na África-, de estranhar contradições ou repetições não corrigidas na releitura, e de sentir o mau estar do autor frente ao qualquer fato politicamente incorreto, o leitor é também frustrado pela ausência de referencias ao contexto econômico e social mundial dentro do qual, desde a Antiguidade e até o século XX, se encaixou a escravidão brasileira e seu terrível cortejo de sofrimentos e de dores.
50 reviews
June 17, 2022
É um livro com bastante conteúdo, escrito de uma forma envolvente. Contudo, Laurentino poderia ser mais organizado com um raciocínio mais linear.
Outro problema é a mistura entre fatos e suposições, isso poderia estar mais delimitado, e conseguiria, portanto, deixar o leitor curioso sobre determinados assuntos. Além disso, das diversas histórias narradas, algumas apesar de interessantes, não compõe um todo. Não parece em nenhum momento que o autor está formando uma história concisa pra chegar até o final. Comparando-se com o livro anterior, isso caiu bastante na qualidade. Quem sabe, deve-se ler este livro como se fosse os capítulos intermediários de um único livro.
No mais, Laurentino segue no mesmo estilo. Narra uma história principal recheadas de curiosidades irônicas (algumas terríveis, mostrando que escravos nunca foram tratados com flores) para contar numa mesa de bar, mas poucos fatos que contribuem de forma significativa para um debate mais rico.
Espero que terceiro seja mais objetivo e foque na "contribuição" da escravidão na formação do Brasil - sim, já há muitas informações sobre como cultura negra brasileira permeia nosso país, contudo, as relações políticas de poder ainda estão fora de cena.

OBS: Eu não queria avaliar 3/5, visto que trata de uma história quase que esquecida/quase não falada nos colégios.
Profile Image for Leila Silva Terlinchamp.
98 reviews2 followers
January 15, 2022

A linguagem usada aqui pelo autor é muito acessível, tanto que o livro é praticamente um best-seller (pelo menos para o padrão brasileiro de vendas), então nesse sentido a leitura é fácil. Por outro lado, o assunto é evidentemente muito difícil e a gente tem vontade até de pular algumas partes de tão dolorosa é a realidade ali mostrada. Ele não poupa o leitor, narra os fatos tal qual ele conseguiu entender através das muitas pesquisas e viagens que fez. É triste, tristíssimo.
Normalmente eu rabisco os meus livros, mas por alguma razão não anotei nada no começo e, como o livro estava tão novinho acabei ficando com pena e agora vou ter que contar um pouco com minha memória e pode ser que confunda algumas coisas do volume 1 e volume 2.
Eu sei que em algum ponto o autor explica a origem da palavra ESCRAVO (que muitos já devem estar cansados de saber), ela vem de eslavo e com isso mostra que a escravidão foi, por muitos e muitos séculos parte da história da humanidade e, como se pode ver pela origem da palavra, não dependia da cor da pele.
No capítulo 21, A violência, Laurentino Gomes, fala dos castigos, é bem difícil de ler e de pen-sar que seres humanos são capazes de tratar outros seres humanos daquela forma, tudo dentro da legalidade e inclusive encorajado pelos padres jesuítas.
O estado aconselhava evitar os excessos na punição, mas na realidade um senhor de escravos nunca era punido. O excesso era evitado com o fim de não perder o escravizado, ou seja, por motivos econômicos.
No capítulo seguinte, O sonho, vamos ler sobre o sonho de liberdade e os enormes esforços empenhados para isso.
Nos Estados Unidos os senhores de escravos não podiam negociar a libertação diretamente com eles, os escravos, ao contrário do que acontecia no Brasil. Era necessário o consentimen-to das autoridades e isso tornava tudo bem mais difícil.
Aqui o autor explica também a origem árabe da palavra alforria (al-burruâ) que significa “es-tado de homem livre, não escravo”.

Outro fato interessante é que a certidão de batismo tinha o mesmo valor que a de nascimen-to no Brasil colonial onde não havia separação entre igreja e estado. (página 340)

No capítulo dedicado às mulheres o autor diz que os homens às vezes quando iam viajar dei-xavam suas mulheres enclausuradas num convento e que houve uma tentativa de controlar a maneira de se vestir das escravas pois segundo alguns o modo como elas se vestiam dava “ocasião a muitos pecados”

No capítulo 27, O Medo, o autor explica as grandes mudanças que estavam ocorrendo no mundo, por exemplo a Revolução Francesa em 1789 que terminou influenciando outros eventos, um deles foi a Revolta de escravos em São Domingos onde a maioria dos colonos brancos foi massacrada, o resultado foi a independência do Haiti em 1804, mas o preço que o Haiti pagou pela independência foi muito alto, teve que pagar uma indenização aos france-ses, sofreu boicote, pressões e é hoje um dos países mais pobres do mundo.
A revolução no Haiti fez aumentar o preço do açúcar beneficiando assim os fazendeiros brasi-leiros, mas houve também pânico por parte da elite pois o Brasil era o maior território escra-vista do hemisfério ocidental. Ainda influenciado por esses eventos mundiais acontece em 1798 conjuração Baiana, os envolvidos foram duramente reprimidos.

Outro fato que chamou minha atenção foi saber que Minas Gerais tinha a maior concentra-ção de pessoas de origem africana em todo o continente americano na época da inconfidên-cia mineira.

Fiquei também surpresa com a descoberta de que a maravilhosa música Amazing Grace foi composta por John Newton um abolicionista que havia sido capitão de navio negreiro.

No último capítulo o autor compara o tratamento de pessoas escravizadas à maneira como hoje os boiadeiros e pecuaristas negociam animais de corte. É muito triste realmente sobre-tudo para os que, como eu, não conseguem aceitar nem mesmo que os animais sejam trata-dos como são.

Eu vi que o autor participou de um Roda Viva, ainda não tive tempo de escutar, mas vou fazê-lo.

Bom, o livro tem muito mais do que o que levantei aqui, escrevi apenas algumas das coisas que chamaram a minha atenção, mas deixei de falar de outras igualmente importantes.
....
Profile Image for Harvey Hênio.
628 reviews2 followers
December 24, 2021
“Sem negros não pode haver ouro, açúcar nem tabaco”.
André de Melo e Castro, conde de Galveias, vice-rei do Brasil, 1739.

“Entre 1700 e 1800, cerca de dois milhões de homens e mulheres foram arrancados de suas raízes africanas, embarcados à força nos porões dos navios negreiros e transportados para o Brasil. Muitos seriam vendidos em leilões públicos antes de seguir para as senzalas onde, sob a ameaça do chicote, trabalhariam pelo resto de suas vidas. No final do século XVIII, a América Portuguesa tinha maior concentração de pessoas de origem africana em todo o continente americano. Os brancos formavam um grupo relativamente pequeno. Os índios, a essa altura já dizimados por doenças, guerras e a ocupação de seus territórios, sequer apareciam nas estatísticas. O motor da escravidão nesse período foi a descoberta de ouro e diamantes, primeiro em Minas Gerais e, depois, em Mato Grosso e Goiás. [...]
O agitado e rebelde século XVIII e a gigantesca onda africana que o marcou são os temas deste segundo volume da trilogia sobre a história da escravidão no Brasil”.
Laurentino Gomes, o autor, na quarta capa.

Laurentino Gomes, paranaense de Maringá, nascido em 1956, é formado em jornalismo pela UFPR e pós graduado em administração pela USP. Nos anos de 2007, 2010 e 2013 aventurou-se pelos caminhos da história do Brasil e respectivamente, lançou os livros “1808” (Prêmio Jabuti de Literatura), “1822” e “1889”, todos sucessos de público e em que ele traça um interessante panorama da história do Brasil da chegada da família real portuguesa à Proclamação da República.
A partir de 2019 o autor lançou-se em um novo desafio nos caminhos e descaminhos da História do Brasil tendo como foco uma das maiores chagas de nossa longa trajetória histórica iniciada em 1500; a escravidão. Em 2019 foi lançado “Escravidão: Volume I” em que o autor abordou um período de mais de 250 anos: do primeiro leilão de escravizados realizado em Portugal no ano de 1444 até 1695, ano da morte de Zumbi dos Palmares. Neste segundo volume o período histórico abordado é menor – aproximadamente 100 anos – mas o desafio é maior, pois trata-se do século XVIII em que o advento da mineração de ouro e diamantes introduziu mudanças na dinâmica social e econômica da então colônia lusitana e aumentou sobremaneira a necessidade de mão-de-obra cativa e, consequentemente, provocou um aumento significativo do tráfico de pessoas escravizadas vindas da África. O terceiro volume – a ser lançado no ano que vem – será dedicado ao movimento abolicionista que culminou na Lei Áurea de 13 de maio de 1888.
O autor atingiu com galhardia o seu objetivo de mostrar o peso histórico da escravidão na economia brasileira no século XVIII assim como foi bem sucedido em atingir o mesmo objetivo no primeiro volume referente aos primeiros séculos da colonização lusitana no Brasil. Sem dúvida alguma os milhões de braços negros e escravos produziram a quase totalidade da riqueza produzida no Brasil sem que qualquer contrapartida econômica, social ou cultural lhes fosse disponibilizada. A injustiça e a brutalidade da economia e da sociedade escravocratas existentes no Brasil neste período são abordadas com precisão no livro que atende muito bem à necessidade de informar um público não especialista na ciência história. Esse, sem dúvida, é o ponto forte do livro.
No entanto avalio que, em determinados momentos, próximos à metade da obra, o autor se perdeu um pouco em divagações em torno de “temas acessórios” não exatamente ligados ao tema principal do livro. Esse senão não desmerece a obra que, mesmo não sendo tão impactante como o volume I, atende às expectativas.
Ótima pedida!
66 reviews
September 23, 2023
Seguindo o padrão da série, o título do livro resume a trajetória que terá enfoque ao longo das 500 páginas.
O livro começa falando sobre o processo de expansão de fronteiras exploradas, conhecidas do Brasil, que até então não ia muito longe da costa (mesmo padrão adotado pelos portugueses na África no processo de colonização e escravização). Aqui, a tarefa ficou a cargo dos famosos e outrora tão homenageados e romantizados em nossa historiografia, os bandeirantes. Através de expedições, chamadas de bandeiras, para o interior daquela terra então desconhecida para os europeus, acabaram descobrindo reservas de ouro e outras pedras preciosas nas regiões do que hoje são os estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. Tal descoberta deu novo gás na exploração das terras brasileiras, já que o comércio de açúcar, que já vinha rendendo muitas riquezas para a coroa portuguesa, ganhou forte concorrência de outras colônias europeias na América Central.
Assim, este segundo volume começa a discorrer sobre a vida nas principais cidades do Brasil na época. Principalmente na Bahia, Rio de Janeiro e Minas. É interessante ver o quanto São Paulo, na época, não tinha tanta relevância pra colônia e até era mal vista. E poucos capítulos, se comparados com o primeiro volume, são mais dedicados a destacar alguns aspectos na África no período retratado.
Alguns capítulos, como os que falam sobre as várias Áfricas existentes no Brasil, sobre o sagrado, as irmandades religiosas, as mulheres e fugitivos e rebeldes, são relatos especiais e trazem informações valiosas para entendermos bem a época e, através de uma linha clara, entendermos algumas questões e realidades de temos hoje no Brasil.
O autor melhora a narrativa nesse segundo volume. Ainda tem muitas referências, muitos números. Mas é repleto de histórias curiosas sobre alguns personagens e fatos que ocorreram na Europa, África ou América. Os termos estão usados com maior preocupação e dessa vez, ele coloca menos a opinião própria e foca mais em narrar os fatos.
14 reviews
July 29, 2022
Escravidão II é o segundo volume da trilogia de Laurentino Gomes lançada pela @Globolivros.

Nesse volume, Laurentino nos apresenta um pouco mais da história da escravidão no Brasil, além de nos contar um pouco mais sobre como foi a onda africana que marcou a história do país.

O livro tem inicio com a descoberta do ouro no Brasil , além do nascimento do estado de Minas Gerais, e segue nos mostrando como o país se tornou um dos maiores produtores de metais e pedras preciosas do mundo.

Além disso, Escravidão II mostra como o Brasil seguiu enriquecendo Portugal, que explorava as matérias primas do país através da mão de obra escrava.

É uma leitura indispensável para que possamos entender como todos os processos de escravidão se estenderam por séculos, resultando no racismo que ainda é muito presente na sociedade mundial.

Através das pesquisas e viagens realizadas por Laurentino Gomes para a criação dessa trilogia, o livro esclarece de forma clara e objetiva como foi o tráfico de negros da África para o Brasil, e do Brasil para o mundo, além de apresentar um pouco mais sobre a origem das religiões africanas.

Assim como Escravidão I , o segundo volume dessa trilogia não é uma leitura fácil. É completamente revoltante ver o quanto os negros foram humilhados, mal tratados e torturados. Porém, é uma leitura necessária para que possamos aprender um pouco mais sobre o horror da escravidão mundial.

Profile Image for Leandro Texeira.
179 reviews5 followers
June 15, 2025
Acabei de terminar o segundo volume de Escravidão, do Laurentino Gomes, e confesso que foi uma experiência intensa, mas não tão fluida quanto eu esperava. Como optei pelo audiolivro, achei a leitura bem densa, cheia de dados e detalhes que, às vezes, dificultavam acompanhar tudo de uma vez. Eu tinha adorado o primeiro tomo, então minhas expectativas estavam altas, mas esse segundo volume exigiu mais paciência. Ainda assim, estou animado para o terceiro e último livro da série.

O que mais me marcou foi perceber como essa história não tem heróis ou vilões claros. Não é, como eu mesmo pensei brincando, "preto no branco". O livro escancara que todos nós, humanos, carregamos contradições. Fiquei surpreso ao ver como até cristãos, que pregavam valores de amor e igualdade, estavam envolvidos no sistema escravista, mas também foram muitos deles que lutaram pelo fim dessa barbárie. E não para por aí: até negros, em alguns casos, participaram desse ciclo por motivos econômicos. Isso me fez refletir sobre como o interesse financeiro pode distorcer qualquer moral.

Apesar de ter achado o audiolivro um pouco pesado, o conteúdo é riquíssimo e me fez pensar muito sobre as raízes do Brasil. Acho que, se pudesse voltar atrás, talvez tivesse lido em papel para absorver melhor os detalhes. Ainda assim, é um livro que recomendo para quem quer entender nossa história sem filtros, mesmo que exija um esforço a mais. Agora, é esperar pelo último volume para fechar essa jornada.
Profile Image for Brono.
181 reviews6 followers
March 12, 2022
Fascinante!
Não somente por todas as pesquisas e dedicação do autor em “shine some light” numa temática tão recente, tão triste e tão deturpada.
A história do Brasil sempre foi muito distorcida, principalmente no que tange a escravidão e racismo.
Gostamos de bater no peito e dizer “eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor” mas não temos nem ideia de que a África existe dentro de cada um de nós. Aliás, não existiria Brasil sem África!
Desde sempre, a referência do que era bom para uma sociedade, sempre veio daqueles que se julgavam “civilizados”, portanto subjugando toda e qualquer forma de se organizar socialmente.
As mazelas que ainda assolam as terras tupiniquins, não são (somente) heranças dos portugueses, mas sim o próprio “jeitinho brasileiro” que uma vez driblando os sanguessugas portugueses começaram a “engordar” a si próprios.
Ufa, é horripilante, através destas páginas, mergulhar na possível maneira de se pensar, em uma época traçada pela ganância no enriquecimento próprio e como isso fez com que “a pátria amada brasil” fosse um dos maiores redutos de seres humanos escravizados em pouco mais de 350 anos de história.
“Em 1767, o ano em que a balança de escravos foi construída, o Brasil já estava no seu terceiro século como o maior território escravista do hemisfério ocidental, que teve seu início com a imediata escravização dos povos indígenas em 1500”.
Profile Image for Adriana  Bacelar.
136 reviews
July 9, 2022
Os livros de Laurentino são sempre uma grande aula. É uma leitura didática e tão cheia de detalhes que você não para de ler e fica curioso sobre outros temas que ele menciona. Com relação ao primeiro volume, esse fica um pouco mais atrás, porque alguns capítulos são um pouquinho enfadonhos, mas nada que possa fazer você desistir de seguir no livro. Como ele mesmo divide o livro em 4 partes, para mim a segunda e a última parte foram as que mais gostei, mas não desabona as outras duas. Mais uma vez mostra que o Brasil que temos hoje ainda é muito por consequência de como fomos colonizados e dessa chaga de três séculos que foi a escravidão.

Laurentino's books are always a great lesson. It's a didactic reading and so full of details that you can't stop reading and get curious about other topics he mentions. In relation to the first volume, this one is a little bit behind, because some chapters are a little bit boring, but nothing that can make you give up following the book. As he himself divides the book into 4 parts, for me the second and the last part were the ones I liked the most, but it doesn't detract from the other two. Once again he shows that the Brazil we have today is still very much a consequence of how we were colonized and of this three-century-long scourge of slavery.
Profile Image for Gabriela Lazarini.
23 reviews6 followers
October 28, 2021
esse livro deveria ser obrigatório pra todo e qualquer brasileiro. não dá pra viver sem entender como funcionou a escravidão no nosso país.

sentimentos adquiridos com essa leitura:

- laurentino gomes? sou fã demais <3
- portugal? não mencione esse nome perto de mim
- colonialismo? a escória do nosso planeta
- o br sofreu, viu. minha nossa senhora
- falando em nossa senhora: nossos hábitos religiosos TEM DE FATO muito de herança da áfrica. quero muito ler e aprender mais sobre as religiões de matriz africana.
- odiando todos os personagens históricos que eu descobri serem donos de escravos: thomas jefferson, david hume, tiradentes (!!!!!!!)

a gente tem tanto perdão pra pedir pela escravatura. tanto. tanto tanto tanto. (adivinha quem foi o único presidente br que pediu esse perdão? lula)

e de novo:

que merd* hein portugal?

Profile Image for Sami Eerola.
952 reviews109 followers
Read
July 3, 2025
Very good continuation of the history of slavery in Brazil. The series continues to be very nuanced. Recounting different aspects of the slave trade: for example the African participation in it, or that some freed slaves had their own slaves or that there where former slaves that where slave catchers. Portugal´s and Brazil´s slavery where not as bad as the US or French slavery. Still the book shows that the biggest blame for the slave trade where the European powers and that for the slaves the slavery was still hell.

The most interesting thing in this book is the mixture of text records and museum pieces that tells the story of Brazilian trans-Atlantic slavery
30 reviews1 follower
June 12, 2023
A trilogia completa é de conteúdo denso porém de leitura fácil em estilo jornalístico. A obra inteira vale a pena pois coloca a história brasileira em perspectiva e contém inúmeras anedotas e perspectivas que raramente se aprendem na escola sobre a escravidão brasileira desde seus tempos primordiais até a abolição. O livro além de retratar a escravidão, retrata a aristocracia rural que teve impacto fundamental no desenvolvimento do país e cujo infeliz modus-operandi continua até os tempos atuais.
Profile Image for Bruno Pascon.
85 reviews
August 22, 2021
Depois de percorrer período de 1444 a 1695, o autor concentrou-se no século 18 (1701 a 1800) no segundo volume da trilogia. É muito fácil ler Laurentino Gomes e mais uma vez nos brindou com livro repleto de fatos históricos e ao mesmo tempo um relato próximo do cotidiano desse período tão nefasto da história da humanidade.
Profile Image for Samuel  Ribeiro Giordano.
65 reviews
December 17, 2021
I read it in one week . One of the best books on the theme slavery in Brazil and Portugal , the gold rush in Brazil in centuries 17 th and 18 th . The spoiling and theft of Brazilian mineral and natural resources that was spent by Portuguese royalty without remorse. This trilogy ( one still to come. ) are the best researched books to read and enrich your knowledge.
Profile Image for Mariana Gusmão .
13 reviews1 follower
November 2, 2023
Esse livro me ensinou muito. Eu diria que o começo é muito bom, o meio entendiante, mas o final foi interessantíssimo, porque o autor juntou a história do Brasil com a história da Europa. Quando eu estava mais ou menos da metade do livro me perguntei se queria ler o terceiro volume, mas agora que terminei o segundo, certamente vou encarar o terceiro.
142 reviews1 follower
July 7, 2024
Achei esse volume é ainda melhor que o primeiro, talvez por seu foco maior no Brasil, trazendo uma identificação maior. Deu-me vontade de conhecer lugares como o terreiro de Candomblé em Cachoeira (Recôncavo Baiano) e o Cape Coast Castle, de onde saíram milhares de africanos escravizados para o Brasil. Uma vontade de resgate dessa ancestralidade que nos foi negada pelo eurocentrismo...
Profile Image for Celso Rennó Lima.
236 reviews4 followers
July 31, 2021
Com esse II volume de Escravidão, Laurentino Gomes avança seu trabalho de nos dizer das barbaridades que foram as diversas fases da escravidão no Brasil e no mundo. Ao mesmo tempo esclarece os mais diversos interesses pessoais e políticos dessa terrível face de nossa história.
21 reviews
January 2, 2024
Livro bastante impactante que propicia reflexões profundas e mto conhecimento sobre esse período no mundo e no Brasil. Brilhante!
Não dou 5 estrelas pq achei um pouco cansativa a leitura se comparada ao volume 1
3 reviews
December 16, 2024
O livro parece ter sido escrito por duas pessoas.
Um pouco denso, muitas datas e, infelizmente, parece que a segunda pessoa que escreveu se preocupou mais com o lado ideológico do que com o lado histórico.
24 reviews
December 29, 2024
Diferentemente do volume I, esse já é mais pesado em relação aos dados históricos apresentados, como nomes, valores e datas.

Um livro documentário muito bom e, que ao meu ver, coloca o escritor em um dos maiores entendedores sobre o tema.

Recomendo!
Profile Image for Paulo Reimann.
379 reviews1 follower
September 4, 2021
Excepcional

Escrito de forma magnânimo. Tanto vol 1 quanto esse vol 2. Esperando o 3. Chocante e pensar que o racismo sobrevive esta barbárie.
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