Quando o século XX estava terminando, apenas 20 anos atrás, tudo indicava que os próximos anos seriam de supremacia política, econômica, cultural e militar dos EUA. Não à toa, o historiador estadunidense Francis Fukuyama celebrou o “fim da história” (Fukuyama, 1992): a União Soviética, polo oposto na Guerra Fria, fora dissolvida; o capital financeiro, sediado em Wall Street, era o centro dinâmico do capitalismo, e sua versão política, o neoliberalismo, era largamente adotado por países periféricos, em especial na América Latina. Seguindo, em teoria, as orientações de organismos multilaterais, mas sob a direção de Washington – como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial –, empresas estatais e restrições à exploração da natureza foram transformadas em oportunidades de lucros para empresas do centro do capitalismo. Culturalmente, todo o mundo almejava o American way of life. Militarmente, a hegemonia em termos de equipamentos e tecnologia estadunidense era inconteste, e o país reformulava sua estratégia militar para lidar com o que ele mesmo propunha como “novas ameaças”
"O imperialismo do século 21 caracteriza-se, ainda, por preservar os EUA e seus aliados como eixo central; impedir a emergência de qualquer sistema alternativo de alianças; garantir a confiança nos EUA e manter sua autoimagem de “o primeiro entre os pares”; proteger a cadeia global de commodities e seu fluxo para as corporações transnacionais; garantir o acesso a baixo custo às riquezas da natureza que estão no Sul Global; e preservar o poder financeiro do Norte Global, pela manutenção do padrão dólar nas relações comerciais internacionais."
"A América Latina cumpre um papel nessa disputa geopolítica Internacional pela transformação dos bens da natureza em ativos financeiros, as commodities. Ou seja, é no território latino-americano que ocorrem os processos atuais de subordinação da natureza aos interesses do mercado global, ignorando os interesses e a sustentação de seus próprios povos, o equilíbrio do meio ambiente e do metabolismo ser humano-natureza."
"Lembremos que os EUA vêm sendo derrotados militarmente nas últimas décadas, mas, ainda assim, mantém sua hegemonia na América Latina, construindo ações de cooperação treinamento, formações militares e outras maneiras de cooptação das Forças Armadas locais para uma posição de subordinação ao país."
O primeiro livro do Fundamentes 2023 não poderia ser outro. Trazendo definições e conceitos sobre guerras híbridas e soberania, Penido e Stédile destrincham diversas intervenções estadunidenses na América Latina, apresentando seus mecanismos, discursos e principais agentes. A leitura se torna cada vez mais ágil conforme o ódio aos EUA aumenta. É um livro curto, direto e cumpre totalmente o que se propõe. Mas conforme o tempo passa e os EUA não se põem em seu lugar, até urge a necessidade de uma próxima edição talvez?
O livro trata sobre as guerras híbridas e intervenções estadunidenses na América Latina. Super válido para entender o conceito de guerras não convencionais, bem como os de revolução colorida e de lawfare. Traz um excelente panorama da situação de vários países latinos que tem sua soberania ameaçada, inclusive o Brasil.
Livro lido no Ciclo de Leitura Fundamentes da socióloga Sabrina Fernandes. Recomendo!
Ninguém regula a América, escrito por Ana Penido e Miguel Enrique Stédile, faz parte da Coleções Emergências, uma iniciativa da Fundação Rosa Luxemburgo e da Editora Expressão Popular.
A ideia principal dessa iniciativa é apresentar questões importantes para o Brasil que - por diversos motivos - são pouco divulgadas pelos meios de comunicação comercial.
Por fazer parte dessa coleção, o livro tem como objetivo mostrar como acontecem as interferências estadunidenses em outros Estados soberanos, em especial na América Latina. Para isso os autores analisaram alguns casos ocorridos em países do continente, incluindo o Brasil.
O livro esclarece o que são e como ocorrem as guerras não convencionais e traz conceitos e exemplos de revoluções coloridas, lawfare e do uso de ferramentas tecnológicas de comunicação.
É um livro curto, fácil de ler e super importante nos dias de hoje, o que faz dele muito especial.
Conheci ‘Ninguém regula a América’ através do clube de leitura @fundamentese.
O livro é um pouco maniqueísta - Senti falta de críticas a regimes de oposição aos EUA (China, Rússia, Venezuela etc), o que deixaria clara a complexidade política de nossos tempos. De qualquer modo, gostei muito da leitura e vou pensar nela pelos próximos dias com certeza. 4,5*