“Sou Puta, Doutor” é o produto de uma pesquisa empírica de um jovem estudante de Direito. Nele, estão reunidos os relatos de 8 profissionais do sexo da Cidade do Rio de Janeiro, sendo 7 mulheres e 1 homem. É um livro sobre dor. Mas não se engane, também é uma obra sobre o amor.
Este livro vai fazer você discutir o estupro doméstico na mesa do botequim. Fará com que você reflita sobre suas raízes familiares, aborto, sexo, depressão, alcoolismo, drogas e até incesto. “Sou Puta, Doutor” é o livro que vai te tirar o sono e fazer com que você não perceba que já está claro novamente.
Um livro real, brutal e doloroso. Ao mesmo tempo, uma obra engraçada nos momentos corretos, picante e de fácil leitura. “Sou Puta, Doutor” é um convite ao pensar e, acima de tudo, a amar o próximo. Livro sobre puta, escrito por um homossexual e voltado para quem tem sede de saber o outro
Ele tinha tudo para ser ótimo: um tema relevante e uma seleção de entrevistados interessantíssimos, mas o autor acabou se esquecendo de que ele próprio não é o personagem principal (ou não deveria ser).
As entrevistas em si não são péssimas, e você consegue extrair algumas reflexões interessantes, mas nada que você não encontre em outros lugares e mídias.
O problema começa quando você percebe que o autor tem uma necessidade constante de se inserir na história. Enquanto lia, eu ficava torcendo pro autor voltar ao assunto e contar o que a entrevistada tinha a dizer (afinal, este é o motivo pelo qual alguém leria este livro, certo?). A frustração foi tão grande que acabei abandonando alguns capítulos porque não aguentava mais ler sobre histórias pessoais inúteis do autor (eu realmente precisava saber detalhes de como ele perdeu a virgindade?) ou como o autor estava com tesão e há X meses sem transar (quem me dera tivesse sido uma vez só).
No texto, o autor diz algumas vezes que criou este livro como um meio para dar voz às putas. Bom, eu terminei o livro o enxergando de forma diferente. Para mim, o Yuri criou esse livro como um meio para dar voz à ele mesmo, sobre ele mesmo. É uma pena, porque poderia ter sido muito melhor.
PS: Não posso terminar minha resenha sem ressaltar que GRADUANDO 👏 EM 👏 DIREITO 👏 NÃO 👏 É 👏 DOUTOR 👏.
A prosa do autor (doutor de advogado, surpresa) é bem pedante, bem arrogante e bem chata. Quase parei a leitura, mas as histórias das putas com quem ele conversa compensou (principalmente quando não era ele parafraseando).
Esse livro me deixa um pouco angustiada porque fortemente acredito que ele carrega um potencial gigante de visibilizar vítimas da exploração sexual, mas se perde na superficialidade com a qual é conduzido.
Em meios a comentários que deveriam ser demonstradores de empatia por parte do autor, é possível ver uma falsa simetria de dores na qual os problemas vividos pelas vítimas acabam se igualando a suas angústias diárias. Justiça seja feita, ele fala que o que elas vivem é muito diferente e muito cruel, mas a forma como ele descreve e dialoga com as entrevistadas é contrastante.
O coração do livro e o que justificou qualquer estrela dada são os depoimentos dos entrevistados. Realmente, há uma gama diversa de pessoas inseridas no mercado da exploração sexual e ouvi-las é o primeiro passo para qualquer entendimento sobre o assunto e para o que deveria ser a real luta: pela emancipação e término do mercado sexual.
Para o fim do livro, o autor explicitamente se coloca com as “feministas pró-sex”, e… Por mais que evidente durante a leitura, muito me incomodou ser esse um dos com maior foco no final do livro. Novamente, fazendo uma mea culpa, por eu não concordar com esse posicionamento, visto que imagino que a objetificação e comercialização de mulheres perpassa a desumanização estrutural, fiquei extremamente desapontada com a forma que a obra foi finalizada.
Contudo, recomendo a leitura no sentido de que realmente dá voz às vítimas. E aqui digo quase que literalmente, dá voz porque transcreve o que disseram, mas acho que muitas vezes ele invisibiliza a voz quando se insere proeminentemente na narrativa. Só que não há muitas obras que deem qualquer voz para esse grupo vulnerável, então é uma leitura para começar esse entendimento, quando você consegue filtrar essa subjetividade.
Os depoimentos são impactantes e revelam uma dor aguda e silenciada. Um dos trechos (e não vou lembrar agora com certeza da frase) afirma que exploração é ter voz e ser fadada ao silenciamento. A cada aprofundamento nas histórias contadas, é possível ver a crueldade e morbidade que existe nesse “mercado”. Não há justificativa alguma para a sua manutenção, que se fundamenta pelo total descaso com os direitos básicos e com qualquer forma de acesso a serviços de qualidade, que se refletem na necessidade de perder controle do próprio corpo para poder se alimentar.
Não é possível falar de mercantilização do sexo “ética” ou “humana” quando sua realização está atrelada ao crescimento e ao fortalecimento da exploração sexual de mulheres cis, trans e de homems que são verdadeiramente abusados e torturados (os quais são a maioria). Não há justificativa.
Só não dou 5 estrelas por culpa de algumas pontuações desnecessárias da vida pessoal do autor e alguns comentários que pareceram bem "passivo-agressivos"
Algumas das citações que eu marquei no livro e achei de extrema importância ou me impactaram de alguma forma:
-"Ser puta é ter que sobreviver, meu amor, mesmo que para isso você se odeie um pouco mais a cada dia que se passa”
-"Eu havia sido tocado pela humildade; ela, eu suponho, pela empatia."
-"Opção? Você acha que abrir a perna para homem casado é uma opção? É falta de escolha, meu filho, é a falta de opção, não a sobra dela, eu queria te falar isso quando você usou a palavra “opção” hoje mais cedo, sei que não fez por maldade”
-"Na autópsia, esse governo de merda deveria colocar: ‘causa da morte: negligência social e prostituição ao extremo’”.
-"Negligência é eu sair de casa toda noite e voltar chorando de alegria apenas porque eu voltei, VIVA."
-“Exploração sexual, para mim, é quando a prostituição deixa de ser uma escolha e se torna a sua única saída. A partir do momento em que aquilo não te diverte, não te arranca uns risos ou vira um bom assunto na mesa do boteco, você está sendo explorada”.
-"O problema é que todo mundo entra em um puteiro, Yuri: entra policial fardado, entra agente sanitário, jovem, velho, homem, mulher e até menor de idade. Mas não entra ética, bom senso e nem a moral."
O livro é de extrema importância para os dias atuais, e por isso me chamou MUITA atenção. As entrevistas foram valiosas e deveriam ser mais exploradas além da curiosidade do autor. O que me incomodou e não me deixou avaliar com 5 estrelas foram pontuações desnecessárias do autor onde não era seu local de fala ou que não importava sua colocação.
livro que tinha tudo pra ser vários relatos de pessoas marginalizadas pela sociedade, mas que foi estragado pela necessidade do autor em ser uma estrelinha :)
Definitivamente foi um livro que "abriu a minha mente" para uma realidade distante do meu dia-a-dia. A escrita do Yuri me deixou curioso para conhecer mais e saber como seriam as histórias de cada entrevista que ele fez para o seu trabalho. Sei que não é um livro que todos vão se interessar para ler, mas definitivamente é importante termos livros que deem voz como é o caso deste livro e recomendo tentar a ler, porque muito provavelmente a maneira que o Yuri vai contando deve te segurar e despertar sua curiosidade pare continuar lendo.
O estudante de Direito Yuri Peçanha escreve algumas entrevistas que fez com prostitutas para entender a profissão e melhor refletir sobre a legislação existente misturando seriedade, humor e deboche. Achei o início um pouco pedante, como apenas o curso de Direito pode te treinar pra ser, mas essa fachada logo cai quando passamos da apresentação pras entrevistas. Deu muita vontade de conversar e fazer amizade com o autor ao fim da obra.
Prostituição não deveria ser "opção" na vida de ninguém. Relatos difíceis de encarar mas extremamente necessários para compreender essa parcela tão marginalizada e invisibilizada da sociedade.
Um belo trabalho que deu voz a quem precisa e deve ser ouvido.
(não sei dar nota para não ficção) livro bom para ter um breve olhar para uma realidade que não é frequentemente retratada na mídia, porém o autor as vezes vira a história para ele demais e isso em alguns momentos acaba ficando irritante quando você quer mais sobre a pessoa do relato mas o autor está falando sobre sua vida pessoal
Comprei esse livro na Prime Day por que estava barato. E que boa escolha. Foi uma aula, daquelas bem gostosas se assistir sabe? Daquelas que não te faz querer voltar pra casa, apesar do assunto pesado.
Eu acredito que quando você decide escrever um livro, um dos primeiros passos é escolher o tom da sua história. Se você vai escrever um romance leve e divertido ou se você vai se debruçar sobre um tema sério a respeito de uma parcela da população que é violentada, invisibilizada e privada de todos os seus direitos pela sociedade. Não tem como esses dois caminhos terem o mesmo tom. Eu vou começar elogiando os entrevistados e as entrevistadas, que são o que valem as estrelas e me partem o coração que eu não possa destrinchar a avaliação. São histórias fortíssimas, e infelizmente vou ter que começar a reclamar pelo fato de ser tão ponto discorridas. Para entrevistas que duraram de 1h30 até 2h, senti falta de ouvir mais essas vozes que foram prometidas. A leitura me incomodou muito por diversos motivos. A urgência do autor em falar de si é quase preocupante. Entendo o ponto de falar sobre uma experiência pessoal para trazer proximidade ao assunto e fazer a outra pessoa confiar em você (embora tenha muitos questionamentos sobre a utilização desse método quando você está encabeçando uma pesquisa séria), mas eu senti que o autor quis que aquele livro fosse dele também. Como se não bastasse ter um fragmento das entrevistadas, mas que precisasse ter um fragmento muito maior dele ali. Desculpa, mas eu não quero saber como foi a sua primeira vez, não quero saber há quantos meses você está sem transar, o quanto você gastou naquele café ou o quanto você está atrasado para o trabalho. Muito menos quero ler você "se deliciando" com um dos entrevistados porque ele é bonito, como se o leitor tivesse sido teletransportado para um livro de romance, e não mais em um livro que é resultado da sua pesquisa de conclusão de curso sobre um tema sério, pouco discutido e que mexe diretamente com vidas. Tem outros pontos que me incomodaram que acho ser mais frescura minha. Tem algumas perguntas que o entrevistador faz que parece ter tido zero preparo. Entrevistas abertas são muito bem-vindas se forem sua escolha de metodologia, mas faltou um pouco de cuidado. Teve uma pergunta que ele fez, que agora eu não lembro mais, mas eu acho que eu destaquei, que eu fiquei simplesmente indignada. Sem falar certos estigmas. A falta de embasamento teórico me irritou muito. Partindo do pressuposto que você me diz que esse livro veio depois de uma pesquisa que você realizou para a conclusão do seu curso, uma pesquisa que está diretamente ligada a sua formação, eu gosto de pensar que você teve um orientador de pesquisa que leu o seu texto, que te questionou sobre os métodos, sobre o levantamento histórico do assunto, sobre quais teorias te norteiam quando você traz um pensamento ou uma opinião. Não acredito que esse livro seja um Ctrl C + Ctrl V da sua pesquisa. Então por que não há uma discussão relevante sobre o assunto? Não como um detentor da verdade, "Doutor", mas como alguém que está disposto a conversar sobre o assunto, a trazer luz a ele. A discussão no último capitulo é rasa e não agrega muito (E eu não vou mentir que me incomodou o último capítulo ter como título o nome do autor). Não explica, não discute, não questiona. E caso a intenção não fosse exatamente essa, talvez focar mais nas entrevistas em si, trazendo relatos maiores, compensasse a falta de debate. E ainda falando sobre a narração do autor, a sensação que eu tive em certos momentos foi como se ele se colocasse em um lugar quase como de salvador. Como se ele fosse um herói por estar dando à essas pessoas essas páginas de visibilidade. Estar dando a elas voz. Uma voz que eu quase não escuto, porque a sua está se sobressaindo a delas.
É um livro que promete profundidade, mas entrega performance. A premissa é poderosa: dar voz a profissionais do sexo, expor suas vivências, dores, violências e contradições, e revelar uma realidade que a sociedade insiste em ignorar. As entrevistas realmente são a parte mais valiosa do livro. As pessoas falam com franqueza, e o tema em si tem força suficiente para sustentar qualquer obra. O problema é que o autor não deixa a força do tema aparecer.
O livro inteiro é atravessado por uma necessidade constante de autoexposição, dramatização e autopromoção. Em vez de se colocar como observador passivo e respeitoso, ele se posiciona como protagonista sensível, irônico, "sofrido", por vezes até teatral, sempre tomando sua água com gás, sempre inserindo comparações excessivas, sempre tentando ser espirituoso ou chocante. A sensação é de que ele quer que o leitor admire mais o percurso dele do que as histórias contadas.
Isso se agrava porque a narrativa dele é, muitas vezes, imatura. As transições são bruscas, o tom oscila entre sensacionalismo e pseudoprofundidade, e há um erotismo deslocado que simplesmente não combina com o tema. Em vários momentos, ele descreve o sexo de forma sensualizada, como se fosse belo, libertador ou "saboroso", ignorando completamente que, para as pessoas ali entrevistadas, sexo não é escolha, nem prazer, nem sentir a pele um do outro como ele descreve. Para aquelas pessoas ali é sobrevivência. É um trabalho duro, violento, socialmente imposto. Não existe "atração poética" nisso, e a tentativa de embelezar essas descrições soa quase irresponsável.
Há também um problema que é evidente: muitas falas das entrevistadas parecem exageradas, roteirizadas ou convenientemente dramáticas. Isso tira autenticidade de depoimentos que deveriam ser justamente o posto: verdade crua, sem enfeite, sem pose. A escrita do autor interfere tanto que fica difícil saber onde termina o relato e onde começa a performance literária dele.
Em resumo, o livro possui um tema urgente, mas tratado de forma vaidosa e editorialmente desastrada. As vozes que deveriam ser o centro acabam eclipsadas pelo próprio autor, por sua necessidade de se destacar, por sua ansiedade de justificar-se, e por sua vontade de transformar tudo em espetáculo emocional.
Não é uma leitura para mim, não porque o tema seja difícil, mas porque a abordagem é equivocada. O que poderia ser um trabalho poderoso de escuta vira, infelizmente, um livro onde um jovem autor se coloca demais, sente demais, aparece demais, e entende de menos.
A premissa desse livro é simplesmente incrível e desde que ouvi falar dele, eu tinha grandes expectativas em relação a leitura. Queria poder ouvir o que ninguém ouve através da leitura, uma perspectiva real e diferente de todas aquelas que glamorizam a prostituição nas mídias. Como pontuado pelas próprias profissionais do sexo, a opinião e a vivência desse assunto só poderia nos ensinar algo, se viesse diretamente de quem vive isso. E por isso, o livro poderia ser perfeito mas não foi. Conduzido de maneira mesquinha e porca, o autor se esforçou muito para que o livro se tornasse algo sobre ele. Não, Yuri, nós não chegamos ao último capítulo ansiosos(a) para saber o que você acha que é exploração sexual, não queremos saber como foi sua primeira vez, ou até pior, saber o quanto você sente falta de fazer sexo ou o quão excitado se sentiu com um depoimento sexual. É muito triste que uma ideia tão boa e pessoas com depoimentos tão crus e impactantes tiveram de ser representadas por uma pessoa que quer contar mais sobre sua vida e sua opinião do que a realidade que as "putas" querem contar e os leitores, ler.
Ainda assim, dou duas estrelas para o livro em consideração as histórias contadas que com certeza permanecerão na minha mente por um tempo. E para quem está interessado em algo real, respeitoso e reflexivo, deixo aqui a recomendação do documentário "Kokomo City". Lançado em 2023 e disponível no streaming MUBI, se trata de algumas verdades sobre a profissão mais antiga do mundo, pelos olhos de quatro mulheres trans e pretas. Vai valer cada segundo, sério.
"Amor meu, só a puta pode falar o que faz ela se sentir explorada, usada, invadida ou humilhada. O legislador não pode, no conforto da sua sala com ar condicionado, dar pitaco numa coisa que ele nem sabe como funciona. Você quer saber o que é exploração? Exploração é ter boca, saber falar, mas ser muda para o sistema."
De início fui conquistada pelo título. Depois li a sinopse e tive certeza de que devia ler esse livro e, olha, ainda bem que o li. O tema é relevante, pois traz notoriedade para uma classe tão silenciada e a narrativa é fluída, embora em alguns momentos sejamos bombardeados por frases de efeito que nos causam uma vergonha alheia medonha.
Explico: Yuri escreve muito bem, isso é notório no último capítulo, que traz o nome dele, as conclusões a que ele chega e a forma como concatena as ideia ali é magistral. É até um pouco confuso comparar esse último capítulo, excelente, com o restante do livro em que ele abusa de tantas frases clichês e que mais parecem ter sido retiradas daqueles livros policiais de péssimo tom, que estão ali para serem engraçadinhos, mas, ao menos para mim, foram enfadonhos e causavam constrangimento.
Gostei da "seleção" dos entrevistados, pois mostrou as diversas faces da prostituição, temos da puta por necessidade, ao gigolô de luxo e por aí vai. Excelente essa escolha de personagens da vida real, ponto super positivo do livro.
Enfim, adorei a ideia do livro e acho que é uma leitura super necessária. Está de graça na Amazon, então aproveita, porque vale a pena, nos faz refletir e, com sorte, destrói alguns preconceitos que você eventualmente carregue.
"Muitas pessoas cultivam a ideia de que a puta não merece o direito da fala, porque faz um trabalho dito de caráter duvidoso. Mas, ninguém tem proibido o nosso presidente de falar e ele vem fazendo um trabalho igualmente questionável, não é mesmo?" Gritei aqui!
7/10 “Sou puta, Doutor” de Yuri Marques Peçanha consegue a incrível façanha de ser um informativo muito bom sobre as questões de exploração sexual, deixando claro que nap existe “trabalho sexual” e sim exploração sobre o corpo feminino pelo masculino em troca de capital e não obstante um livro escrito de maneira maldosa, romantizada, neo-liberal e que deixa a desejar na questão da seriedade da questão. Nele, acompanhamos o próprio autor que faz um trabalho antropológico de entrevistas mulheres e homens em situação de prostituição que conversam e trocam ideias em um formato de conversa informal. A ideia em si é absurda de fenomenal, toda a construção do debate sobre o que seria ou não exploração sexual se desenvolve maravilhosamente, mas a entrega deixa a desejar. O autor tem um “ego escorpiano” ( o mesmo se descreve assim) e faz com que as entrevistas sejam mais sobre o que ela está sentido ou suas opiniões do que um relato da vida cruel, sem fantasias ou glamour que a prostituição de corpos. Vale a pena? Sim, é um livro bom, mas que tinha um potencial de ser MUITO mais e sincerament isso me frustrou bastante durante o último capítulo que vira um desabafo do próprio autor sobre a situação das mulheres. Como estava escrito no próprio livro “Queremos ouvir o que as putas querem falar e não o que as pessoas querem falar sobre as putas”
O amor é, realmente, um bicho meio burro. Ele não sabe o que é classe social, contracheque, cor, raça ou orientação sexual. O amor é a coisa mais ignorante que o mundo tem. Não importa se você conheceu a pessoa na baia ao lado da sua, de uma grande empresa, ou no ponto de prostituição. Se é para ser, vai ser, moço. Amor é você saber que aquela pessoa que está do seu lado precisa colocar a comida na mesa para a família e para si, e respeitar o que ela faz pra isso. Amor é acordar de manhã cheio de problemas, mas ser capaz de sorrir só para o dia do outro ser melhor. Amor é saber que sua mulher é puta, mas que, antes do seu julgamento, ela merece respeito.
Pensei que, talvez, viver não seja sobre saber evitar as dores, mas sim sobre achar alguém para suportá- las com você.
Você quer saber o que é exploração? Exploração é ter boca, saber falar, mas ser muda para o sistema.
Num existe mercado de trabalho para quem é pobre, favelado, preto que nem eu, trava, trans, “caminhoneira”, num existe mercado de trabalho para quem foge dos padrões que a sociedade falou que são certos.
Digo a elas que se armem da voz, pois não há nada mais desesperador do que ter o dom da fala e estar fadado à mudez.
Neste livro o Senhor Yuri (sim, senhor porque se advogado não é doutor, muito menos o é um estudante de direito) promete dar voz a uma população frequentemente silenciada. Contudo, apenas 5% do livro é na voz das prostitutas e os restantes 95% são opiniões deles, queixas do dinheiro que gastou nestas entrevistas e por estar atrasado para o trabalho ou faltar às aulas e contos da sua vida pessoal que certamente não interessam ao leitor. Para não falar que, para alguém que se compromete a estar do lado desta população, muitas vezes adquiriu um tom de julgamento e de quem parece achar que é melhor que a pessoa à sua frente e a sua vida é tão difícil quanto a dela. Era um livro que podia ter sido excelente, mas o autor cortou as vozes que realmente interessam para poder dar voz a si próprio.
[Kindle] Poucos livros falam de um assunto como este, porém este em particular é muito ruim, não consegui terminar. O autor é responsável por entediar você sempre chamando a atenção para ele e colocando as "putas" em segundo plano. As histórias têm uma estrutura repetitiva, as histórias das entrevistadas são reprimidas. Além disso, fico com a impressão de que o autor tem um orgasmo toda vez que seus entrevistados o chamam de "doutor", já que nunca procuro corrigi-las. E embora não seja doutor, ele tenta se exaltar com o título de "doutor", quando a própria entrevista são tão péssima como seu titulo. Em não recomendo é horrível !!!
Sou Puta, Doutor! (O título do livro é perfeito demais)
Comecei esse livro por conta das questões sociais, e terminei com um livro maravilhoso como favorito. É muito doloroso olhar para a realidade brasileira nua e crua e em especial, para uma profissão marginalizada como a prostituição. Acho o título maravilhoso, consegue chamar a atenção e expor o tema tratado no livro. A escrita de Yuri é muito cativante e os relatos das "putas" é sensacional. Em muitos momentos, triste, mas tão verdadeiro que fascina. Recomendo o livro para as pessoas interessadas em compreender melhor as desigualdades sociais, sobre uma dificuldade enfrentada pelas mulheres e por muitas pessoas LGBT.
A premissa é maravilhosa , dar voz aos "mudos" da sociedade, no entanto , seria mais interessante na minha perspectiva uma cópia exata das histórias de cada uma das pessoas entrevistadas , o mais detalhada possível, e só no final a apreciação do autor/entrevistador sobre todas juntas ou individualmente . Senti sempre um género de influência à minha própria opinião pois a opinião do autor estava constantemente a ser descrita , o que me fez perder um pouco a objetividade ao ler as histórias de todos . Não deixa de ser uma boa leitura, e fala de assuntos de grande importância , contudo , pouco explorada .
Interessante a proposta de um estudante de Direito tentar definir o que seria "exploração sexual" entrevistando prostitutas. Ele dá voz à essas pessoas (não apenas mulheres) invisíveis e que não são consultadas quando se fazem leis que as afetam. São o elo mais fraco da corrente. As entrevistas trazem depoimentos sofridos, realidades que sequer imaginamos. Algumas realmente assustadoras. Não são, de forma alguma, mulheres de vida fácil. No entanto, não houve cuidado com a revisão. Há erros gritantes de gramática e ortografia, a começar pelos diálogos, em que o autor usa simultaneamente travessões e aspas. As estrelas são pelo conteúdo.
As entrevistas são nuas e cruas e demonstram vários lados da prostituição. É uma leitura descomplicada e direta que nos obriga a refletir sobre ideias pré-concebidas (foram várias as reflexões que sublinhei ao longo da leitura). O autor conseguiu uma aproximação enorme entre o leitor e @s prostitut@s, uma aproximação com que fez querer abrarça-l@s, dar uma mão amiga e convidar para uma café, porque queremos conhecer melhor estas pessoas que na verdade não são tão diferentes de nós. Deu-me a conhecer uma realidade que é escondida pela sociedade, apesar de muitos recorrerem aos seus serviços.
alguém por favor dá um livro de ética pro autor e faz ele prometer nunca mais escrever livros. ruim pra CACETE. isso que dá um homem escrevendo sobre vivência de mulheres. o autor é desrespeitoso, sem ética nenhuma, faz comentários sobre o corpo dos entrevistados, foi procurar o vídeo pornô de uma delas e disse que ela era ótima?? e só sabe falar dele, de como tá sem transar, de como ficou excitado ouvindo elas. sério, gente, que coisa desnecessária, tenebrosa, horrível. eu to chocada de ter lido uma coisa tão nojenta. nem nota 1 essa bosta merece.
No começo, achei bem interessante a ideia do autor de abordar o lado que a sociedade costuma esconder. Logo de cara, dá para perceber a tensão que ele sentiu ao se colocar numa situação tão delicada. No entanto, com o passar das entrevistas, parece que esse foco foi se perdendo um pouco. A descontração acabou deixando a pauta sem a profundidade e seriedade necessárias. Seria um livro que poderia abrir espaço para discussões mais abertas, além de estimular um debate sobre regulamentação e proteção dessas pessoas que muitas vezes são marginalizadas pela sociedade.
Uma colecção de histórias de diferentes trabalhores do sexo sobre como acabaram no ramo e como se vêm. Para cada uma das personagens a narrativa é muito informal retranto os encontros nos cafés. O mais interessante para mim foi descobrir a definição de 'exploração sexual' sob o ponto de vista de cada personagem. Uns mais analitacamente, analisando salário retido pelos intermediários da profissão e tempo, outros referindo que exploração é quando as vozes não se fazem ouvir. (aqui fica-)
Uma seleção de entrevistas que precisam ser lidas!
A cada nova voz, um novo desconforto, uma nova realidade que me ensinou muito. Levei um tempo para ler todas as entrevistas. Esse não é um relato que lemos em apenas um dia. Cada história traz uma grande carga emocional e que vai te fazer questionar muito. Uma difícil, mas boa leitura.
(ainda na dúvida se dou 3,5 ou 4 estrelas) a obra traz uma linha de pesquisa e raciocínio muito interessante. Mas infelizmente o autor me perdeu um pouco nos momentos em que se inseria demasiadamente na narrativa, assim como o uso de alguns termos, posicionamentos e comentários. no geral, um trabalho de pesquisa excelente
Demorei um pouco para me acostumar com a forma do autor/entrevistador opinar/comentar os pensamentos dele enquanto tudo acontecia, mas logo depois me acostumei. O foco principal é mergulhar na vida de cada uma das mulheres entrevistadas. Cada entrevista é nua e absolutamente um soco de realidade de Brasil.