Jump to ratings and reviews
Rate this book

Arquivos da Repressão no Brasil

Contra a moral e os bons costumes: A ditadura e a repressão à comunidade LGBT

Rate this book
Contra a moral e os bons costumes disseca as políticas sexuais da ditadura brasileira, abordando o controle moral violento e repressivo direcionado aos grupos LGBT pelo aparato militar nos anos de chumbo. Professor de direito da Unifesp, advogado e ativista no campo dos direitos humanos, Renan Quinalha utiliza farta documentação de época, em especial os arquivos trabalhados pela Comissão da Verdade, para demonstrar que, apesar de ter raízes históricas mais antigas, no regime iniciado com o Golpe de 64 a repressão às pessoas que desafiavam a heteronormatividade ganhou nova dimensão.
Além de revelar a sistematização da violência em todos os níveis – perseguição e censura a veículos como Lampião e Chana com Chana, fechamento dos pontos de encontro da comunidade, prisões, espancamentos, tortura –, Quinalha demonstra como um movimento social tão jovem como o LGBT conseguiu não apenas sobreviver, mas trilhar um caminho de conquistas de direitos fundamentais.

416 pages, Paperback

Published September 8, 2021

16 people are currently reading
176 people want to read

About the author

Renan Quinalha

11 books7 followers

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
14 (35%)
4 stars
18 (46%)
3 stars
4 (10%)
2 stars
1 (2%)
1 star
2 (5%)
Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for Eduardo Leite.
Author 2 books65 followers
November 15, 2021
Num dos países que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo, o livro de Quinalha é indispensável para trazer à tona um aspecto fundamental, porém esquecido (ou ignorado) no debate a respeito do período da ditadura militar no país: a violência e a censura que essa população sofreu e que tem consequências diretas até hoje. Não que a LGBTfobia no Brasil tenha se iniciado na ditadura, e o Renan deixa isso bem claro no seu texto, mas quando pensamos em violência e censura nesse período, o imaginário brasileiro vai direto para a repressão política, como se o período ditatorial tivesse sido mais brando com relação a suas pautas de costumes, sempre com vieses conservadores. Não foram.

Renan faz diversas considerações a respeito da influência da violência vivida na época retratada no livro com a atualidade, não apenas como desenvolvimento histórico, mas com paralelos expressivos que mostram como o autoritarismo conservador brasileiro atualmente no poder do Executivo bebe da fonte da ditadura militar não apenas nas homenagens a torturadores e discursos anticomunistas, mas também em todo o cerceamento da liberdade de grupos minoritários em defesa da família brasileira, da moral e dos bons costumes.

Para além do capítulo dedicado à repressão e à violência sofrida pela população LGBTQIA+ no período, é sofrido ler o tópico sobre a imprensa sensacionalista no capítulo dedicado à censura e ver como a própria mídia e o jornalismo (e aqui eu falo enquanto jornalista) reforçavam (e muitas vezes ainda reforçam) violências vividas por essas pessoas, inclusive utilizando-se de tom jocoso quando noticiavam crimes contra pessoas LGBTs.

Porém, o texto tem uma lacuna significante que não sei se é do autor ou dos documentos por ele analisados (provavelmente os dois) e que é muito comum não apenas no material escrito a respeito do período da ditadura militar, mas de toda a história do Brasil: a ignorância quase que completa do que aconteceu fora do sudeste. De fato, no capítulo 2, no tópico a respeito do I Encontro de Grupos Homossexuais Organizados, o autor traz uma citação da organização do evento, que fala que este seria o "resultado do nascimento de grupos ativistas homossexuais por todo o Brasil" e logo em seguida traz a lista de cidades de onde são esses ativistas que foram ao encontro: "São Paulo, Guarulhos, Sorocaba, Brasília, Belo Horizonte, Duque de Caxias e Rio de Janeiro" (p. 119).

Obviamente falta material de estudo do que ocorreu em outros lugares, mas suponho aqui que parte dessa lacuna venha também do lugar de onde o autor escreve. Ele chega a citar um encontro regional do movimento homossexual acontecido em Recife e algumas ações do Grupo Gay da Bahia (GGB), mas sempre sem entrar em detalhes, como acontece com os casos mais detalhadamente descritos, ocorridos sempre no sudeste.

Por fim, acho que o texto se engrandeceria ainda mais se o autor tivesse buscado as pessoas que sofreram essa perseguição, algumas delas pessoas famosas ainda vivas, para entrevistas em profundidade, mas sei que isso extrapolaria os objetivos do livro, que é resultado da tese de doutorado do autor. Ainda assim, um livro importante para entendermos o buraco em que estamos metidos e que ainda demoraremos bastante tempo para sair dele.
Profile Image for Amanda.
54 reviews
November 8, 2021
Leitura fundamental para a historiografia do movimento LGBTQIA+ brasileiro. Por mais que o livro aborde com mais afinco a organização de homens gays e, proporcionalmente em menor medida, de lésbicas, especialmente no Sudeste do país, vê-se a importância histórica desse escrito para a compreensão sobre a história do desenvolvimento dos movimentos dissidentes de gênero e sexuais no Brasil. Como dito, é um livro que parte dos arquivos da Ditadura Militar sobre um local muito específico, mesmo reverberando para outros locais próximos. É uma importante análise documental e deve ser utilizada como referência não somente sobre os regimes de sexualidade e gênero, mas sobre como a Ditadura Militar foi parte fundamental da orquestração da perseguição contra dissidências e cujos elementos, compartilhados com os "guardas da esquina", permanecem até hoje. É um livro, como situa o autor, que desmistifica a ideia de que a Ditadura foi branda com as identidades de gênero e sexualidades por serem lidas como temáticas comportamentais. Em verdade, o silenciamento, a invisibilização e todas as outras tentativas violentas de prejuízo ao exercício livre das identidades dissidentes podem ser compreendidas como uma base importante para todas as outras violências construídas no período, no qual a família, a moral e os bons costumes foram elementos-chave utilizados como justificativa pelos militares para sua permanência no poder.
Profile Image for Lucas Rossi.
96 reviews2 followers
April 13, 2024
Importantíssimo no resgate de uma história recente e pouco falada, com especial ênfase no jornal Lampião da Esquina. Ele deixa um gosto amargo quando chega nos anos do governo genocida e percebemos as mesmas táticas em defasa da [falsa] moral, da família etc. Militar é uma m****!

“Só ando com gilete. É a minha defesa contra a polícia.”
Profile Image for Gata Leitora / Cat reader.
593 reviews9 followers
March 1, 2022
Resenha Sandra Martins
Contra a moral e os bons costumes - resenha.



Um retrato forte e um documento histórico extremamente necessário para se cobrir mais um capítulo escondido nas gavetas da ditadura militar: a comunidade LGBT nos tempos de repressão militar.



O responsável por coletar os dados e transformá-los nesse livro importante foi Renan Quinalha, professor de direito, advogado e atua como ativista na área dos direitos humanos.



Contra a moral fala a movimentação dos grupos homossexuais brasileiros, da violência que eles sofreram pelas mãos de pessoas intolerantes e pela repressão dos militares.



O livro também registra os diversos movimentos dos cidadãos tradicionalistas que se uniram em eventos como a “marcha da família com Deus pela liberdade”, o esquadrão mata bichas que agia a sua vontade com o estado tendo os olhos vendados.



Mesmo com tantos fatos contrários, o movimento dos homossexuais, aconteceram eventos que foram a semente que fortificaram o movimento hoje: o jornal Lampião da esquina, a imprensa rosa-choque e as próprias manifestações e protestos que aconteceram na época.



Esse livro reportagem documenta um período doloroso da história do Brasil. E é um registro necessário nos dias de hoje e para sempre. E que deveria estar em todas as escolas, universidades. Uma leitura imprescindível e urgente.
Profile Image for Eduardo Peretto Scapini.
202 reviews4 followers
March 14, 2025
Baita pesquisa de uma história que não seria contada se não existissem pesquisadores foda tal qual o Renan. Ao mesmo tempo que é importantíssimo conhecermos a nossa própria história, existem momentos nos quais a dor diante de tanta violência é tamanha que precisava dar um respiro maior entre os trechos, penso que isso comprova o tanto de luta que está intrincada nos direitos que hoje garantimos. Genial!
Displaying 1 - 5 of 5 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.