Durante a II Guerra Mundial, apesar de Portugal ter permanecido neutro, os portugueses não ficaram incólumes às suas dramáticas consequências. Várias centenas foram deportados para os campos de concentração ou para as prisões do regime nacional-socialista; internados em campos de prisioneiros de guerra ou forçados a trabalhar para os alemães, quer no interior do Reich, quer nos territórios ocupados. Deportados, sobretudo a partir de França, a história de vida de cada um destes portugueses reflete uma multiplicidade de percursos no sistema concentracionário do III Reich. A sua memória permaneceu esquecida até ter sido recentemente resgatada pela investigação realizada em arquivos portugueses, franceses e alemães. Neste livro, devidamente contextualizadas, são dadas a conhecer breves biografias de alguns dos homens e mulheres identificados pela equipa.
FERNANDO ROSAS nasceu em Lisboa, a 18 de Abril de 1946. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (1969), mestre em História dos séculos XIX e XX (1986) e doutorado em História Económica e Social Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1990).
Foi, entre 1996 e 2016, professor catedrático de História Contemporânea. Em 2019 tornou-se o primeiro professor emérito da NOVA/FCSH, distinção pelo seu percurso académico ímpar. Na mesma faculdade, foi Presidente do Instituto de História Contemporânea (1995-2012). Entre 1988 e 1995, integrou o conselho de redacção da revista Penélope – Fazer e Desfazer a História. Entre 1994 e 2007, dirigiu a revista História.
Desenvolveu a sua investigação sobretudo em torno da História Contemporânea e da História de Portugal no século XX, com especial incidência no período do Estado Novo. Publicou variadíssimas obras como autor, dirigiu, coordenou e é co-autor de muitas outras na área da sua especialidade (história portuguesa e europeia do século XX), entre elas: As primeiras eleições legislativas sob o Estado Novo: as eleições de 16 de Dezembro de 1934 (1985); O Estado Novo nos Anos 30. Elementos para o Estudo da Natureza Económica e Social do Salazarismo (1928-1938), (1986); O salazarismo e a Aliança Luso-Britânica: estudos sobre a política externa do Estado Novo nos anos 30 a 40, (1988); Salazar e o Salazarismo (co-autor), (1989); Portugal Entre a Paz e a Guerra (1939/45), (1990); Portugal e o Estado Novo (1930/60), (co-autor), (1992); História de Portugal, vol. VII - O Estado Novo (1926/74), (1994); Dicionário de História do Estado Novo, (dir.), (1995); Portugal e a Guerra Civil de Espanha, (coord.), (1996); Armindo Monteiro e Oliveira Salazar : correspondência política, 1926-1955, (coord.), (1996); Salazarismo e Fomento Económico, (2000); Portugal Século XX : Pensamento e Acção Política, (2004); Lisboa Revolucionária, Roteiros dos Confrontos Armados no Século XX (2007); História da Primeira República Portuguesa, (co-coord.), (2010); Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar (2012); Estado Novo e Universidade. A perseguição aos Professores (coautor), (2013); O Adeus ao Império - 40 anos de descolonização portuguesa (org. et al.), (2015), História a História: África (2018), Salazar e os fascismos (2019), Ensaios de Abril (2023) e Direitas Velhas, Direitas Novas (2024).
Autor dos programas de televisão, História a História e História a História - África, produções Garden Films para a RTP.
Foi deputado à Assembleia da República (1999/2002; 2005/2011) e candidato à Presidência da República, em 2001, pelo Bloco de Esquerda, tendo obtido 3% dos votos. Em 2006 foi condecorado, pela Presidência da República, com a Comenda da Ordem da Liberdade e foi galardoado com a Medalha de Mérito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2017) e a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores (2018).
Breve, mas uma recolha de informação e escrita clara.
Pouco se fala sobre os portugueses que foram quer voluntários, quer (a sua grande maioria) forçados a trabalhar para a máquina de guerra do III Reich. Um regime que humilha a Europa como um todo, de uma desumanidade que, infelizmente, que ainda hoje se repete em algumas partes do globo.
Com algumas notas biográficas destes trabalhadores, na sua maioria emigrados em França, tanto homens como mulheres, ilustrando o seu papel (na maioria dos casos) contra o regime, as suas detenções e entradas nos diversos campos + transferências entre locais.
Enfim, um estudo altamente necessário de memorialização e nunca esquecimento daquele que foi um dos maiores períodos de sofrimento vividos no continente europeu.