O temperamento indomável e a cultura política levaram José Carlos Rates (1869-1961) a ter uma importância histórica no movimento operário da Primeira República e na fundação do Partido Comunista Português de que foi o primeiro secretário-geral. Oriundo de uma família humilde - os seus pais eram analfabetos -, Rates tinha 30 anos quando se começou a fazer notar como sindicalista de voz forte e pena afiada.
Destemido, impunha respeito pela força das suas convicções. Desafiou os líderes republicanos com o mesmo vigor que viria a enfrentar os anarquistas e, mais tarde, radicais que nunca o quiseram no PCP.
Abraçou a ditadura militar saída do golpe de maio de 1926, aderindo à União Nacional - o partido único do regime - cinco anos depois, quando ainda era manifesta a sua preocupação com a defesa do operariado. Cairia nos braços de Oliveira Salazar, numa estranha cambalhota para a qual, indo ao fundo do seu pensamento político, se encontram algumas linhas de explicação - que este livro pretende revelar.