Parte da coleção que publicará os diários integrais de Carolina Maria de Jesus, este segundo volume de Casa de alvenaria abarca o período em que a autora viveu no bairro de Santana, em São Paulo (SP), e inclui registros raros ou inéditos.
Em dezembro de 1960, depois de deixar a favela do Canindé e morar brevemente em Osasco, Carolina Maria de Jesus comprou sua tão sonhada casa de alvenaria, em Santana, onde viveu antes de se mudar para um sítio em Parelheiros. Este segundo volume de Casa de alvenaria inclui diários que se estendem até dezembro de 1963, com conteúdo inédito ou fora de circulação há décadas. Através desses registros, acompanhamos a nova vida de Carolina, a movimentação em sua casa, as viagens e, sobretudo, a dificuldade de transpor as barreiras do racismo e da estigmatização para ser reconhecida como escritora. Feita a partir dos manuscritos originais de Carolina, esta nova edição é uma oportunidade de conhecer uma das maiores escritoras brasileiras na íntegra e por ela própria – seus sonhos, suas vontades, seu projeto literário e suas desilusões.
O livro inclui introdução de Conceição Evaristo e Vera Eunice de Jesus e pode ser lido independentemente do volume anterior.
"Ler Casa de alvenaria é penetrar no universo íntimo de uma das autoras mais instigantes da literatura brasileira." – da introdução de Conceição Evaristo e Vera Eunice de Jesus
Carolina Maria de Jesus was born on March 14, 1914 in Sacramento-MG, where she lived in her childhood and adolescence. Her parents probably migrated from Desemboque to Sacramento as a result of changing the economics of gold mining to farming activities.
In Sacramento, she attended primary school in a Spiritualist College, which had a mission aimed at poor children of the town, with the help of influential people. Carolina studied just over two years but learned to read and write there. She later remembered reading posters outside movie theaters and realizing that reading was not just something done in school, but a skill that could be used everywhere. All her reading and writing was based on this short time of formal education. She quit school but never stopped reading and writing.
Moving to São Paulo in 1947, Carolina went to live in the now defunct favela of Canindé, in the northern part of the city. She earned money by collecting recyclable materials. When she found notebooks or blank papers in the trash she saved them for her writing. She wrote novels, plays, letters to authorities and poetry in addition to her ongoing journal.
Even before all the injuries, losses and discrimination she suffered throughout her life, Carolina revealed through her writing the importance of speaking up in honest testimony, as a means of complaint about social inequality and racial prejudice.
Her best known work, Quarto de Despejo (Place of Garbage) – Diário de uma favelada (published in America as Child of the Dark), edited by journalist Audalio Dantas and released in 1960, had an initial print run of 10000 copies, which sold out the first week. More than 55 years since then, the book has already been translated into 13 languages and sold in more than 40 countries. This book is a chronicle of life in the favela do Canindé, at the beginning of the "modernisation" of the city of São Paulo and the emergence in the outskirts. Its cruel and perverse reality was until then little known. This documentary literature, in its unique black female narrative, was known and named as journalism of denunciation of the years 1950-1960. It is still considered a current work, because the theme of problems lasting to this day in the big cities.
The work of Carolina Maria de Jesus is an important reference to the cultural and literary studies, both in Brazil and abroad and represents our peripheral/marginal and Afro-Brazilian literature. An example of strength, intelligence and ability to stay forever in the history of our culture.
Even today, much of Carolina's production remains unheard. The researcher Raffaella Fernandez still is dedicated to the organization of the manuscripts of the author. In a set of more than 5000 pages, are 7 novels, 60 short texts , 100 poems, 4 theatre plays and 12 letters for Carnival marches.
In 2014, as a result of the Projeto Vida por Escrito – Organização, classificação e preparação do inventário do arquivo de Carolina Maria de Jesus, awarded the Prêmio Funarte de Arte Negra, it launched the Biobibliografic Portal of Carolina Maria de Jesus (www.vidaporescrito.com) and, in 2015, released the book Vida por Escrito – Guia do Acervo de Carolina Maria de Jesus, organized by Sergio Barcellos. The project mapped the entire material of the writer who is guarded by several institutions, including: Biblioteca Nacional, Instituto Moreira Salles, Museu Afro Brasil, Arquivo Público Municipal de Sacramento and the Acervo de Escritores Mineiros (UFMG).
Ter contato com as palavras de Carolina Maria de Jesus é ter contato com sua alma. E com a alma de muitos brasileiros. É enxergar uma verdade da forma mais crua e ao mesmo tempo, poética.
A resenha de hoje vai ser dupla: as casas de alvenaria de Carolina Maria de Jesus, lançadas pela Companhia das Letras esse ano.
Depois de sair do quarto de despejo (era como ela chamava a favela), Carolina experimentou a realização de um sonho ao morar numa casa de alvenaria. Foi a saída da favela do Canindé para o porão da casa de um empresário. Ainda não era o sonho completamente realizado mas foi o início de uma nova fase da vida de Carolina e seus filhos.
Foi o período de encontros para falar sobre seu livro, jantares, viagens e mais um mundo que foi se abrindo pra Carolina. E tanta mudança na vida acarretou mais outra troca de tetos. Dessa vez, ela e sua família se mudaram para o bairro de Santana. Mas os compromissos e a nova vida mais agitada a impediram de exercer o prazer que era desabafar nas folhas de papel.
Depois de viver todas as coisas positivas, negativas e dolorosas desse mundo que chegou como um cometa na vida dela, Carolina decidiu se mudar mais uma vez. Agora, foi para o sítio em Parelheiros, que foi sua última morada, acolhendo-a até o ano de sua morte em 1977.
Ler Carolina Maria de Jesus é ser impactade por uma verdade, por uma vida pesada, com muita dor e com a confirmação de ser um dos maiores nomes da literatura brasileira. E também é ver como muita coisa que ela passou ainda segue viva em nossos dias. Isso é muito doloroso mas também abre os olhos de quem tiver o mínimo de bom senso. Ler Carolina é marcante para o resto da vida. A prova são seus diários que até hoje fazem cair lágrimas e provocar muita reflexão.
acho que quando a gente lê um livro de não-ficção, sobretudo um diário, não espera grandes viradas de enredo... mas aqui, na vida de Carolina, tudo se revira, capota; há uma montanha russa que sobe, desce, descarrilha, volta aos trilhos...
mesmo após a a ascenção da autora com a publicação de Quarto de Despejo, continua sendo doloroso ler seus relatos. há a fama inesperada, o convívio com a burguesia, os aproveitadores, sua vontade de viver tudo de que havia sido privada, o racismo escancarado que sofre a todo tempo, seu desencaixe - e também o desencaixe dos seus filhos - no novo contexto em que passa a viver e, por fim, de novo a pobreza e, agora, o ostracismo...
a escrita de Carolina é delicada e ao mesmo tempo dura. e foi fundamental mergulhar nesse calhamaço que é o segundo volume de Casa de Alvenaria, republicado pela Companhia das Letras, dessa vez sem cortes e sem pudores. Carolina não devia coisa sequer a alguém e sabia disso.
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Foram 9meses lendo, Carolina nunca foi leitura fácil, é tanto sofrimento e tantas histórias, que sempre preciso de tempo nos livros dela. Porém, cada livro lido dessa mulher eu passo a amá-la mais.