acho que quando a gente lê um livro de não-ficção, sobretudo um diário, não espera grandes viradas de enredo... mas aqui, na vida de Carolina, tudo se revira, capota; há uma montanha russa que sobe, desce, descarrilha, volta aos trilhos...
mesmo após a a ascenção da autora com a publicação de Quarto de Despejo, continua sendo doloroso ler seus relatos. há a fama inesperada, o convívio com a burguesia, os aproveitadores, sua vontade de viver tudo de que havia sido privada, o racismo escancarado que sofre a todo tempo, seu desencaixe - e também o desencaixe dos seus filhos - no novo contexto em que passa a viver e, por fim, de novo a pobreza e, agora, o ostracismo...
a escrita de Carolina é delicada e ao mesmo tempo dura. e foi fundamental mergulhar nesse calhamaço que é o segundo volume de Casa de Alvenaria, republicado pela Companhia das Letras, dessa vez sem cortes e sem pudores. Carolina não devia coisa sequer a alguém e sabia disso.