«A carta de Caminha é algo inteiramente novo e, repita‑se, um documento único na história da humanidade. Estou consciente de que me restrinjo à «humanidade europeia» (e especificamente ocidental), mas na minha vasta ignorância não tenho notícia de nada que se lhe assemelhe. Nem Marco Polo revela tal candura perante o inesperado, o maravilhoso descoberto, mesmo se planeado (e a isso já iremos mais adiante).A narrativa de Pêro Vaz de Caminha − confesso que prefiro não entrar em pormenores sobre ela para que o leitor a descubra virgem, e a aprecie por si próprio, pois ela dispensa glosas − basta lê-la atentamente para nos darmos conta da abertura de horizontes dos recém-chegados a um universo novo, inteiramente inesperado. Vemo-los fascinados perante a natureza e a beleza de um povo que os deslumbra.Tudo surge descrito numa linguagem gostosa, ditada por um olhar eivado de quase ingénua inocência.» Onésimo Teotónio Almeida
Pêro Vaz de Caminha was a Portuguese knight that accompanied Pedro Álvares Cabral to India in 1500, as a secretary to the royal factory. Caminha wrote the detailed official report of the April 1500 discovery of Brazil by Cabral's fleet (Carta de Pêro Vaz de Caminha, dated 1 May, 1500). He died in a riot in Calicut, India, at the end of that year.
Imaginem atravessar um oceano enorme numa casquinha de noz, durante meses a fio, para descobrir do outro lado uma praia imensa e uma floresta densíssima, e aí encontrar outros seres humanos como nós, a viver uma vida paralela à nossa, com os seus rituais e rotinas, família e sociedade, infra-estruturas e habitações, e compreender que a um mundo de distância e numa língua ininteligível ainda é possível dialogar e conhecer uma pessoa.
O olhar de Pêro Vaz de Caminha é pautado por uma grande ingenuidade, como uma pessoa que vê pela primeira vez um tomate e tenta descrevê-lo usando apenas aquilo que conhece. Aquela foi a primeira vez que Caminha olhou verdadeiramente para um ser humano, dos pés à cabeça, como se fosse uma coisa nova e admirável, para depois concluir que são "assim como nós".
A carta é reveladora da inocência e surpresa dos índios e dos portugueses. Quem são estes homens que vêm do mar profundo? Quem são estes homens que vivem no Paraíso de Adão e Eva?
A curiosidade torna-se o motor da conexão entre os povos e a Terra ganha novos contornos e novas dimensões. É um dia novo e a Terra é maior e mais bela. É fascinação, amor! Ainda somos um pouco assim, ainda acho que todos os dias descobrimos que há outras pessoas à nossa volta, com mundos diferentes, cada uma delas uma ilha à espera de ser descoberta.
Este livro foi uma aventura incrível e uma leitura perfeita.
“…o melhor fruto que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente…” que poderia ter sido implementado com “…para saquearmos e enriquecermos nosso reinado.