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Bicho Geográfico

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107 pages, Paperback

First published January 1, 2020

4 people want to read

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Bernardo Brayner

6 books3 followers

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Community Reviews

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Profile Image for Alysson Oliveira.
386 reviews48 followers
September 15, 2022

Mesmo estáticas, fotografias são uma narrativa intermediada por quem as enquadra e construída por quem as vê. Bernardo Brayner parte de uma ideia como essa em seu Bicho Geográfico, um romance sobre o tempo, embora o título remeta ao espaço. A partir de fotografias de sua infância, o autor abre um baú de memórias do qual parecem sair lembranças, divagações, mas também uma construção (organização) ficcional da narrativa.

De maneira poética e associativa, o autor parece tentar jogar uma luz em seu passado, nas pessoas que lá habitam, e aqui não estão mais. Nesse sentido, é um livro melancólico e nostálgico de um homem em busca do menino que o formou. As fotografias dão uma espécie de pontos de partida a cada segmento que resgata num fluxo contínuo, mas também reverbera.

É um romance curto, que se lê rápido, mas seu efeito é duradouro e potente, pois medita uma questão perene: como nos lembramos do passado, filtrado por nosso presente. É um jogo de memória traiçoeiro, como fica claro aqui, no qual as lembranças se dão conforme o presente demanda. E, nesse sentido, a prosa límpida do livro é eficiente em mimetizar uma espécie de realismo do que já foi, embora, disfarçadamente, tudo esteja envolto na bruma da recordação.
Profile Image for Maria Morais.
68 reviews3 followers
January 8, 2022
Começo esse textinho falando sobre o personagem Stardust, de Fletcher Hanks, o herói discreto que parece ter cativado a admiração de Bernardo quando criança. Desde sempre, eu vi o próprio Bernardo como o Stardust, embora não tivesse um nome para lhe dar. Pois esse escritor de pouca pompa, discreto e tímido, vai cumprindo sua missão de montagem quase minúscula do visível com terna devoção. O paralelo para mim é tão evidente. Mas, para ser mais clara, explico: nosso escritor discreto, que tantas vezes divulga pequenos escritos em seu bloquinho de anotações virtual (Facebook e instagtam), em fragmentos soltos, desconexos, surrealistas, nao nos deixa entrever a princípio o tamanho de suas obsessões, a extensão de seus projetos. Vê-los aqui reunidos neste livro tão bem organizado, com passagens que tanto me comoveram quanto me remeteram às minhas próprias lembranças, imbrincando-as às suas, foi como testemunhar "o voo simétrico do Stardust, fechado em si, sem heroísmo (...) mas que tende ao minúsculo, à falta de volume, à falta anatomia".

Tenho pra mim que e a gente só lembra das coisas quando nao precisa delas. Como se essas inutilidades do inconsciente servissem mesmo para nos tirar do automatismo. As lembranças surgem muitas vezes de forma fortuita, aleatória, pegando-nos de surpresa em momentos de descuido, talvez. E nunca vêm limpas, voltando para nós através do filtro da imaginação. Esses pequenos pedaços de memórias misturados à ficção apresentados por Bernardo me trazem uma janela para o que há de mais profundo em nossa experiência íntima. Talvez essa que tememos tanto perder na hora da morte, algo que está tão latente na obra A Obscena Senhora D., de Hilda Hilst. Por dar textura a essas lembranças, enovela-las livremente a outras associações, é como se estivessemos chegando perto de nosso próprio coração, essa estrela distante. Nossa matéria mais bruta e secreta.

Agradeço imensamente pela leitura, pelo trabalho de organização dos textos e fotografias, só lamento pela capa do livro, que nem de longe está a altura de toda riqueza imagética que a obra evoca.

Será um livro que guardarei com carinho, sobretudo agora, em que vivencio o luto pela morte de minha avó. Parece ter chegado em minhas mãos no momento certo.
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