Moacir ainda está no início de sua carreira como Catalendas quando se depara com o mistério da fogueira que nunca se apaga. Por um pedido anônimo, ele e seu aprendiz Gonzaga vão até o povoado de São João das Almas investigar o motivo dos habitantes da cidade serem obrigados a celebrar um arraial todos os dias do ano em volta de uma fogueira que está acesa há mais de 20 anos. Apesar do fluxo constante de turistas endinheirados, o catalendas estranha a cidade aparentar estar em ruínas, parada no tempo. Ao desafiar criaturas além da sua compreensão, Moacir irá descobrir que às vezes tomar uma decisão pode ser uma provação maior do que enfrentar o sobrenatural.
Anos antes dos eventos de O Mistério do Carneiro de Ouro, nos deparamos com o jovem Moacir e seu assistente Gonzaga indo ao vilarejo de São João das Almas investigar uma fogueira que há 25 anos está acesa, transformando a cidadezinha em uma eterna festa junina.
Apesar de ser outra história de Catalendas, A Fogueira que Nunca se Apaga tem um estilo muito diferente do outro livro do Thiago Lee. Aqui o foco não é exatamente infanto-juvenil, embora seja tranquilo de ler por esse público. O regionalismo é um pouco menos presente e o tom também é menos aventuresco e talvez um pouco mais investigativo. Talvez por ser bem mais curto, não há o mesmo espaço para desenvolver Moacir e Gonzaga, são personagens interessantes mas que precisam de mais detalhes.
Dito isso, o desenvolvimento é divertido e a história da fogueira, embora não surpreenda, é bem amarrada. Acredito que o conto se beneficiaria de uma ampliação, com enriquecimento dos personagens e a criação de subtramas. Mas também funcionaria bem em uma coletânea de histórias curtas de Catalendas.