Um casal de retirantes luta para ganhar a vida numa favela de São Paulo. Após passarem por vários empregos, o marido vira pastor de uma pequena igreja evangélica, e a família progride. Mas à medida que crescem, os filhos começam a questionar a conduta e os valores dos pais.Em sua estréia literária, Fábio Gonçalves nos conduz com segurança pelos dramas e contradições dessa família de Paraisópolis – mais representativa de nossa realidade do que normalmente gostamos de admitir –, cujo chefe é capaz de entregar-se cegamente à busca da ascensão social e da prosperidade material, iludido pelas próprias mentiras excelsas e incapaz de examinar com sinceridade o próprio coração embrutecido.
Um livro interessante, uma novela talvez, de uma autor iniciante, mas q depois deste já lançou um livro de contos e merece uma leitura.
Eu sou do time de que literatura não é cota, literatura é talento, trabalho, vocação e vontade. Pouco importa a mim se quem escreveu é homem ou mulher, branco, preto, azul ou roxo. Se for boa literatura eu leio, se for ruim, descarto porque a vida é curta e são MUITOS os bons livros q precisamos ver e grande parte deles não dará tempo em uma existência apenas, mas neste caso eu sou obrigado a dizer q o autor deste livro, cujo enredo se passa em Paraisópolis, uma das maiores favelas de São Paulo junto com Heliópolis, nasceu e se criou numa favela (uma menor), é negro e conseguiu ascender, saiu da favela, se educou, casou, tem uma profissão e está inserido na sociedade, portanto o autor conhece a realidade q ele relata no livro, viveu ela de perto, sobreviveu a ela e transcendeu socialmente. Não se trata de alguém q nunca pisou numa favela e tampouco de quem ainda mora lá dentro e só conhece aquela realidade.
Sobre o enredo, o livro é bem curto e não quero estragar a experiência de ninguém com spoiler, então serei breve. Trata-se de Josenildo, sua esposa e seus três filhos, q após chegarem do nordeste e passarem muitos apertos, eis que lhe é oferecido um posto de pastor numa igreja local da favela. É aqui q tudo se inicia.
Nos vamos ter esmiuçadas as vidas de cada membro desta família, seus anseios, desejos, dores, frustrações e o verniz q cada um deles usa no dia a dia pra esconder quem são de verdade. Mesmo estando em família. O caldo começa a entornar quando o pai, Josenildo, aceita entregar a mão de sua filha mais bela a um outro pastor, muito rico, de moral e comportamentos duvidosos em troca de uma ascensão social. Ascensão está altamente desejada em segredo por sua mulher, Lindalva, q deu o maior apoio.
Não vou falar muito mais do que isso, mas creio q posso pincelar neste final de resenha que o autor bebeu de Crime e Castigo de Dostoiévski, a análise dos personagens é profunda até o limite em que uma novela permite e, digamos assim, tem um conteúdo moral semelhante, embora obviamente o livro não chegue perto da obra-prima do russo.
O livro é perturbador. Não o parece no início, mas conforme o enredo desanda e a trama desata, ele realmente fica perturbador. Eu não esperava que fosse tão macabro, principalmente pelo título. Ainda assim, é uma leitura interessante, e por ser curto, acho que vale a pena. Quanto ao escritor, muito louvado no prefácio, acho que é um pouco cedo para todos esses louvores. A escrita é boa, sim - imagino que se o autor fosse como os Franceses ou Russos, talvez esse livro tivesse umas 500 páginas -, mas ainda falta um algo que não consigo explicar. E não acho que seja implicância minha pois reconheço que a escrita é boa. Talvez seja algo no tom do narrador, que poderia sumir se ele fizesse parte da história, por exemplo.
𖦹 um ótimo livro para analisarmos as referências de igrejas que possuímos hoje em dia. é certamente duro ler isso como um cristão, mas necessário como um indivíduo em sociedade.
𖦹 gostei muito da escrita da obra, muito fluída e te prende do início ao fim. definitivamente um dos melhores que li esse ano!