Neste livro, fruto de uma tese de doutorado, Jonas Madureira oferece um trajeto para quem deseja entender a teologia tomasiana a partir da Suma de teologia, obra que, segundo teria dito G. K. Chesterton, “todos podem elogiar sem tê-la lido”. Ao longo deste livro o leitor encontrará não apenas uma exposição cuidadosa da posição tomasiana a respeito dos limites do conhecimento humano, mas também uma reflexão profunda sobre o papel da imaginação, em especial no conhecimento de Deus.
Jonas é cirúrgico ao tratar do conhecimento de Deus em Tomás de Aquino. Basicamente o que ele faz é fazer uma exposição detalhada sobre a tese, e dialogar com outros especialistas no assunto, deixando para nós um texto bem direto e claro sobre Tomás. Vale muito a leitura.
A obra é uma exegese do artigo 7, questão 84, da primeira parte da Suma Teológica de Aquino, que trata do papel da “conversão aos fantasmas” (“estados mentais”) para o conhecimento humano. Nesse texto, Aquino apresenta sua concepção de conhecimento de Deus. O pressuposto de Aquino é que o conhecimento intelectual de Deus não ocorre diretamente, mas é mediado pelas imagens das coisas sensíveis. O problema é: como é possível conhecer a Deus sem os “estados mentais” (fantasmas)? O ser humano conhece os estados mentais através das coisas sensíveis. Como conhecer a Deus se aquilo que é imaterial não pode formar “estados mentais” no intelecto do indivíduo? A resposta de Aquino é: no estado presente, conhecemos apenas o que Ele não é, mas no estado de bem-aventurança (estado intermediário entre a morte e a consumação de tudo), vamos conhecer a Deus em sua essência, como Ele é. Para fazer essa exegese, Madureira faz uma análise do artigo 7 (contexto, estrutura e argumentação). Em seguida, trata da relação entre intelecto e imaginação. No capítulo três, apresenta a relação entre imaginação e estado da vida presente. E, no último capítulo, discute como Aquino entende a relação entre estado da vida presente e o conhecimento de Deus. O texto é muito bem escrito e se o leitor seguir a argumentação de forma atenciosa, restará fácil compreender como Aquino entende a relação entre intelecto humano e conhecimento de Deus.