Estamos no mundo em 2021, e uma crise humanitária, já há muito anunciada, se escancara. Nesse cenário, em meio à angústia e aos destroços, como é possível pensar e fazer poesia? A poeta Adelaide Ivánova não tem uma resposta para essa questão, mas em Chifre, seu quinto livro, parece apontar caminhos para lidar com a situação.
Sucessor de 13 nudes, o qual foi classificado pela autora como um “livrinho fofo de amor”, esse novo trabalho retoma alguns dos poemas anteriores e os insere em outro panorama, entre o poema de amor e o poema político. Dividido em três seções temáticas (“raiva, euforia, cansaço”; “writer’s block” e “raiva, esperança, ação”), Chifre é um lugar de possibilidades, e, sobretudo, um convite a uma tomada de posição.
Adelaide Ivánova (Recife, 1982)é poeta e fotógrafa brasileira, lançou os livros Autotomia (Pingado-prés, fotos) e Polaróides (e negativos das mesmas imagens) (Cesárea, 2014, poemas e crônicas), Erste Lektionen in Hydrologie (und andere Bemerkungen) (edição da autora, 2014, fotos) e O martelo (Douda correria, 2016, poemas). Tem trabalhos fotográficos publicados por diversas revistas internacionais. Adelaide Ivánova vive e trabalha entre Colônia e Berlim, na Alemanha. Há ainda mais material que vale a pena conferir no site https://adelaideivanova.com.[escamandro]
não sei se é o senso de humor ácido, não sei se é sua honra pelas origens, não sei se a militância desgarrada, não sei se é o Pernambuco imigrante que ela carrega, não sei se é a heterossexualidade critica, não sei se é a paixão pela cultura pop, não sei se é sua sagacidade misturada com aulas de consciência de classe, não sei se é sua habilidade de dedicar poemas para alguém, não sei se é reconhecer a poesia como labor. (…) meu pódio de poetas brasileiras contemporâneas reside Adelaide sem dúvidas alguma. extraordinária é que chama.
ri e chorei e revivi minhas separações e a raiva do golpe e do bolsonarismo e restabeleci paixões políticas e românticas e desejei escrever e me moveu a estar na luta, muito ativa, muito viva. que maravilha uma escrita que faz tudo isso com a gente!
Lerdei e não escrevi as mini resenhas dos livros de poesia que li nesses tempos sem consegui terminar prosa. Vamo ver o que lembro: Eu gostei do livro e da experiência de comprá-lo. Chapadinho e bẽbado de leve, aguardando colegas de trabalho que nunca tinha visto presencialmente prum happy hour pós-vacinação, fui dar uma olhada na livraria do lado pra não ser o primeiro a chegar, a mesma livraria onde comprei por impulso 13 nudes. Daí encontro esse no mesmo canto dos 13 nudes, penso que poderia sentar ali e ler e me atrasar com gosto, mas decidi não ser essa pessoa. Voltando pro bar, decidi que compraria o livro caso não tivesse chegado ninguém e... não tinha chegado (ou tinha chegado, mas eu não vi, pois ele tava no banheiro). Voltei e comprei com gosto. Gostei menos do que os outros dela que li, é meio irregular mesmo, tem coisa que seria usado em outro livro, coisa que já tinha visto antes, tem o coiso no meio, tem uma pandemia no meio, mas mesmo assim lembro de ter gostado bastante.
"Chifre" é engraçado e é cheio de coisas que eu nunca tinha pensado que caberiam na poesia (mas claro que cabem, tudo cabe). Esses versos aqui estão pra sempre gravados na minha mente:
e nem ligo pra categoria de "rimas pobres"/primeiro/porque não vou apagar um verso/que faça jus à ideia/só porque a rima não é rica/me poupem