No dia dos seus dezassete anos, uma bonita e pacata rapariga mata a mãe, deprimida, obesa e estagnada num velho sofá do apartamento na Rua do Poder Local onde vivem, num bairro social. O crime atrai os media sensacionalistas e uma vizinhança eufórica por falar para a televisão.
Maria José Núncio parte do circo mediático do crime para a história trágica destas duas mulheres abandonadas, vertiginosamente narrada através dos seus monólogos interiores em diferentes fases das respectivas existências, que se cruzam com as histórias de vida dos repórteres, vizinhos e familiares.
Um romance arrebatador que nos revela o mundo dos excluídos e esquecidos da nossa sociedade.
Uma pequena narrativa contada a várias vozes cujo tema principal é sobre uma rapariga que mata a sua mãe, ambas residentes num bairro social.
A comunicação social sensacionalista marca a sua presença e é através das entrevistas realizadas aos moradores do bairro e entre analepses e prolepses que vamos conhecendo histórias difíceis marcadas pela pobreza, pela criminalidade e pela segregação até chegarmos ao desfecho final.
Foi uma leitura que não me agradou como gostaria, talvez pela estrutura da narrativa e pelos inúmeros monólogos, e não achei verosímil a motivação para se dar aquela morte, de tantos outros motivos possíveis. Talvez seja eu que precise de pensar mais fora da caixa.