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A luta corporal

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Publicado em 1954, A luta corporal é o segundo livro de poemas de Ferreira Gullar. Foi com essa obra que o jovem poeta chamou atenção na cena literária brasileira, despertando o interesse de Oswald de Andrade e dos poetas concretistas Haroldo e Augusto de Campos, de quem se aproximou. Alguns poemas desintegravam a sintaxe e se preocupavam com a disposição gráfica do verso na página. Além de experimentos estéticos radicais, os poemas trazem uma reflexão sobre o tempo e a morte, assinalando a entrada de uma voz autoral e potente na poesia brasileira. A edição da Companhia das Letras traz posfácio inédito de Miguel Conde.

131 pages, Kindle Edition

First published January 1, 1954

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About the author

Ferreira Gullar

102 books64 followers
Ferreira Gullar is the pen name for José Ribamar Ferreira, Brazilian poet, playwright, essayist, art critic, and television writer. In 1959 he formed the "Neo-Concretes" group of poets.
Living in Chile, in 1975, Ferreira Gullar wrote his best known work, "Poema Sujo". He was exiled by the Brazilian dictatorial government that lasted from 1964 to 1985. The poem states that the persecution of the exiles was growing, many were being found dead, and, thinking hypothetically of his death, he decided to write his last poem. He spent months writing this poem with more than two thousand verses, which brings forth his memories of his childhood and adolescence in São Luís, Maranhão and the anguishes of being far from his land.
Ferreira Gullar read the poem at Augusto Boal's house in Buenos Aires, in a meeting organized by Vinicius de Moraes. The reading, recorded on tape, became well known among Brazilian intellectuals, who tried to guarantee Gullar's return to Brazil in 1977, where he continued writing for newspapers and publishing books.
He was considered one of the most influential Brazilians of the XX century by Época magazine.
Gullar keeps a weekly column at Brazilian newspaper Folha de S.Paulo, publishing it every sunday.

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1 (1%)
Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Eduardo Ribeiro.
23 reviews1 follower
May 12, 2020
-Releitura-

Iniciando com uma poesia inocente e tradicional, termina em disruptura da forma e da linguagem.

No meio termo aparecem textos que eu gosto bastante, como "Galo Galo", "Carta ao inventor da roda" e "O Arsenal"

Nas últimas páginas do livro, tamanho é o esgotamento do autor em relação à poesia formal que apela para a experimentação total. Ele mesmo afirmou que não iria "conduzir as palavras a sua última ignição". No fim das contas é um livro sobre as possibilidades da linguagem. Triste esse escritor ter virado um velho reacionário.
Profile Image for Ricardo Santos.
Author 10 books25 followers
September 15, 2017
O poeta Ferreira Gullar faleceu em 2016, infelizmente, como um reacionário. Para espanto e tristeza de muitos, que viam nele uma voz a quebrar regras. Este A Luta Corporal o lançou na literatura brasileira, na década de 50, aos vinte e poucos anos. São poemas que não têm nada de bonitinhos. É uma poesia que chama para a luta, para a tomada de consciência sem perder a força estética, sem deixar de lado a ousadia formal. É uma poesia que se faz necessária no dia a dia, feito pão com café. Mais de 60 anos depois, A Luta Corporal envelheceu bem, ainda tem algo a dizer e a inspirar. Melhor lembrarmos desse Ferreira Gullar e não do outro.
Profile Image for Marcos Pena Júnior.
1 review1 follower
August 19, 2018
Sobrevive o espanto!

Representações criativas da realidade geradas pelo gênio humano para destacar o que dela lhe parece profundo, grotesco, bonito, aterrador, sublime, longevo, as quais, em adição, se demonstram perenes. Obras artísticas são, dito de maneira um tanto poética, os combustíveis que resultam na luz que ilumina a alma; e, assim sendo, por maior que seja a idade da obra, sua capacidade de iluminar continuará existindo. Assim eu tentaria explicar para minhas filhas, adolescentes, o que entendo por arte.


"Mas, pai, o que faz uma pessoa conseguir criar algo assim?", perguntaria uma de minhas filhas. Eu, humildemente, recorreria a este artista que tanto admiro e responderia: "Filha, vou citar um excelente poeta brasileiro: 'o espanto'". Essa foi uma grande lição que tive com o maranhense José Ribamar Ferreira. A ti sou eternamente grato por isso, Ferreira Gullar!


São sucessões de espantos que ele nos apresenta em "A luta corporal". Espantos com o eterno e com o passageiro, o eterno, repetitivo, que não cessa de tornar todos efêmeros. Os gritos do galo que se repetem, e se repetem como se numa ânsia de nunca cessarem, sem consciência, pobres, o galo e seu grito, de que há algo, esse sim que não finda, que irá sempre silencia-los. Tolo, ingênuo galo se sente tão forte (sem consciência?) com seu canto potente.


Mas não acredite o leitor que apenas o animal espanta Gullar, também o vegetal lhe caiu como uma bomba. Mal sabem disso as peras, elas, sozinhas, ardentes, sossegadamente se consumindo. Pera, como não se espantar com você que está aqui, provavelmente, antes mesmo do homem, e que, mesmo assim, não lhe alcança um centésimo de vida ... que, como ele mesmo, germina em si seu próprio fim. Como poderia nossa espantado José não falar de você?



(...)Neste leito de ausência em que me esqueço
desperta o longo rio solitário:
se ele cresce de mim, se dele cresço,
mal sabe o coração desnecessário.

O rio corre e vai sem ter começo
nem foz, e o curso, que é constante, é vário.
Vai nas águas levando, involuntário,
luas onde me acordo e me adormeço (p. 41).



(...)Onde jorrara a fonte, as pedras
secas. Onde jorrara
a fonte, jorrara a fonte.

Aqui jorrara a fonte (p. 113).



Gullar lutou, lutou com a alma e de corpo com as palavras, armado de seus espantos. Lutou e venceu! Venceu as palavras, a língua, as destruiu, lhes levou ao ocaso como somos a ele levados. Mas ele foi capaz, contudo, antes de ter ao seu sido levado, de sua vitória se arrepender.




Profile Image for Danielle Gilaberte.
74 reviews
November 21, 2017
É para quem vive manhãs sem teto (meramente ornamentais, sim, mas lindo):

"Tudo que fácil se
dá quer negar-nos.
[...]
Tudo odeia se dar."

"Estamos no reino da palavra, e tudo que aqui sopra é verbo, e uma solidão irremissível,"
Profile Image for thaís bambozzi.
289 reviews54 followers
January 8, 2020
O experimentalismo estético de Gullar que encontramos nesse livro é admirável. Por ter sido a última leitura, senti mais dificuldade em ser tocada por alguns poemas, momentos em que a leitura se arrastou um pouco.
Profile Image for Gustavo Krieger.
145 reviews5 followers
November 9, 2016
Some very experimental and important poems, like “Roçzeiral”, but a lot of prose where Gullar is as green as you can get. The reason is he is trying to find his voice and you can see clearly his path - with many ups and dows, trying a bit here, trying a bit there. The book is divided in 11 parts. In each one he tries something different. In one of them - “O Mar Intacto” - there are 4 poems that show the path he would follow later. This book is considered by many here in Brazil a milestone, and it meant a lot to poetry as a whole, but as I said his prose, that consists of half the book, is not that strong (it's a form he would rarely use later).
Profile Image for Flávia.
53 reviews36 followers
December 11, 2008
O que reli com vontade mesmo foram os versos de A Galinha e O Galo, talvez com menos interesse do que gostaria. É que ando tentando me apaixonar por poesia...
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