Ser bom não é ser bonzinho: Como a comunicação não violenta e a arte do palhaço podem te ajudar a identificar e expressar as suas necessidades de maneira ... como o deste título
O novo livro de Cláudio Thebas, co-autor do best-seller O palhaço e o psicanalistaVocê já sofreu por não saber como dizer algo difícil para alguém? Quantas vezes, diante da necessidade de uma conversa desconfortável, você se calou com medo de magoar o outro, acabando por ferir a si mesmo? Neste livro, Cláudio Thebas costura sua experiência como palhaço, professor de Escuta e de palhaços de hospital, com os conceitosda Comunicação Não Violenta e nos oferece caminhos para que sejamos capazes de identificar, acolher e enfrentar os medos e barreiras de comunicação que nos impedem de sermos autênticos e sinceros como gostaríamos. Alguns temas ser pacífico não é ser passivo. A diferença entre franqueza e sinceridade. Vulnerabilidade comopotência de conexão. Compreender não é concordar. Os quatro tempos da Comunicação Não Violenta. Reagir não é revidar. O poder da escuta. Como evitar os vícios violentos de linguagem..."Este livro nos ensina a meditar sobre pequenas diferenças e a elaborar a força decisiva do modo de criar estado, mundo e universos de palavras." - CHRISTIAN DUNKER, PSICANALISTA "Ele traz nesta obra distinções importantes de conceitos do campo da escuta, jogos que todos nós podemos testar para sentir a CNV na prática e, ainda mais ele compartilha histórias humanas e emocionantes com o leitor." - CAROLINA NALON, MEDIADORA DE CONFLITOS, PALHAÇA E ETERNA APRENDIZ DA CNV
Esse livro me fez chorar algumas vezes. Primeiro, porque o autor descreve o humor necessário para o palhaço: que só pode ser real quando há uma real conexão. Bem, eu me conectei realmente com a narrativa. Enquanto todos estão tentando se provar bons, perfeitos, o palhaço se permite. Se permite ser e estar errado, ser um anti heroi. E permite a brincadeira, que nos faz estar presentes, nos faz aliviar de expectativas também sobre o futuro. Algumas passagens, como a no Sudão do Sul, quando o palhaço toca os dedinhos das crianças pelo furinho, me emocionaram porque é evidente o quanto descrevem a real função da linguagem. A passagem do liquidificador, em que no ritual de passagem para palhaço, é trazido à tona um trauma, e é necessário se expressar sobre ele, elaborá-lo, permitir ser físico, e ser expressado, isso foi muito forte pra mim. Um livro lindíssimo.
Escutar o outro presume que ele possui suas razões, seus motivos e está determinado por certas causas.
Gastamos boa parte da nossa energia no esforço por convencer o outro do nosso ponto de vista,
O primeiro passo para escutar é se despossuir: de seus personagens, de suas prerrogativas, de seus direitos, de sua língua, de seu circo neurótico particular.
A gente chama a exposição da combinação única que cada um faz, com o seu jeito de conduzir a sua errância, de lidar com sua despossessão e de enfrentar suas perdas por um nome: “vulnerabilidade”.
Culpar os outros é frequentemente um sinal de que não estamos conseguindo reconhecer nossa própria implicação ou responsabilidade no curso dos acontecimentos.
Expor afetos não é o mesmo que vomitar emoções ou obrigar o outro a vivê-los compulsoriamente da mesma maneira que você.
Confira se o quanto você se autoriza a pedir é compatível com o quanto de recusa você está disposto a aceitar.
A responsabilidade e a implicação acontecem em silêncio, a culpabilização e a denúncia são ruidosas, por isso exteriorizam em palavras o que não conseguimos conciliar com o silêncio em nós mesmos. Responsabilizar aponta para a solução. Culpar aponta para o problema.
Falar demais é o primeiro princípio de quem não está escutando.
Uma boa escuta não deve se intimidar diante da experiência do hospício. Ela deve atravessá-lo como parte decisiva do encontro e da redescoberta do mundo e de si. Isso requer renúncia e coragem. Renúncia como suspensão provisória do que você pensa e sente a respeito do outro ou do que ele está dizendo acreditar, saber ou protestar. Coragem porque nem sempre o que o outro fala é agradável aos ouvidos.
Simpatia acontece quando sentimos que o outro gosta das mesmas coisas que nós, que ele faz as coisas como nós fazemos ou como gostaríamos de fazer.
a escuta é uma espécie de órgão sem corpo, ou de órgão à procura de um corpo, um órgão que exige sair de si, para retornar a si.
Fidelidade se dá por dois fatores: produto e relacionamento.
Caos não se controla. Caos se escuta.
errar é criar um novo caminho onde antes não havia. Só vai adiante quem erra.
A lógica do encontro está condicionada pela nossa capacidade de acolher o contingente, o imprevisto, o que manca diante de nossas ideias e programações.
improvisar é conseguir distinguir os objetivos dos meios para sermos capazes de desapegar dos últimos em favor dos primeiros.
Quando lidamos com o outro, como se este fosse uma extensão de nós mesmos, o outro começa a ser tratado como coisa ou como objeto, o que cedo ou tarde embrutecerá aquele que assim se relaciona com os outros.
Interessar-se pelo destinatário da mensagem envolve ler o problema e a solução do ponto de vista do outro, na linguagem dele e no tempo dele.
Não fomos educados a escutar o que sentimos nem a sermos hospitaleiros com nossas vozes dissonantes. Não fomos educados a pesquisar como expressar esses sentimentos de forma saudável, e jamais nos fizeram refletir sobre a arte de modular a expressão de nossos afetos e a importância de escutarmos o outro ou sermos por ele escutados.
grande problema para a formação de lideranças é fazer com que a disputa pela ascensão vertical não prejudique ou ameace a coesão horizontal.
quando discutir as regras do jogo se torna mais importante do que o jogo em si, há algo errado em curso. Há algo a mais para ser escutado na estrutura da situação.
Ensinar é esperar respostas, aprender é fazer perguntas.
Como alguém diz o que diz é uma chave essencial para entender o dizer.
quando comunicamos nossas emoções, 55% são transmitidos por meio da nossa linguagem corporal, 38% pela nossa voz e apenas 7% vêm do conteúdo da mensagem, palavras e seus significados.
A compaixão se distingue da pena e da piedade porque se estende a todos os envolvidos na situação com imparcialidade e desejo genuíno de contribuir para que aconteça o melhor para todos. A piedade é um afeto traiçoeiro, pois frequentemente nos faz produzir com o outro uma pena de nós mesmos ou, ainda que furtivamente, uma satisfação por não estarmos realmente no lugar do outro.
a arte das perguntas e respostas é uma espécie de jogo, uma atividade lúdica semelhante a brincar com fogo. Esporte para corajosos.
Quanto mais repetição, menor o tamanho do mundo de alguém e maior o volume proporcional de seu ego.
quase sempre vale a pena dizer para si mesmo: Não é ele que não me escuta, mas sou eu quem não está sabendo dizer isso direito. Eventualmente estamos presos em um lugar onde o outro não pode escutar.
No fundo, o pessimista é um preguiçoso que sabe que, como a vida acaba mal, basta apostar no pior que você sempre ganha.
Intimidade não acontece quando gostamos das mesmas coisas, consumimos os mesmos objetos ou temos os mesmos traços de personalidade. Como vimos, isso causa simpatia, não empatia. Intimidade acontece quando compartilhamos dúvidas, incertezas, crises e diferenças. Intimidade é uma experiência produtiva de indeterminação.
O ambiente digital promove a expectativa de que você está acessível e disponível o tempo todo, que você está respondente o tempo todo.
Os melhores argumentos são aqueles que agem na solidão do travesseiro.
colaboração se conquista escutando.
No pilar da coragem reside a confiança, e no pilar do desejo, a sensação de pertencimento.
a marginalidade é uma condição muito favorável à escuta. Alguém de fora sempre consegue ter uma percepção mais ampla e parcimoniosa sobre o todo.