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Contos Reunidos do Mestre do Horror Cósmico

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H. P. Lovecraft não foi apenas o maior inovador do gênero fantástico depois de Edgar Allan Poe, influenciou também grande parte da literatura insólita, seja ela gótica, de horror ou ficção científica do século XX. Até os dias de hoje, Lovecraft continua a inspirar autores, ilustradores, quadrinistas, roteiristas e diretores de cinema de todo o mundo. Ao criar um universo ficcional em torno da ideia de que a Terra, muito antes do aparecimento do ser humano, fora habitada por monstruosas divindades alienígenas que poderiam ser invocadas, com consequências nefastas para a humanidade - , Lovecraft criou um subgênero da literatura fantástica que ficou conhecido como horror cósmico. A enorme influência exercida por seus contos e novelas pode ser identificada na obra de autores tão diversos como Stephen King, Alan Moore, Neil Gaiman, Robert E. Howard, Fritz Leiber, August Derleth,William S. Burroughs, Jorge Luis Borges, Philip K. Dick e Arthur C. Clarke, para citar alguns.

Esta edição reúne pela primeira vez em língua portuguesa o cerne da produção lovecraftiana: a narrativa curta completa, composta de todos os contos do mestre do horror cósmico e do macabro, à exceção das novelas, noveletas e romances breves, de seus escritos como ghostwriter e das histórias de autoria compartilhada.

Para traçar um panorama coerente da opera lovecraftiana, as 61 histórias foram divididas em blocos temáticos e anotadas. A organização apresenta vasto apêndice contendo ensaio biográfico, ensaios críticos, iconografia, filmografia, bestiário, cronologia e bibliografia elaborados pelos principais estudiosos brasileiros do autor. A introdução e a supervisão editorial são de S.T. Joshi, o maior especialista da atualidade na vida e na obra de Lovecraft.

560 pages, Hardcover

First published April 1, 2017

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About the author

H.P. Lovecraft

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Howard Phillips Lovecraft, of Providence, Rhode Island, was an American author of horror, fantasy and science fiction.

Lovecraft's major inspiration and invention was cosmic horror: life is incomprehensible to human minds and the universe is fundamentally alien. Those who genuinely reason, like his protagonists, gamble with sanity. Lovecraft has developed a cult following for his Cthulhu Mythos, a series of loosely interconnected fictions featuring a pantheon of human-nullifying entities, as well as the Necronomicon, a fictional grimoire of magical rites and forbidden lore. His works were deeply pessimistic and cynical, challenging the values of the Enlightenment, Romanticism and Christianity. Lovecraft's protagonists usually achieve the mirror-opposite of traditional gnosis and mysticism by momentarily glimpsing the horror of ultimate reality.

Although Lovecraft's readership was limited during his life, his reputation has grown over the decades. He is now commonly regarded as one of the most influential horror writers of the 20th Century, exerting widespread and indirect influence, and frequently compared to Edgar Allan Poe.
See also Howard Phillips Lovecraft.

Wikipedia

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Profile Image for Harvey Hênio.
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December 13, 2025
No hoje longínquo ano de 1982, perambulando por uma feira de livros que costumava ser armada no quarteirão fechado da rua Rio de Janeiro no centro de Belo Horizonte, chamou a minha atenção um livro chamado “Um sussurro nas trevas” editado pela antiga (e falecida) editora Francisco Alves. Não conhecia o autor – o estadunidense H.P. Lovecraft (1890/1937). Folheei o volume e os títulos dos contos me fisgaram pela sugestão de “horror insólito” que sugeriam (“A cor que caiu do céu”, “Um sussurro nas trevas”, “A estampa da casa maldita”, “Vento frio”, “O chamado de Cthulhu”, “Sombras perdidas no tempo”). Logo adquiri o livro e o li e reli várias vezes.
Fascinado/horrorizado pelos tenebrosos contos de Lovecraft passei a frequentar assiduamente as livrarias em busca de novos lançamentos do autor estadunidense. Eis que, em 1983, foi lançado, pela mesma e finada editora acima citada um outro volume de contos intitulado “A casa das bruxas”. O destaque desse livro é a novela “Nas montanhas da loucura” que se tornou uma das minhas narrativas favoritas de Lovecraft e que, desde então, já reli várias vezes em várias traduções e compilações.
H. P. Lovecraft não foi apenas o maior inovador do gênero terror / horror / Sci-Fi / fantástico depois de Edgar Allan Poe. Ao construir de forma minuciosa e detalhista um universo ficcional onde a Terra, inúmeros milênios antes do advento da humanidade, fora habitada por monstruosas divindades alienígenas cujo retorno pode exterminar a vida humana, insignificante diante dessas entidades cósmicas, o autor criou um subgênero que se tornou consagrado e conhecido como “horror cósmico” que se tornou uma grande e aparentemente inesgotável fonte de inspiração para vários autores, escritores, quadrinistas, roteiristas, gamers e diretores de cinema de todo o mundo. Na literatura, sua influência pode ser identificada na obra de autores do quilate de Stephen King, Alan Moore, Neil Gaiman, Robert E. Howard, Fritz Leiber, August Derleth, Jorge Luis Borges, Philip K. Dick e Arthur C. Clarke entre muitos outros.
Este ótimo “Contos Reunidos”, uma edição primorosa da editora “ex machina”, reúne pela primeira vez todos os 61 contos do mestre do horror cósmico. Os fãs de Lovecraft certamente sentirão falta das novelas e narrativas de maior fôlego como “O chamado de Cthulhu”, “Nas montanhas da loucura”, “Sombras perdidas no tempo”, “Um sussurro nas trevas”, “Horror em Dunwich” e “A sombra sobre Innsmouth” mas a inclusão desses clássicos lovecraftianos realmente não seria comportada por essa obra que aqui se apresenta em nova edição, revista e ampliada que conta, para deleite de lovecraftmaníacos com um novo bestiário, filmografia expandida, a inclusão de mais quatro ensaios críticos além dos que já haviam sido incluídos na versão original e que são uma atração à parte pois propiciam análises acadêmicas impecáveis acerca do valor e da relevância de Lovecraft para a cultura pop da atualidade, além de uma seção que inclui a reprodução de algumas cartas escritas por Lovecraft. Vale a pena ressaltar que o autor é considerado um dos maiores missivistas de todos os tempos tendo escrito cerca de 87.000 cartas para diversas pessoas. Algumas dessa cartas tem mais de 50 páginas e nelas Lovecraft apresenta toda a sua incrível erudição e talento para a escrita.
Vale a pena reproduzir trechos de dois dos melhores ensaios publicados nesse livro.
Em “Uma vida de histórias e obsessões”, Marcelo Simões Branco, jornalista, mestre e doutor em Ciência Política pela USP, professor da UNIFESP e organizador da coletânea “As melhores histórias brasileiras de horror” (2018) e um dos autores do “Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica” (1988/2004) elabora um breve perfil biográfico do autor e analisa a sua relevância no panorama cultural dos séculos XX e XXI.

“Suas histórias se caracterizam por narração em primeira pessoa, e com muita adjetivação dos acontecimentos, às vezes, às vezes excessiva, mas que reforçam um clima penetrante e de angústia, que faz do leitor um cúmplice quase participante dos horrores vividos pelos personagens. Desse modo, suas histórias ecoam na mente do leitor, que se descobre devorando o texto até o final, com o enredo reverberando não raro por dias em sua mente.
O próprio Lovecraft, em seu ensaio clássico “O horror sobrenatural na literatura” (1926), afirma que o “mais importante de tudo é a atmosfera, pois o critério final de autenticidade não é o recorte de uma trama e sim a criação de uma determinada sensação”.
Mas apesar do culto em torno de sua persona e suas histórias de caráter único, há quem não goste de seu estilo, visto como obsoleto, suas narrativas semelhantes e repetitivas, além de personagens muito parecidos, difíceis de serem distinguidos. Além de seu indisfarçável e incômodo racismo. Contudo, mesmo seus críticos e detratores reconhecem que a atualidade e a longevidade da obra de Lovecraft, que já adentra o século XX, é a sua visão de mundo. Como defende o crítico e editor americano Gardner Dozois,

‘Lovecraft foi um dos primeiros autores a quebrar a visão dominante do século XIX de que o mundo girava em torno de conceitos como o bem e o mal, pecado e redenção, anjos e demônios, e nos mostrou um universo vasto, impessoal, com forças implacáveis com que os humanos não poderiam lidar nem compreender’.

Pois no cosmos lovecraftiano o Bem e o Mal estão fora da equação de uma compreensão da realidade. A qualquer momento um evento cósmico pode destruir a Terra e a civilização humana, frustrando nossas crenças, valores e objetivos. Não há qualquer salvação para nós de algum evento catastrófico repentino porque para o assim chamado “grande plano cósmico” a humanidade é irrelevante. O universo é indiferente às nossas crenças e motivações.
Lovecraft apresenta essa visão radical com as tintas do horror fatalista, e o que leva seus personagens ao desespero e à insanidade é a descoberta de que somos insignificantes, manipulados por um panteão de deuses antigos e poderosos que, em certa medida, representam uma metáfora do próprio universo e suas leis incognoscíveis e seus eventos fortuitos, inesperados.
Neste século XXI a visão que se tem do universo é, de fato, muito mais complexa e multifacetada do que se imaginava nos idos de 1930. Isso torna claro que nós podemos estar vivendo em um cosmos lovecraftiano, onde a Terra pode ser aniquilada, ou ao menos a vida humana, a qualquer momento pela colisão de um asteroide, emissões de raios gama, explosão de supernova, aumento de energia do Sol, entre outras possibilidades. E Deus, em suas diferentes manifestações místicas e religiosas, não virá nos salvar”.

E em “Cosmicismo, fascismo e eugenia: o pensamento filosófico e social de HPL” de Edgar Indalecio Smaniotto, filósofo, mestre e doutor em Ciências Sociais, membro de várias instituições científicas com destaque para a SBPC e participante de pesquisas relacionadas à eugenia, literatura especulativa e trans-humanismo se posiciona diante da maior das polêmicas envolvendo Lovecraft: o racismo presente na obra e nas cartas do autor:

“Este pequeno ensaio não pretende de forma alguma ser um ponto de chegada para as discussões sobre política, filosofia e raça na obra de H.P. Lovecraft, mas sim apresentar algumas possibilidades de interpretação de seu pensamento a partir da leitura de seus contos. Salientamos, entretanto, que seus contos não podem e não devem ser lidos apenas em função de suas ideias políticas e sociais, e que o valor literário e estético da obra lovecraftiana não deve ser julgado por suas concepções ultrapassadas de raça, por exemplo, ou dos usos pseudocientíficos da ideia dos deuses extraterrestres criados por ele como recurso literário.
H.P. Lovecraft foi um dos grandes mestres da literatura fantástica do século XX, inovando tanto em relação à temática quanto ao aprimoramento estético literário que imprimiu à sua obra, mesmo quando publicada em revistas pulps que não primavam por essa qualidade.
Esse é o Lovecraft que apreciamos como o grande e inovador escritor de horror que foi. O Lovecraft pensador social é muito mais um reflexo do pensamento de sua época do que um inovador, um objeto de estudo, pelo qual podemos compreender uma época histórica específica e a forma com que este escritor respondeu aos desafios sociais que lhe foram apresentados. O Lovecraft escritor de literatura de horror, este sim um imortal, vicejará permanentemente no imaginário literário ocidental”.

“Contos Reunidos” é uma obra de fôlego, muito bem organizada e editada e é leitura obrigatória para todos aqueles que apreciam o trabalho do “Príncipe Negro de Providence”.

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